ESTÂNCIA VI (Continuação)

5. Na Quarta (a)423, os Filhos recebem ordem de criar suas Imagens.

Um Terço recusa-se. Dois Terços424 obedecem.

A Maldição é proferida (b).

Nascerão na Quarta425; e sofrerão e causarão sofrimento.

É a Primeira Guerra

(c).

O significado completo deste Sloka não pode ser bem compreendido

senão depois de lidas as explicações minuciosas e complementares que figuram na

parte relativa à Antropogênese e respectivos comentários, nos volumes III e IV.

Entre o mesmo Sloka e o precedente largos períodos se passaram, vendo--se agora

o despontar da aurora de um novo evo.

O drama que se desenrola em nosso

planeta está no início de seu quarto ato; mas, para aprender melhor e mais

claramente toda a representação, mister se faz que o leitor retroceda um pouco,

antes de prosseguir.

Porque este versículo pertence a Cosmogonia geral exposta

nos volumes arcaicos, ao passo que os volumes III e IV darão um relato

Quarta Ronda, ou revolução da Vida e do Ser em torno das Sete Rodas menores.

Duas terças partes.

Quarta Raça.

pormenorizado da "criação", ou, mais propriamente, da formação dos primeiros

seres humanos, seguidos pela segunda humanidade e depois pela terceira; a saber

— a história das Raças-Raízes Primeira, Segunda e Terceira, conforme a

denominação usual.

Assim como a Terra começou por ser uma esfera de fogo

líquido e poeira ígnea, e seu fantasma protoplasmático, também o homem passou

por fases análogas.

(a) Com base na autoridade dos Comentários, dá-se à palavra "Quarta" o

significado de Quarta Ronda.

Mas tanto pode significar a Quarta Ronda como a

Quarta Eternidade, e ainda o nosso Quarto Globo.

Pois, como teremos ocasião de

mostrar mais de uma vez, este último é a quarta esfera do quarto plano, ou seja, do

plano mais inferior da vida material.

De modo que nós estamos na Quarta Ronda,

em cujo ponto médio deve ocorrer o equilíbrio perfeito entre o Espírito e a Matéria.

Como veremos, foi neste período — durante o apogeu da civilização, do

conhecimento e da intelectualidade humana da Quarta Raça, a Atlante — que a

crise final do ajustamento fisiológico-espiritual das raças levou a humanidade a

ramificar-se em dois caminhos diametralmente opostos: a Via da mão Esquerda e a

Via da mão Direita do Conhecimento ou Vidyâ.

Conforme diz o Comentário.

Assim foram semeados naqueles dias os germes da

Magia Branca e da Magia Negra.

As sementes permaneceram

latentes por algum tempo, e só vieram a germinar durante o

primeiro período da Quinta Raça, a nossa.

Acrescenta ainda o Comentário, explicando este Sloka:

Os Santos Jovens [os Deuses] negaram-se a

multiplicar e a criar espécies à sua semelhança e segundo a

sua classe.

"Não são Formas [Rupas] apropriadas para nós.

Devem ser aperfeiçoadas." Recusam entrar nos Chhâyâs

[sombras ou imagens] de seus inferiores.

Assim, prevaleceu o

sentimento egoísta, desde o início, até entre os Deuses, caindo

eles sob a mira dos Lipikas Cármicos.

Por causa disso tiveram que sofrer em nascimentos posteriores.

Como o

castigo veio aos Deuses, é o que se verá nos volumes III e IV.

É tradição universal que, antes da "Queda" fisiológica, a propagação da

espécie, fosse a humana ou a animal, se efetuava pela Vontade dos Criadores ou de

sua progênie.

Esta foi a Queda do Espírito na geração, não a Queda do homem

mortal.

Já dissemos que, para se tornar consciente de si mesmo, deve o Espírito

passar através de cada um dos ciclos de existência, cujo ponto culminante, sobre a

terra, é o homem.

O Espírito per se é uma abstração inconsciente e negativa.

Sua

pureza lhe é inerente, e não adquirida pelo mérito; por isso, conforme também já

assinalamos, necessário é, para chegar a ser um Dhyân Chohan dos mais elevados,

que cada Ego atinja a plena consciência como ser humano, isto é, venha a se tornar

o ser consciente que nós sintetizamos no Homem.

Quando os Cabalistas judeus

afirmam que nenhum Espírito poderá pertencer à Hierarquia divina se Ruach (o

Espírito) não estiver unido a Nephesh (a Alma Vivente), não fazem senão repetir o

Ensinamento esotérico oriental:

Um Dhyâni deve ser um Atmâ-Buddhi; desde o

momento em que Buddhi-Manas se separa de seu imortal

Âtmâ, do qual Buddhi é o veículo, Âtman passa ao Não-Ser,

que é o Absoluto Ser.

Quer dizer: o estado puramente Nirvânico é um retorno do Espírito à

abstração ideal da Asseidade, que não tem relação alguma com o plano em que o

nosso Universo cumpre o seu ciclo.

(b) "A Maldição é proferida": não se deve entender, por estas palavras,

que algum Ser Pessoal, Deus ou Espírito Superior, haja pronunciado a maldição;

mas simplesmente que uma causa, que só podia dar maus resultados, acabava de

ser produzida, e que os efeitos desta causa Cármica podiam somente conduzir a

inditosas encarnações, e portanto ao sofrimento, os Seres que, contrariando as leis

da Natureza, assim criavam obstáculos ao seu progresso normal.

(c) "É a Primeira Guerra": alusão às diversas lutas para o ajustamento

espiritual, cósmico e astronômico, mas relacionadas sobretudo com o mistério da

evolução do homem tal como é atualmente.

Os Poderes ou Essências puras que

"recebem ordem de criar" envolvem um mistério, cuja explicação se encontra em

outra parte, conforme já dissemos.

O segredo da geração não somente é um dos

mais ocultos segredos da Natureza, para cuja solução todos os embriólogos vêm

debalde conjugando os seus esforços, mas também é uma função divina, que

constitui um dos maiores mistérios religiosos, ou antes, dogmáticos, o da chamada

"Queda" dos Anjos.

Quando o mistério da alegoria for explicado, ver-se-á que Satã

e o seu exército rebelde se recusaram a criar o homem físico com o único fito de se

tornarem os Salvadores e Criadores diretos do Homem divino.

O ensinamento

simbólico, mais do que místico e religioso, é puramente científico, como veremos

mais tarde.

Porque, em vez de ser um simples instrumento cego e automático,

impulsionado e dirigido pela Lei insondável, o Anjo "rebelde" reclama e exige o seu

direito de julgar e de manifestar a própria vontade com independência; o seu direito

de obrar com liberdade e responsabilidade, visto que tanto o Homem como o Anjo

estão sujeitos à Lei Cármica.

Esclarecendo opiniões cabalísticas, diz o autor de New Aspects of Life, a

respeito dos Anjos caídos:

"Segundo o ensinamento simbólico, o Espírito, de

simples agente funcional de Deus, converte-se em um ser com

vontade própria em sua ação desenvolvida e desenvolvente; e

caiu ao substituir o desejo divino por essa vontade própria.

Eis

por que o reino dos espíritos e a ação espiritual, que

promanam da volição do espírito, se acham fora do Reino das

Almas e da ação Divina e em contradição com ambos426."

Até aqui não há o que dizer; mas que pretende o autor significar com as

palavras que seguem? A saber:

"Ao ser criado, o homem era humano em sua

constituição,   dotado   de   sentimentos   humanos    e   com

Pág.

233.

esperanças e aspirações humanas.

Desse estado ele caiu no

de bruto e selvagem".

Tal coisa está em frontal oposição aos nossos ensinamentos orientais, à

idéia cabalística (cuja compreensão esteja ao nosso alcance), e à própria Bíblia.

E

semelha a Corporalismo e Substancialismo, que dão cor à filosofia positiva; embora

seja difícil penetrar exatamente o sentido do que o autor quis dizer.

Contudo, uma

queda "do natural no sobrenatural e no animal" (o sobrenatural significando aqui o

estado puramente espiritual) implica o que acima sugerimos.

O Novo Testamento fala de uma daquelas guerras, nos seguintes termos:

"E houve guerra no Céu: Miguel e seus Anjos

batalhavam contra o Dragão; e lutavam o Dragão e seus Anjos,

mas não prevaleceram, e nunca mais houve lugar para eles no

Céu.

E foi expulso o Dragão, aquela antiga serpente que se

chama Diabo e Satã, e que engana todo o mundo427."

A versão cabalista da mesma história figura no Codex Nazar         æus, a escritura sagrada dos Nazarenos, os verdadeiros místicos cristãos de João Batista e

os Iniciados de Christos.

Bahak Zivo, o "Pai dos Gênios", recebe ordem para

construir criaturas — ordem para "criar". Mas, como ele permanece "ignorante de

Orcus", não o consegue, e solicita o auxílio de Fetahil, um espírito ainda mais puro,

Apocalipse, XII, 7-9.

que também vê frustrados os seus esforços.

É uma repetição do insucesso dos

"Pais", os Senhores da Luz, que falharam um após outro428.

Reproduzimos agora alguns trechos de nossa primeira obra429:

"Entra então na cena da criação o Espírito

(chamado Espírito da Terra ou Alma, Psyché, classificado

como 'diabólico' por São Tiago), a parte inferior da Anima

Mundi ou Luz Astral.

(Veja-se o final deste Sloka.) "Para os

nazarenos e os gnósticos, esse Espírito era feminino.

Assim, o

Espírito da Terra, percebendo que, por causa de Fetahil431, o

mais novo dos homens (o último), o resplendor havia

"mudado", e que em lugar de resplendor existiam "decadência

e ruínas", desperta o Karabtanos432, "que estava louco,

privado de razão e juízo", e lhe diz: "Levanta-te e observa

como o Resplendor (a Luz) do Homem Novíssimo (Fetahil)

não vingou na sua tentativa (de criar ou produzir o homem); a

diminuição deste Resplendor é visível.

Levanta-te, vem com tua

Mãe (o Espírito) e liberta-te dos limites que te escravizam,

limites ainda mais vastos que os do mundo inteiro." Segue-se

depois a união da matéria louca e cega, guiada pelas

insinuações do Espírito (não o Sopro Divino, mas o Espírito

Veja-se o Volume III, Sloka 17.     Ísis sem Véu, I, 299-300. Compare-se também com Dunlap.

Sod: The Son of the Man, págs 51 e seguintes.

Baseado na autoridade de Irineu, de Justino o Mártir e do próprio Codex, Dunlap mostra que os Nazarenos viam no "Espírito" um Poder mau feminino, em suas relações com a Terra     Fetahil é idêntico à coorte dos Pitris que "criaram o homem" como um "cascão" apenas.

Era entre os Nazarenos o Rei da Luz e o Criador, mas aqui é o desditoso Prometeu, que não logra apoderar-se do Fogo Vivente necessário à formação da Alma Divina; pois ignora o nome secreto, o nome inefável e incomunicável dos Cabalistas.

O Espírito da Matéria e Concupiscência; Kâma-Rupa menos Manas, e Mente.

Astral, que, por sua dupla essência, já se acha impregnado de

matéria); e, sendo aceito o oferecimento da Mãe, o Espírito

concebe as "Sete Figuras" e os Sete Astros (Planetas), que

também representam os sete pecados capitais, produto de

uma Alma Astral separada de sua origem divina (o espírito), e

da matéria, o demônio cego da concupiscência.

Vendo isto,

Fetahil estende a mão para o abismo da matéria e diz: "Que

exista a terra, assim como existiu a mansão dos Poderes."

E, imergindo a mão no caos, ele o condensa e cria o nosso

planeta.

Relata depois o Codex como Bahak Zivo foi

separado do Espírito, e os Gênios ou Anjos, dos Rebeldes433.

Então Mano434 (o maior), que mora com o Supremo Ferho,

chama a Kebar Zivo (conhecido também pelo nome de Nebat

lavar Bar Lufin), o Timão e a Vinha do alimento da Vida435,

sendo ele a terceira Vida, e, compadecendo-se da sorte dos

insensatos Gênios rebelados, por sua desmedida ambição, diz:

"Senhor dos Gênios436 (     Æones), vê o que fazem os Gênios                         (os Anjos Rebeldes) e o que estão maquinando437. Respondem

eles: "Façamos surgir o mundo e chamemos os Poderes à

Codex Nazaræus, II, 233.      Este Mano dos Nazarenos se parece de modo estranho com o Manu dos Hindus, o Homem Celeste do Rig Veda.

"Eu sou a verdadeira Vinha e meu Pai é o lavrador" (João, XV, 1).      Para os Gnósticos, Cristo, assim como Miguel (que lhe é idêntico sob certos aspectos), era o "Chefe dos Æones".     Codex Nazaræus, I, 135.

existência.

Os Gênios são os Príncipes (Princípios), os

Filhos da Luz, mas tu és o Mensageiro da Vida."

E, a fim de contrabalançar a influência dos sete

princípios "mal dispostos", a progênie do Espírito, Kebar Zivo

(ou Cabar Zio), o poderoso Senhor do Resplendor, produz sete

outras vidas (as virtudes cardeais), que "do alto" com sua

própria luz e forma resplandecem438, e assim restabelece o

equilíbrio entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas.

Aqui se vê uma repetição dos sistemas dualistas, primitivos e alegóricos,

como o de Zoroastro, e se observa uma semente das religiões dualistas e

dogmáticas do futuro; semente que germinou em uma árvore frondosa no

Cristianismo eclesiástico.

É já o esboço dos dois "Supremos" — Deus e Satã.

Nas

Estâncias, porém, não existe semelhante idéia.

A maioria dos cabalistas cristãos ocidentais, e principalmente Eliphas

Lévi, em seu afã de conciliar as Ciências Ocultas com os dogmas da Igreja,

empenharam-se ao máximo para que a "Luz Astral" não fosse considerada senão

como o Pleroma dos primitivos Padres da Igreja, a morada da Legião dos Anjos

Caídos, dos Arcontes e dos Poderes.

Mas a Luz Astral, embora não seja mais que

o aspecto inferior do Absoluto, é sempre dual.

É a Anima Mundi, e não deve jamais

ser encarada de outra forma, exceto para fins cabalísticos.

A diferença entre sua

"Luz" e seu "Fogo Vivente" deve sempre estar presente ao espírito do Vidente e ao

do Psíquico.

O aspecto superior dessa "Luz", sem o qual só se podem produzir

Veja-se a Cosmogonia de Ferecides.

criaturas de matéria, é o "Fogo Vivente", seu Sétimo Princípio.

Em Ísis sem Véu

fizemos-lhe uma descrição completa, nestes termos:

"A Luz Astral ou Anima Mundi é dual e bissexual.

A

parte masculina (ideal) é puramente divina e espiritual, é a

Sabedoria, é o Espírito ou Purusha; ao passo que a parte

feminina (o Espírito dos Nazarenos) está, em certo sentido,

contaminado pela matéria, em verdade é matéria, e já é,

portanto, o mal.

Ela é o princípio vital de toda criatura vivente, e

dá a alma astral, o perispírito fluídico, a homens, animais,

pássaros do ar e tudo o que vive.

Os animais trazem em si

apenas o germe latente da alma imortal superior.

Esta última só

se desenvolve após uma série de evoluções inumeráveis; a

doutrina de tais evoluções está resumida no axioma cabalístico:

A pedra se torna planta; a planta se converte em animal; o

animal em homem; o homem em espírito; e o espírito em um

deus439."

Os sete princípios dos Iniciados orientais não estavam ainda explicados

quando escrevemos o livro Ísis sem Véu, e só as três "Faces" da Cabala semi-

exotérica é que foram objeto de comentário440. Estas informações, porém, contêm a

descrição das naturezas místicas do primeiro Grupo de Dhyân Chohans no regimen

ignis, a região e a "lei (ou governo) do fogo", Grupo que se divide em três classes,

I, 301, nota.

Constam, porém, do Livro dos Números caldeus.

sintetizadas pela primeira, o que perfaz quatro ou o "Tetraktys441".                        Estudando

atentamente os comentários, ver-se-á a mesma progressão nas naturezas

angélicas, a saber: descendo do estado passivo ao ativo; os últimos destes Seres

achando-se tão próximos do Elemento Ahamkâra (a região ou plano em que o

reconhecimento da própria individualidade, ou sentimento do Eu Sou Eu, começa a

definir-se) quanto os primeiros o estão da essência não diferenciada.

Este é Arûpa,

incorpóreo; aquele, Rûpa, corpóreo.

No segundo volume de Ísis sem Véu442, os sistemas filosóficos dos

Gnósticos e dos primitivos Judeus cristãos (os Nazarenos e os Ebionitas) foram

devidamente considerados.

Tais sistemas continham as opiniões correntes naqueles

dias — fora do círculo dos Judeus mosaicos — a respeito de Jehovah.

Este era

identificado por todos os Gnósticos mais como o princípio do mal do que como o do

bem.

Para eles, era Ilda-Baoth, o "Filho das Trevas", cuja mãe, Sofia Achamoth, era

filha de Sofia, a Sabedoria Divina — o Espírito Santo Feminino dos primeiros

cristãos —, Âkâsha.

Sofia Achamoth personificava a Luz Astral Inferior (o Éter). A

Luz Astral se encontra na mesma relação para com Âkâsha e Anima Mundi que Satã

para com a Divindade.

São uma e a mesma coisa vista sob dois aspectos, o

espiritual e o psíquico — o liame superetéreo ou de conexão entre a matéria e o

espírito puro — e o físico443. Ilda-Baoth é um nome composto de Ilda                           , filho, e

Baoth, este proveniente de                         ,   um ovo, e                  ,   caos, vazio ou

desolação: significa o Filho nascido no Ovo do Caos, como Brahmâ.

Ilda-Baoth ou

Jehovah é, pois, simplesmente um dos Elohim, os Sete Espíritos Criadores, e um

dos Sephiroth inferiores.

Ele produz de si mesmo com outros Deuses, "Espíritos

Veja-se o comentário à Estância VII.

II, 183 e segs.

Sobre a diferença entre nous, a Sabedoria divina superior, e psyche, a inferior e terrestre, veja-se São Tiago, III, 15-17.

Estelares" ou os Antepassados Lunares444, o que é a mesma coisa445. Todos são os

"Espíritos da Face", à sua própria imagem, os reflexos uns dos outros, que se

tornam cada vez mais sombrios e materiais à medida que se distanciam da fonte

original.

Também habitam sete regiões dispostas à maneira de uma escada, cujos

degraus representam a descida e a ascensão do Espírito e da matéria446. Entre

pagãos e cristãos, entre hindus e caldeus, e tanto para os Gregos como para os

católicos romanos — com ligeiras variantes na interpretação dos textos — todos eles

eram os gênios dos sete planetas, assim como das sete esferas planetárias de

nossa Cadeia setenária, na qual a Terra ocupa o ponto inferior.

Isto relaciona os

Espíritos "Estelares" e "Lunares"'com os Anjos planetários superiores e com os

Saptarshis (os sete Rishis das Estrelas) dos Hindus como Anjos e Mensageiros

subordinados a estes Rishis, emanações, em escala decrescente, dos primeiros.

Tais eram, segundo a opinião dos filósofos gnósticos, o Deus e os Arcanjos que os

Cristãos adoram atualmente! Os "Anjos Caídos" e o mito da "Guerra nos Céus" são,

portanto, de origem puramente paga, e vieram da índia, através da Pérsia e da

Caldéia.

O Cânon cristão apenas uma única vez os menciona, e é no Apocalipse,

XII, conforme dissemos em páginas anteriores.

Desse modo, Satã, deixando de ser considerado como espírito

supersticioso, dogmático e antifilosófico das Igrejas, passa a ser a imagem

grandiosa de quem fez do homem terrestre um Homem Divino; de quem outorgou ao

homem, por toda a longa duração do Mahâkalpa, a lei do Espírito de Vida, e o

libertou do Pecado da Ignorância, e, portanto, da Morte.

A relação de Jehovah com a Lua, na Cabala, é bastante conhecida dos estudantes.

Sobre os Nazarenos, veja-se Ísis sem Véu, II, 131-2. Os verdadeiros discípulos do verdadeiro Christos eram todos nazarenos e cristãos, e foram o oposto dos cristãos que vieram depois.

Veja-se o diagrama da Cadeia Lunar de sete mundos, na qual, como em nossa cadeia e em toda e qualquer outra, os mundos superiores são espirituais, ao passo que o mais inferior, seja a Lua, a Terra, ou qualquer outro planeta, é obscurecido pela matéria.

6.    As Rodas mais antigas giravam para baixo e para cima (a)...

Os frutos da Mãe enchiam o Todo447. Houve Combates renhidos

entre os Criadores e os Destruidores, e Combates renhidos pelo Espaço;

aparecendo e reaparecendo a Semente continuamente (b)448.

(a) Deixemos agora as questões incidentes; apesar de interromperem o

curso da narração, foram elas necessárias para a elucidação de todo o esquema.

Cumpre voltarmos à Cosmogonia.

A expressão "Rodas mais antigas" refere-se aos Mundos ou Globos de

nossa Cadeia, tal como eram nas Rondas precedentes.

Explicada a presente

Estância em seu sentido esotérico, observa-se que toda ela foi incorporada às obras

cabalísticas.

Vê-se ali a história da evolução dos inúmeros Globos após um Pralaya

periódico, reconstituídos sob novas formas com os materiais antigos.

Os Globos

anteriores se desintegram, reaparecendo transformados e aperfeiçoados para uma

nova fase de vida.

Na Cabala, os mundos são comparados a centelhas que brotam

sob o martelo do grande Arquiteto — a Lei, a Lei que rege todos os Criadores

menores.

O diagrama comparativo da página 393 mostra a identidade dos sistemas

cabalista e oriental.

Os três superiores são os planos de consciência mais elevados;

e em ambas as escolas são revelados e explicados unicamente aos Iniciados.

Os

planos debaixo representam os quatro inferiores, dos quais o último é o nosso, ou

seja, o Universo visível.

Estes sete planos correspondem aos sete estados de consciência no

homem.

A ele cabe despertar os três estados superiores, sintonizando-os com os

O Cosmo inteiro.

Advirta o leitor que o termo Cosmos, nas Estâncias, freqüentemente significa tão- só o nosso próprio Sistema Solar, e não o Universo Infinito.

Isto é puramente astronômico.

três planos superiores do Cosmos.

Mas, antes que o possa tentar, terá que chamar

os três "centros" à vida e à atividade.

E quão poucos são capazes de alcançar por si

mesmos uma compreensão, por superficial que seja, de Âtmâ Vidyâ (o

Conhecimento Espiritual), isto é, aquilo que os Sufis denominam Rohanee449!

(b) "Aparecendo e reaparecendo a Semente continuamente." Aqui

"Semente" quer dizer o "Germe do Mundo", aquilo que a ciência considera como

partículas materiais extremamente tênues, mas que para a física oculta são

"partículas espirituais", ou seja, matéria supra-sensível em estado de diferenciação

primária.

Para ver e apreciar a diferença, o imenso abismo que separa a matéria

terrestre dos graus mais sutis da matéria supra-sensível, todo astrônomo, físico ou

químico deviam ser, pelo menos, psicômetras; deviam ser capazes de sentir, por si

mesmos, aquela diferença, em que se obstinam em não acreditar.

A Sra.

Elizabeth

Denton, uma das mulheres mais cultas e também mais céticas e materialistas do seu

tempo, esposa do Professor Denton, o notável geólogo americano, autor de The

Soul of Things, era, não obstante, o seu ceticismo, uma psicômetra das mais

maravilhosas.

Vejamos o que ela descreve em uma de suas experiências.

Haviam colocado sobre a sua fronte uma partícula de meteorito oculta

dentro de um envelope.

Sem saber o que este continha, disse aquela senhora:

"Quanta diferença entre o que conhecemos aqui

como matéria e o que parece matéria ali! Numa, os elementos

são tão grosseiros e angulosos, que eu me admiro de

podermos suportá-la, e mais ainda de que desejemos continuar

Para uma explicação mais clara, veja-se "Saptaparma" no índice.

em relações com ela.

Na outra, todos os elementos são de tal

modo apurados e não apresentam aquelas grandes e ásperas

angulosidades, características dos nossos, que eu não posso

deixar de considerar os novos elementos como os que

oferecem condições de existência real, com títulos                  bem

superiores450."

Figura 5: DIAGRAMA III                                           Plano I

O mundo do Espírito Divino e sem forma       Plano I – O mundo Arquétipo

Plano IV – O Mundo Físico ou Material     Op. Cit.

III, 346.     O Arûpa ou "sem forma"; onde a forma cessa de existir, no plano objetivo.

A palavra "Arquétipo" não deve aqui tomar-se no sentido que lhe davam os Platônicos, isto é: o Mundo tal como existia na mente da Divindade; mas no sentido de um Mundo feito como primeiro

Em Teogonia, cada Semente é um organismo etéreo, do qual evolve mais

tarde um Ser celeste, um Deus.

No "Princípio", o que na fraseologia mística se chama "Desejo Cósmico"

vem a ser a Luz Absoluta.

Ora, a luz que não tivesse sombra seria a luz absoluta;

ou, mudando a palavra, a obscuridade absoluta, como procura demonstrar a ciência

física.

A "sombra" aparece sob a forma de matéria primordial ou, alegoricamente, se

se preferir, sob a de Espírito do Fogo ou Calor Criador.

Se a Ciência, relegando a

forma poética e a alegoria, preferir ainda ver nela a "névoa de fogo", não haverá

nisso o menor inconveniente.

De uma maneira ou de outra, seja Fohat ou a famosa

Força da ciência — força tão difícil de definir e descrever como o nosso próprio

Fohat —, aquele Algo é "o que determina o movimento circular do Universo", no

dizer de Platão e segundo o ensinamento oculto.

"O Sol Central faz com que Fohat aglutine a poeira

primordial em forma de globos, que os impulsione a mover-se

em linhas convergentes, e finalmente, que os aproxime uns dos

outros, reunindo-os... Disseminados pelo Espaço, sem ordem

nem sistema, os Germes do Mundo entram em freqüentes

colisões antes da junção final, e depois se convertem em

'Vagabundos' [Cometas]. Então começam os combates e as

lutas.

Os mais antigos [corpos] atraem os mais jovens,

enquanto outros os repelem.

Muitos sucumbem devorados

modelo, para ser seguido e melhorado pelos Mundos que lhe sucedessem fisicamente, embora decrescentes em pureza.

Estes são os quatro planos inferiores da Consciência Cósmica; os três superiores são inacessíveis à inteligência humana em seu presente grau de desenvolvimento.

Os sete estados da consciência humana constituem, aliás, uma questão inteiramente à parte.

pelos companheiros mais fortes.

Os que escapam vão

constituir-se em Mundos454."

Se analisarmos as linhas acima e sobre elas refletirmos com atenção,

havemos de concluir que oferecem um conteúdo tão científico quanto uma

exposição que fosse feita pela Ciência moderna.

Temos notícia de que em nossos dias foram escritas várias obras repletas

de especulações acerca de semelhantes "lutas pela vida" no espaço sideral; obras

estas em língua alemã principalmente.

Congratulamo-nos com o fato, pois o que

vimos de expor é um ensinamento oculto que se perdeu na noite das idades

arcaicas.

Do assunto já nos ocupamos plenamente em Ísis sem Véu455; e a idéia de

uma evolução semelhante à da teoria de Darwin, sobre a "luta pela vida" e pela

supremacia, e sobre a "sobrevivência dos mais aptos", tanto entre as Legiões do

Alto como entre as Legiões de baixo, transparece ao longo de todas as páginas de

nossa primeira obra, escrita em 1876. Mas a idéia não é nossa, pertence à

antigüidade.

Os escritores purânicos entremearam com engenho as alegorias com

os fatos cósmicos e os acontecimentos humanos.

Um simbologista pode discernir as

alusões, ainda quando não consiga penetrar-lhes o sentido.

As grandes "guerras nos

céus", nos Purânas; a dos Titãs, em Hesíodo e outros escritores clássicos; as lutas

entre Osíris e Tífon, no mito egípcio; e até mesmo as que figuram nas lendas

escandinavas — todas se referem a tema idêntico.

Na Mitologia do Norte, outra não

é a significação da batalha das Chamas, do combate dos filhos de Muspel no campo

de Wigred.

Livro de Dzyan.

Veja-se o índice: "Evolução", "Darwin", "Kapila", "Batalha da Vida" etc.

Tudo isso se relaciona com o Céu e a Terra, encerrando um duplo e por

vezes tríplice significado, e aplicando-se esotericamente "às, coisas de cima como

às de baixo". Cada alegoria diz respeito à lutas astronômicas, teogônicas e

humanas, ao ajustamento dos orbes e à supremacia entre as tribos e as nações.

A

"luta pela vida" e a "sobrevivência dos mais aptos" reinaram como leis supremas

desde o instante em que o Cosmos se manifestou à existência, e dificilmente podiam

escapar à observação arguta dos sábios antigos.

Daí as descrições dos combates

incessantes de Indra, o Deus do Firmamento, contra os Asuras — transformados de

Deuses superiores em Demônios cósmicos — e cones Vritra ou Ahi; das batalhas

renhidas entre estrelas e constelações, entre luas e planetas — posteriormente

encarnados como reis e mortais.

Daí também a "Guerra nos Céus" de Miguel e seu

Exército contra o Dragão (Júpiter e Lúcifer-Vênus), quando um terço das estrelas do

Exército rebelde foi precipitado nas profundezas do Espaço, "não mais sendo

encontrado o seu lugar nos Céus". Conforme há tempo escrevemos:

"Esta é a pedra angular dos ciclos secretos.

Mostra

que os brâmanes e os tanaim... especulam sobre a criação e o

desenvolvimento   do    mundo   tal   como   o   faz   Darwin,

antecipando-se a este e à sua escola na questão da seleção

natural, e na da evolução e transformação gradual das

espécies456."

Existiram mundos antigos, que pereceram, vencidos pelos novos etc.

A

afirmativa de que todos os mundos, estrelas, planetas etc.

— logo que um núcleo de

Ísis sem Véu, II, pág.

260.

substância primordial em estado laya (indiferenciado) é animado pelos princípios em

liberdade de um corpo sideral que acaba de morrer — foram primeiramente cometas

e depois sóis, esfriando a seguir e convertendo-se em mundos habitáveis, é um

ensinamento tão antigo quanto os Rishis.

Vemos, assim, que os Livros Secretos ensinam uma astronomia que a

própria especulação moderna não desprezaria, se fosse capaz de compreender

inteiramente aqueles ensinamentos.

Porque a astronomia arcaica e as ciências físico-matemáticas de antanho

expressavam idéias idênticas às das ciências de nossos dias, e por vezes muito

mais importantes.

A "luta pela vida" e a "sobrevivência dos mais aptos", assim nos

mundos superiores como em nosso planeta, eram princípios claramente expostos.

Mas tais ensinamentos, ainda quando não sejam de todo repudiados pela Ciência,

não serão certamente aceitos em seu conjunto, pois sustentam que só há sete

"Deuses" primordiais, nascidos por si mesmos e emanados de Aquele que é Uno e

Triplo.

Em outras palavras: significa que todos os mundos ou corpos siderais

(sempre em estrita analogia) são formados uns dos outros, depois que se verificou a

manifestação primordial no começo da Grande Era.

O nascimento dos corpos celestes no espaço é comparável a uma

multidão de peregrinos na festa dos Fogos.

Sete ascetas aparecem no limiar do

templo, com sete varinhas de incenso acesas.

À luz desses fachos, a primeira fila de

peregrinos acende as suas varinhas de incenso.

Em seguida, cada um dos ascetas

começa a fazer girar o seu facho no espaço por cima da própria cabeça, e cede o

fogo aos outros peregrinos.

É o que também se passa com os corpos celestes.

“Um

centro "laya" é iluminado e chamado à vida pelos fogos de outro peregrino"; depois,

o novo "centro" se lança no espaço e se converte em um cometa.

E só quando

perde a velocidade e, portanto, sua cauda flamejante, é que o Dragão de Fogo se

resolve a uma vida tranqüila e regular, como um cidadão respeitável da família

sideral.

Assim está escrito:

Nascido nos abismos insondáveis do Espaço, do

elemento homogêneo chamado Alma do Mundo, cada núcleo

de matéria cósmica, lançado subitamente à existência, inicia

sua vida em circunstâncias as mais hostis.

Ao longo de uma

série de incontáveis idades, tem que conquistar por si mesmo

um lugar no infinito.

Corre em círculos, entre corpos mais

densos e já fixos, movendo-se por impulsos súbitos; dirige-se

para algum ponto ou centro que o atrai, procurando evitar, qual

navio metido em uma estreita passagem semeada de recifes e

escolhos, outros corpos que, por sua vez, o atraem e repelem.

Muitos desses núcleos sucumbem, desintegrando-se no meio

de outras massas mais fortes, e, se nasceram dentro de um

sistema planetário, desaparecem tragados pelos ventres

insaciáveis dos sóis.

Os que se movem mais lentamente,

seguindo   numa    trajetória   elítica,   estão condenados   ao

aniquilamento, mais cedo ou mais tarde.

Outros, movendo-se

em curvas parabólicas, escapam geralmente à destruição,

graças à sua velocidade.

Alguns leitores de espírito mais crítico imaginarão talvez que este

ensinamento, segundo o qual todos os corpos celestes passaram pela fase

cometária, se acha em contradição com a afirmativa anterior de que a Lua é a mãe

da Terra.

Supõem provavelmente que só a intuição é capaz de conciliar as duas

informações.

Em verdade, porém, não se faz mister a intuição.

Que sabe a Ciência

em relação aos cometas, sua gênese, crescimento e destino final? Nada,

absolutamente nada! E que há de tão impossível na idéia de que um centro "laya"

(um núcleo de protoplasma cósmico, homogêneo e latente), ao ser animado ou

inflamado subitamente, se projete de sua posição no espaço, para girar em

torvelinho através dos abismos insondáveis, com a finalidade de robustecer o seu

organismo     homogêneo,    mediante    a    acumulação   e   adição   de   elementos

diferenciados? E por que um cometa semelhante não poderia desse modo vir a fixar-

se, viver e converter-se em um globo habitado?

"As mansões de Fohat são muitas" — está escrito.

"Ele coloca seus

Quatro Filhos de Fogo [eletropositivos] nos Quatro Círculos"; tais Círculos são o

equador, a eclítica e os dois paralelos de declinação, ou os trópicos, a cujos climas

devem presidir as Quatro Entidades Místicas.

E ainda: "Outros Sete [Filhos] são designados para presidir os sete Lokas

quentes e os sete Lokas frios [os infernos dos brâmanes ortodoxos], nos dois

extremos do Ovo de Matéria [nossa Terra e seus pólos]." Os sete Lokas são também

chamados "Anéis" e "Círculos". Os antigos contavam sete círculos polares, em vez

de dois (como os europeus); porque o Monte Meru, que é o Pólo Norte, possuía,

segundo eles, sete degraus de ouro e sete de prata, que conduziam até lá.

A estranha sentença que figura em uma das Estâncias, de que: "Os

Cantos de Fohat e de seus Filhos eram tão RADIANTES quanto o brilho do Sol do

meio-dia e o da Lua combinados"; e a de que os Quatro Filhos, no Quádruplo

Círculo do meio, "VIAM os Cantos de seu Pai e OUVIAM sua Radiação selênico-

solar" tem a seguinte explicação no Comentário: “a agitação das Forças Fohâticas

nos dois extremos frios [Pólos Norte e Sul] da Terra, de que resulta uma radiação

multicor durante a noite, encerra várias propriedades do Âkâsha [Éter], inclusive a

Cor e o Som".

"O som é a característica do Âkâsha (Éter); ele gera o Ar, cuja

propriedade é o Tato, o qual (pela fricção) produz a Cor e a Luz457."

É possível que tudo isso seja considerado um disparate arcaico; entender-

se-á melhor, porém, se o leitor tiver em mente as auroras boreal e astral, que

ocorrem mesmo nos centros das forças elétricas e magnéticas terrestres.

Diz-se que

ambos os pólos são os depósitos, os receptáculos e os mananciais, ao mesmo

tempo, da Vitalidade cósmica e terrestre (Eletricidade), cujo excesso, sem essas

duas válvulas naturais de segurança, há muito que teria reduzido a Terra a

inumeráveis fragmentos.

Existe ainda uma teoria, que ultimamente adquiriu foros de

axioma, de que os fenômenos luminosos polares são acompanhados de assobios,

chiados e estalidos, ou os produzem.

Consultem-se as obras do Professor Humboldt

a respeito da aurora boreal, bem como sua correspondência no tocante a essa

discutida questão.

7. Faze os teus cálculos, ó Lanu, se queres saber a idade exata da

Pequena Roda458; Seu Quarto Raio "é" nossa Mãe (a)459. Alcança o Quarto

Fruto da Quarta Senda do Conhecimento que conduz ao Nirvana, e tu

compreender ás, porque verás...(b).

Vishnu Purâna, Livro I, Cap.

II, págs.

34-5. O parágrafo acima não é uma transcrição textual, e sim um resumo do que ali se afirma.

Cadeia.

A Terra.

(a)    A "Pequena Roda" é a nossa Cadeia de Globos, e o "Quarto Raio

da Roda" é a nossa Terra, o quarto Globo de cadeia.

É um daqueles sobre os quais

o "sopro quente (positivo) do Sol" tem um efeito direto.

As sete transformações fundamentais dos Globos ou Esferas celestes, ou,

mais propriamente, das partículas de matéria que os constituem, são assim

descritas: 1ª — a homogênea; 2ª — a aeriforme e radiante (gasosa); 3ª — a

coagulosa (nebulosa); 4ª — a atômica e etérea, começo de movimento e, portanto,

de diferenciação; 5ª— a germinal e ígnea, diferenciada, mas composta somente dos

germes dos Elementos em seus estados primordiais (possuindo sete estados

quando completamente desenvolvidos em nossa Terra); 6ª — a quádrupla e

vaporosa (a Terra futura); 7ª — a fria e dependente do Sol para a vida e a luz.

O cálculo da idade, que a Estância concita o discípulo a fazer, é

sobremodo difícil, visto que não se mencionam as cifras representativas do Grande

Kalpa, e não estamos autorizados a divulgar as dos nossos pequenos Yugas, salvo

em sua duração apenas aproximada.

"As Rodas mais antigas giraram durante uma

Eternidade e meia" — está escrito.

Sabemos que por "Eternidade" se entende a

sétima parte de 311.040.000.000.000 anos, ou seja, de uma Idade de Brahmâ.

Mas,

quid inde? Sabemos também que, se tomarmos por base as cifras anteriores,

teremos    inicialmente   que    eliminar    dos   100     Anos   de   Brahmâ,    ou

311.040.000.000.000 de anos, dois Anos tomados pelos Sandhyâs (crepúsculos), o

que nos deixa 98, número que corresponde à combinação mística 14 X 7. Mas não

dispomos nós de conhecimento algum quanto ao momento exato em que tiveram

início a formação e a evolução de nossa pequena Terra.

É impossível, assim,

calcular a sua idade — a menos que nos seja indicada a data de seu nascimento, o

que até agora os Mestres se negam a fazer.

No final do volume III e IV daremos,

contudo, algumas referências cronológicas.

Devemos, por outro lado, ter presente que a lei da analogia se aplica

tanto aos mundos como ao homem; e que, assim como "o Uno [a Divindade] se

converte em Dois [o Deva ou Anjo], e o Dois em Três (o Homem)" etc., os Coágulos

(o material dos Mundos) se convertem em Vagabundos (Cometas), estes em

estrelas, e as estrelas (centros de vórtices) em nosso Sol e nossos planetas, em

resumo.

Tal é o ensinamento, que não se pode considerar tão anticientífico, uma vez

que Descartes também pensava que "os planetas giravam em seus eixos por terem

sido em outros tempos estrelas luminosas, centros de vórtices".

(b)    As obras exotéricas mencionam quatro graus de Iniciação,

conhecidos respectivamente pelas     seguintes   palavras   sânscritas: Srôtâpanna,

Sakridâgâmin, Anâgâmin e Arhat — denominações iguais às dos Quatro Caminhos

que levam ao Nirvana, em nossa presente Quarta Ronda.

O Arhat, embora possa

ver o passado, o presente e o futuro, não é ainda o mais alto dos Iniciados; pois o

próprio Adepto, o candidato iniciado, se torna um Chela (Discípulo) de um Iniciado

mais elevado.

Ainda tem o Arhat que conquistar três graus para chegar ao topo da

escala de Iniciação.

Há os que o alcançaram ainda em nossa Quinta Raça; mas as

faculdades que são necessárias para estes graus mais elevados só estarão

plenamente desenvolvidas, para o tipo geral de asceta, no fim desta Raça-Raiz e,

principalmente, na Sexta e na Sétima.

Sempre existirão, portanto, Iniciados e

Profanos até o fim deste Manvantara menor, o atual Ciclo de Vida.

Os Arhats da

"Névoa de Fogo" — os do último degrau — acham-se apenas a um passo da Raiz

Fundamental de sua Hierarquia, a mais elevada que existe na Terra e em nossa

Cadeia Terrestre.

Essa "Raiz Fundamental" tem um nome que não pode ser

traduzido em idioma ocidental senão por meio de várias palavras reunidas: o

"Banyan-Humano que vive sempre". Diz-se que este "Ser Maravilhoso" desceu de

uma "elevada região" durante a primeira parte da Terceira Idade, antes da

separação de sexos na Terceira Raça.

À Terceira Raça, coletivamente, se dá algumas vezes o nome de "Filhos

do Ioga Passivo", significando que ela foi produzida inconscientemente pela

Segunda Raça, a qual, carecendo de atividade intelectual, se supõe que vivia

sempre imersa naquela espécie de contemplação abstrata e vazia inerente às

condições do Ioga.

No primeiro período de existência da Terceira Raça — quando ainda em

estado de pureza —, os "Filhos da Sabedoria" (que se encarnaram nessa Raça,

conforme adiante veremos) criaram, pelo poder de Kriyâshkti, uma geração

denominada "Filhos de Ad" ou "da Névoa", "Filhos da Vontade e da Ioga" etc.

Tratava-se de uma progênie consciente, porque uma parcela da Raça já se achava

animada pela centelha divina de uma inteligência espiritual e superior.

Essa

progênie não constituía uma Raça.

O primeiro foi um Ser Maravilhoso, chamado "o

Iniciador", seguindo-se um grupo de Seres semi-humanos e semidivinos.

"Eleitos",

na gênese arcaica, para tarefas especiais, diz-se que neles se encarnaram os mais

elevados Dhyânis — "Munis e Rishis de Manvantaras anteriores" — para formar o

seminário de Adeptos humanos do futuro, sobre a Terra e durante o presente Ciclo.

Os "Filhos da Vontade e da Ioga", nascidos, por assim dizer, de uma forma

imaculada, estavam, segundo se explica, inteiramente à parte do resto da

humanidade.

,.,

O "Ser" a que acima nos referimos — e que deve permanecer inominado

— é a Arvore de que se ramificaram, nas eras subseqüentes, todos os grandes

Sábios e Hierofantes historicamente conhecidos: o Rishi Kapila, Hermes, Enoch,

Orfeu etc.

Como homem objetivo, é o misterioso personagem (sempre invisível aos

profanos, posto que sempre presente) de que tanto falam as lendas do Oriente, e

especialmente os Ocultistas e os estudantes da Ciência Sagrada.

Ele muda de

forma, e, não obstante, permanece sempre o mesmo.

E é ele quem possui a

autoridade espiritual sobre todos os Adeptos iniciados do mundo inteiro.

É, como já

dissemos, o "Inominado": muito embora sejam muitas as denominações que possui,

o seu nome e a sua natureza são desconhecidos.

É o "Iniciador", e o chamam a

"GRANDE VÍTIMA"; porque, sentado no Umbral da luz, ele a contempla do Círculo

de Trevas em que se encontra e que não quer transpor; e não deixará o seu posto

senão no último DIA deste Ciclo de Vida.

Por que permanece o Vigilante Solitário no

posto que escolheu? Por que continua sentado junto à divisa da Fonte da Sabedoria

Primordial, em que não precisa dessedentar-se, visto que nada tem a aprender, que

já não sabia, assim na Terra como no Céu? É porque os solitários Peregrinos, cujos

pés sangram em seu regresso à Pátria, jamais estão seguros, até o derradeiro

instante, de não errar o seu caminho neste deserto sem limites de ilusão e de

matéria, a Vida Terrestre.

É porque ele deseja mostrar, a cada um dos prisioneiros

que conseguiram libertar-se dos laços da carne e da ilusão, o caminho que conduz

àquela região de liberdade e de luz, da qual se exilou voluntariamente.

É porque, em

suma, ele se sacrificou pelo bem da humanidade, ainda que só um pequeno número

de eleitos possam aproveitar-se do GRANDE SACRIFÍCIO.

Foi sob a direção imediata e silenciosa dessa MAHA-GURU que todos os

outros Mestres e Instrutores menos divinos se constituíram, desde o primeiro

despertar da consciência humana, nos guias da humanidade primitiva.

Graças a

estes "Filhos de Deus", as raças humanas receberam, em sua infância, as primeiras

noções de arte, ciência e conhecimento espiritual; e foram eles que assentaram as

pedras fundamentais daquelas antigas civilizações, que tanto surpreendem e

confundem as modernas gerações de pesquisadores e de eruditos.

Aqueles que duvidarem desta afirmativa, que apresentem uma explicação

igualmente aceitável e racional do mistério do extraordinário saber demonstrado

pelos antigos, eles que, na opinião de alguns, eram os descendentes próximos de

selvagens inferiores, semelhantes a animais, os "homens das cavernas" da época

paleolítica.

Que leiam, por exemplo, obras como as de Vitrúvio Pólio, do século de

Augusto, sobre arquitetura, nas quais as regras de proporção eram as ensinadas

antigamente   durante   as   Iniciações    —    se   desejam   conhecer   essa   arte

verdadeiramente divina e compreender o profundo significado esotérico oculto em

cada regra e em cada lei de proporção.

Homem algum descendente de habitante

das cavernas paleolíticas teria sido capaz de desenvolver, por si só, uma ciência

semelhante, mesmo no decurso de miríades sem conta de anos consagrados ao

pensamento e à evolução intelectual.

Foram os discípulos daqueles Rishis e Devas

encarnados na Terceira Raça-Raiz que, de geração em geração, transmitiram seus

conhecimentos ao Egito e à Grécia, com a sua lei de proporção, atualmente perdida;

da mesma forma que os Iniciados da Quarta Raça, os Atlantes, os legaram aos

Ciclopes, os "Filhos dos Ciclos" ou "do Infinito", cujo nome passou às gerações

posteriores dos sacerdotes gnósticos.

"Graças à divina perfeição daquelas proporções

arquitetônicas, puderam os antigos construir essas maravilhas

dos séculos, os seus templos, pirâmides, santuários, criptas,

cromlechs, cairns, altares, demonstrando que possuíam

conhecimento de forças mecânicas ante as quais a arte

moderna não passa de um brinquedo de crianças; e a ciência

de hoje, referindo-se a essas obras, diz que parecem "o

trabalho de um gigante de cem mãos460".

É possível que os arquitetos modernos não se tenham descuidado

inteiramente das regras de que se trata; mas lhes acrescentaram em inovações

empíricas o bastante para destruir aquelas proporções exatas.

Foi Marco Vitrúvio

Pólio quem deu à posteridade as regras de construção dos templos gregos erigidos

aos deuses imortais; e os dez livros de Vitrúvio sobre arquitetura, de um autor que

afinal de contas era um Iniciado, só podem ser estudados esotericamente.

Os

Círculos Druídicos, os Dolmens, os Templos da índia, do Egito e da Grécia, as

Torres e as 127 cidades da Europa em que o Instituto de França reconheceu uma

"origem ciclópica", são todos obras de sacerdotes-arquitetos iniciados, descendentes

daqueles que foram em outro tempo instruídos pelos "Filhos de Deus" e chamados,

mui justamente, "Construtores". Eis o julgamento da posteridade sobre esses

descendentes:

"Não usavam argamassa, nem cimento; nem ferro,

nem aço, para cortar as pedras; e no entanto foram elas

trabalhadas com tal habilidade que em muitos pontos mal se

percebem as junturas — embora muitas dessas pedras, como

no Peru, tenham 38 pés de comprimento, 18 de largura e 6 de

Kenealy, Books of God, pág.

118.

espessura.

Nos muros da fortaleza de Cuzco há pedras ainda

maiores461."

E também:

"O poço de Siena, construído há 5.400 anos, quando

a região estava exatamente sob o trópico (o que se não verifica

hoje), o foi de tal forma que, ao meio-dia, no momento preciso

do solstício, todo o disco do Sol se refletia em sua superfície;

obra que a ciência conjugada de todos os astrônomos da

Europa não seria hoje capaz de levar a cabo462."

Apesar de estes assuntos só terem sido tocados ligeiramente em Ísis sem

Véu, não será demais recordar ao leitor o que ali dissemos463 a respeito de certa Ilha

Sagrada da Ásia Central, e indicar-lhe, para outras minúcias, o capítulo sobre "Os

Filhos de Deus e a Ilha Sagrada", no volume II, Estância IX. Contudo, algumas

explicações, ainda que fragmentárias, ajudarão o estudante a ter, desde já, um

vislumbre de percepção do mistério.

Para mostrar, com suficiente clareza, pelo menos um dos pormenores que

dizem respeito aos misteriosos "Filhos de Deus", mencionaremos que era destes

Brahmaputras que pretendiam descender os elevados Dvijas, os brâmanes iniciados

da antigüidade; enquanto que os brâmanes modernos querem fazer crer às castas

inferiores que eles saíram diretamente da boca de Brahmâ.

Tal é o ensinamento

esotérico; acrescentando-se ainda que, muito embora descendessem aqueles

(espiritualmente, é óbvio) dos "Filhos da Vontade e da Ioga", com o tempo se

Acosta, VI, 14.     Kenealy, IBID.

I, 587-

dividiram em sexos opostos, como o fizeram mais tarde seus próprios progenitores

criados pelo poder de "Kriyâshkti"; nada obstante, os seus degenerados

descendentes conservaram, até os nossos dias, o maior respeito e veneração para

com a função procriadora, que ainda encaram como uma cerimônia religiosa,

quando os povos mais civilizados a consideram um ato meramente animal.

Comparem-se, a este respeito, as idéias e as práticas ocidentais com as Instituições

de Manu no tocante às regras do Grihastha ou da vida conjugal.

O verdadeiro

brâmane é, portanto, "aquele cujos sete antepassados beberam o sumo da planta da

Lua (Soma)"; e é um "Trisuparna", porque compreendeu o segredo dos Vedas.

E, até hoje, sabem os brâmanes que, estando adormecida a inteligência

psíquica e física desta Raça durante os seus primórdios, e não se tendo ainda

desenvolvido a sua consciência, as concepções espirituais se achavam por completo

desligadas do ambiente físico; que o homem divino habitava em sua forma animal —

apesar de humana a aparência exterior; e que, se nele existia instinto, não havia a

consciência do "eu" para iluminar as trevas do Quinto Princípio latente.

Quando os

Senhores da Sabedoria, movidos pela lei da evolução, infundiram nele a centelha de

consciência, o primeiro sentimento que se manifestou foi o de solidariedade, de

unidade com os seus criadores espirituais.

Assim como os primeiros sentimentos do

filho se dirigem para a mãe que o amamenta, do mesmo modo as primeiras

aspirações da consciência despertada no homem primitivo se voltavam para aqueles

cuja substância ele sentia dentro de si mesmo, embora existissem à parte e

independentes dele.

Desse sentimento brotou a Devoção, que foi assim o primeiro e

principal motor da natureza humana, o único que é natural no coração do homem,

que lhe é inato e que se observa igualmente na criança e no filhote do animal.

Este

sentimento de aspiração instintiva e irresistível no homem primitivo foi descrito pela

pena de Carlyle em traços maravilhosos, que poderíamos dizer intuitivos:

"O grande coração antigo — como parece o de uma

criança em sua simplicidade, e o de um homem em sua

profunda e solene gravidade! O céu está sobre ele em qualquer

parte da terra aonde vá ou onde resida; e da terra faz para si

mesmo um templo místico, e de todas as coisas terrenas como

que um culto.

Visões de gloriosas criaturas resplandecem à luz

diuturna do sol; voejam ainda os anjos, levando mensagens de

Deus entre os homens... A maravilha e o encantamento

rodeiam o homem; ele vive em um ambiente de milagre464...

Uma grande lei de dever, tão elevada quanto estes dois

infinitos (o céu e o inferno), reduzindo e aniquilando tudo o

mais — era uma realidade, e ainda o é: só o invólucro pereceu;

a essência persiste através do tempo e da eternidade!"

Persiste, sem dúvida, e vive com toda a sua energia e poder indestrutível

no coração do Ariano asiático, oriundo diretamente da Terceira Raça, por seus

primeiros Filhos "nascidos da Mente", os frutos de Kriyâshakti.

À medida que os tempos se passaram, a casta sagrada dos Iniciados

produziu, se bem que raramente e de idade em idade, aquelas criaturas perfeitas:

seres à parte, interiormente; apesar de iguais, exteriormente, aos seus progenitores.

Na infância da Terceira Raça primitiva,

O que era natural aos olhos do homem primitivo passou a ser um milagre para nós; e o que para ele era um milagre nunca poderia ser expresso em nossa linguagem.

Past and Present, pág.

104 (1874).

Um ser de mais elevada estirpe

Faltava.

Que fosse então criado:

Consciente do próprio pensamento,

Inda maior pelo coração;

Feito para reinar, soberano,

Apto para os outros comandar.

Foi chamado à existência um veículo perfeito e adequado para a

encarnação de habitantes de esferas mais elevadas, que logo passaram a morar

nestas formas, nascidas da Vontade Espiritual e do poder natural e divino no

Homem.

Era um filho do espírito puro, mentalmente estreme de toda eiva de

elementos terrenos.

Só a sua constituição física pertencia ao tempo e à vida, pois

sua inteligência provinha diretamente do alto.

Era a Árvore Vivente da Sabedoria

Divina, sendo, portanto, comparável à "Árvore do Mundo" das lendas nórdicas, que

não podia secar e morrer antes que se travasse a última batalha da vida, embora as

suas raízes fossem continuamente trituradas pelo dragão Nidhogg.

Porque até o

primeiro e sagrado Filho de Kriyâshakti tinha o corpo corroído pelos dentes do

tempo; mas as raízes do seu interno permaneciam sempre fortes e inalteradas, pois

cresciam e se estendiam para o céu, e não sobre a terra.

Ele foi o Primeiro dos

Primeiros, e a semente de todos os demais.

Houve outros Filhos de Kriyâshakti,

produzidos por um segundo esforço espiritual; mas o primeiro continuou sendo até

hoje a Semente da Sabedoria Divina, o Uno e Supremo entre os terrestres "Filhos da

Sabedoria". Nada mais podemos dizer sobre este assunto, exceto que em todas as

épocas — sim, a nossa inclusive — têm existido grandes inteligências, que

apreenderam com exatidão o problema.

Mas, como chegou o nosso corpo físico ao estado de perfeição em que o

vemos agora? Através de milhões de anos de evolução, naturalmente; mas nunca

passando pela animalidade, como ensinam os materialistas.

Pois, como disse Carlyle:

"... A essência de nosso ser, o mistério do que em

nós se chama o "Eu" — oh! onde as palavras para o

exprimirem? — é um sopro do Céu; o Ser supremo que se

revela no homem.

Este corpo, estas faculdades, esta vida que

possuímos — não será tudo isto como que uma vestimenta

para Aquilo que não tem nome?"

O "sopro do Céu", ou melhor, o Sopro de Vida chamado Nephesh pela

Bíblia, está em cada animal, em cada molécula animada e em cada átomo mineral.

Mas nenhum destes seres ou coisas possui, como o homem, consciência de

natureza idêntica à daquele "Ser Supremo466", e nenhum possuí, em sua forma,

essa harmonia divina que existe no homem.

Já o dizia Novalis, e, depois dele,

ninguém o repetiu melhor do que Carlyle:

"Só há um templo no Universo, e é o Corpo do

Homem.

Nada é mais sagrado do que esta forma... Nós

tocamos o Céu quando pomos a mão sobre o corpo humano.

Soará isto como uma simples figura retórica; mas não o é. Se

Não há nação alguma no mundo em que o sentimento de devoção ou de misticismo religioso seja mais desenvolvido e mais ostensivo que no povo hindu.

Veja-se o que disse Max Müller em seus livros sobre essa característica nacional.

Tal sentimento é uma herança direta dos homens primitivos conscientes da Terceira Raça.

meditarmos bem, veremos que é um fato científico; a

expressão.

.. da verdade integral das coisas.

Somos o milagre

dos milagres, o grande Mistério inescrutável467..."

ESTÂNCIA VII

Os Progenitores do Homem na Terra

1. Observa o começo da Vida Uniforme senciente (a) Primeiro, o

Divino (b)468, o Um que procede do Espírito-Mãe469; depois, o Espiritual470 (c)471;

os Três provindos do Um (d), os Quatro do Um (e), e os Cinco (f) de que

procedem os Três, os Cinco e os Sete (g). São os Triplos e os Quádruplos em

sentido descendente; os Filhos nascidos da Mente do Primeiro Senhor472, os

Sete Radiantes473. São eles o mesmo que tu, eu, ele, ó Lanu! os que velam

sobre ti e tua mãe, Bhümi474.

(a) A Hierarquia dos Poderes Criadores divide-se esotericamente em Sete

(quatro e três) compreendidas nas Doze Grandes Ordens simbolizadas pelos doze

signos do Zodíaco.

Estas sete ordens da escala manifestada relacionam-se com os

sete planetas.

Todas se acham subdivididas em inumeráveis grupos de Seres

divinos espirituais, semi-espirituais e etéreos.

Lectures on Heroes.

Veículo.

Âtman.

Âtmâ-Buddhi, Alma Espiritual.

Tem relação com os princípios cósmicos.

E mais.

Avalokiteshvara     Construtores.

Os Sete Rishis criadores, agora relacionados com a constelação da Ursa Maior.

A Terra.

No Grande Quaternário — ou "os quatro corpos e as três faculdades"

(exotericamente) de Brahmâ, e o Panchâsya, os cinco Brahmâs ou os cinco Dhyâni

Buddhas, no sistema budista — há uma ligeira indicação das principais dessas

Hierarquias.

O grupo mais elevado compõe-se das Chamas Divinas, também

mencionadas como "Leões do Fogo" e "Leões da Vida", e cujo esoterismo está

configurado no signo zodiacal de Leo.

É o nucleus do Mundo Superior Divino.

São

os Sopros ígneos Sem Forma, idênticos, sob certo aspecto, à Tríade Sephirothal

superior, que os cabalistas situam no "Mundo-Arquétipo".

A mesma Hierarquia, com os mesmos números, se encontra no sistema

japonês, nos "Princípios" ensinados pelas seitas xintoístas e budistas.

Nesse

sistema, a Antropogênese precede a Cosmogênese, pois o Divino se submerge no

humano e, a meio caminho de sua descida na matéria, cria o Universo visível.

Os

personagens legendários, como observa reverentemente Omoie, "devem ser

considerados como a encarnação estereotipada da doutrina superior (secreta) e de

suas verdades sublimes". A exposição completa desse antigo sistema tomar-nos-ia

demasiado espaço; diremos, contudo, algumas palavras.

O que se segue é uma

espécie de quadro sinóptico e bastante resumido dessa Antropocosmogênese, em

que se observa com clareza até que ponto os povos mais distanciados repetem o

eco do mesmo ensinamento arcaico.

Quando tudo ainda era Caos (Kon-ton), três seres espirituais surgiram na

cena da futura criação: 1º) Ame no ani naka nushi no Kami, "o Divino Monarca do

Céu Central"; 2º) Taka mi onosubi no Kami, a "Progênie Exaltada, Imperial e Divina

do Céu e da Terra"; 3º) Kamu mi musubi no Kami, "a Progênie dos Deuses",

simplesmente.

Tais seres careciam de forma e de substância — a nossa Tríade Arûpa -,

pois nem a substância celeste nem a terrestre estavam ainda diferenciadas, e "a

essência das coisas não tinha sido formada".

(b) No Zohar — que, tal como agora se acha, compilado e reeditado por

Moisés de León, no século XIII, com o auxílio de gnósticos cristãos da Síria e da

Caldéia, e corrigido e revisto mais tarde por muitas mãos cristãs, só é um pouco

menos exotérico que a própria Bíblia — no Zohar, dizíamos aquele "Divino Veículo"

já não se apresenta como no Livro dos Números caldeu.

Verdade é que Ain-Soph, o

Nada Absoluto e Sem Limites, utiliza também a forma do Uno, o "Homem Celeste"

manifestado (a Causa Primeira), como sua Carruagem (em hebreu Mercabah, em

sânscrito Vahâna), para descer e manifestar-se no mundo dos fenômenos.

Mas os

cabalistas não esclarecem como pode o Absoluto servir-se do que quer que seja,

nem exercer algum atributo, visto que, como Absoluto, carece inteiramente de

atributos; não explicam tampouco o que realmente seja a Causa Primeira (o Logos

de Platão), a idéia original e eterna, que se manifesta por meio de Adão Kadmon, o

Segundo Logos, por assim dizer.

No Livro dos Números se explica que Ain (En ou Aiôr) é o único existente

por si mesmo, e, que o seu "Oceano", o Bythos dos gnósticos, chamado Propatôr,

não é senão periódico.

Este último é Brahmâ, como diferenciado de Brahman ou

Parabrahman.

É o Abismo, a Origem da Luz ou Propatôr, que é o Logos Não-

Manifestado ou a Idéia Abstrata, e não Ain-Soph, cujo Raio se serve de Adão

Kadmon ("macho e fêmea") ou o Logos Manifestado, o Universo objetivo, como de

uma carruagem, para que se possa manifestar.

Mas no Zohar lemos a seguinte

incongruência: "Sênior occultatus est, et absconditus; Microposopus manifestus est,

et non manifestus475".              É um sofisma, pois que o Microposopus, ou Microcosmo,

somente pode existir durante suas manifestações, sendo destruído durante os

Mahâpralayas.

A Kabalah de Rosenroth, em vez de guia, é freqüentemente origem

de confusão.

A Primeira Ordem é a Divina.

Como no sistema japonês, no egípcio e em

cada uma das antigas cosmogonias, nesta Chama Divina, que é o "Um", são acesos

os Três Grupos descendentes.

Tendo sua essência potencial no grupo superior, eles

aparecem, nesse momento, como Entidades distintas e separadas.

São chamados

as Virgens da Vida, a Grande Ilusão etc., e, coletivamente, a "estrela de seis

pontas". Esta última, em quase todas as religiões, é o símbolo do Logos como

primeira emanação.

Na Índia, é o signo de Vishnu, o Chakra ou Roda; e na Cabala,

o emblema do Tetragrammaton, "O de Quatro Letras", ou, metaforicamente, "os

Membros do Microposopo", que são dez e seis, respectivamente.

Os últimos cabalistas, e em especial os místicos cristãos, deturparam de

maneira lamentável este magnífico símbolo.

E o Microposopo — que, visto sob o

ângulo filosófico, é inteiramente distinto do Logos não manifestado e eterno, "uno

com o Pai" — acabou sendo, depois de séculos de sofismas e de paradoxos,

considerado como uno com Jehovah, o Deus único vivente (!), quando Jeová, afinal

de contas, não é mais que Binah, um Sephira feminino.

Nunca será demais insistir

neste ponto, para que o leitor o grave bem: os "Dez Membros" do "Homem Celeste"

são os dez Sephiroth, mas o primeiro "Homem Celeste" é o Espírito Não

Manifestado do Universo, não devendo jamais ser desvirtuado e confundido com o

Microposopo, a Face ou Aspecto Menor, o protótipo do homem no plano terrestre.

O

Roseroth, Líber Mysterii, IV, I.

Microposopo, como dissemos, é o Logos manifestado, e há muitos destes Logos.

Deles nos ocuparemos mais tarde.

A estrela de seis pontas relaciona-se com as seis Forças ou Poderes da

Natureza, com os seis planos, princípios etc.

etc., todos sintetizados pelo sétimo ou

ponto central da Estrela.

Todos, incluindo as Hierarquias superiores e inferiores, emanam da

Virgem Celeste, a Grande Mãe em todas as religiões, o Andrógino, o Sephira Adão

Kadmon.

Sephira é a Coroa, Kether, mas somente no princípio abstrato, como um x

matemático, a quantidade desconhecida.

No plano da Natureza diferenciada, ela é a

imagem feminina de Adão Kadmon, o primeiro Andrógino.

A Cabala ensina que o

Fiat Lux476 se refere à formação e à evolução dos Sephiroth, e não à luz como o

oposto das trevas.

Diz o Rabino Simeão:

"Oh! companheiros, companheiros! O homem, como

emanação, era ao mesmo tempo homem e mulher, Adão

Kadmon verdadeiramente, e este é o sentido das palavras

'Faça-se a Luz, e a Luz foi feita'. E é este o homem duplo477."

Em sua Unidade, a Luz Primordial é o mais elevado dos princípios, o

sétimo, Daiviprakriti, a Luz do Logos Não-Manifestado.

Mas, em sua diferenciação,

passa a ser Fohat ou os "Sete Filhos". O primeiro é simbolizado pelo ponto Central

no Triângulo Duplo; o segundo, pelo Hexágono, ou os "Seis Membros" do

Microposopo; e o sétimo é Malkuth, a "Esposa" dos cabalistas cristãos, ou a nossa

Terra.

Donde as expressões:

Gênesis, I.       Auszüge aus dem Zohar, págs.

13-15.

O primeiro depois do Um é o Fogo Divino; o

segundo, o Fogo com o Éter; o terceiro é composto de Fogo,

Éter e Água; o quarto, de Fogo, Éter, Água e Ar. O Um não se

ocupa dos Globos habitados pelo homem, mas das Esferas

internas e invisíveis.

O Primogênito é a VIDA, o Coração e o

Pulso do Universo; o Segundo é sua MENTE e Consciência.

Esses elementos: Fogo, Água etc., não são os nossos elementos

compostos; e aquela "Consciência" não tem nenhuma relação com a nossa.

A

consciência do "Um Manifestado", se não é absoluta, é ainda não condicionada.

Mahar, a Mente Universal, é a primeira produção do Brahmâ Criador, como também

a de Pradhâna, a Matéria não diferenciada.

(c) A Segunda Ordem de Seres Celestes, os do Fogo e do Éter, que

correspondem ao Espírito e à Alma, ou Âtmâ-Buddhi, e cujo nome é legião, ainda

carecem de forma, sendo, porém, mais distintamente "substanciais". Constituem a

primeira diferenciação na Evolução secundária ou "Criação", que é uma palavra

enganosa.

Como o nome indica, são os protótipos dos Jivas ou Mônadas que se

encarnam, sendo formados pelo Espírito Flamante da Vida.

Qual a luz pura do Sol, o

Raio passa através deles, que lhe proporcionam o seu veículo futuro, a Alma Divina,

Buddhi.

Acham-se diretamente relacionados com as Legiões do Mundo Superior de

nosso sistema.

Destas Unidades Duplas emanam as "Tríplices".

Na cosmogonia japonesa, quando no meio da massa caótica aparece um

núcleo em forma de ovo, que contém o germe potencial de toda a vida, é o Triplo

que se diferencia.

O princípio (Yo) masculino etéreo sobe, e o princípio feminino (In),

mais material e grosseiro, se precipita no universo da substância, processando-se

uma separação entre o celeste e o terrestre.

Deste, o feminino, a Mãe, nasce o

primeiro ser objetivo e rudimentar.

É etéreo, sem forma nem sexo; no entanto, é dele

e da Mãe que nascem os Sete Espíritos Divinos, dos quais emanarão as sete

"criações", exatamente do mesmo modo que, no Codex Nazar              æus, é de Karabtanos e da Mãe "Spirítus" que nascem os sete espíritos "mal dispostos"

(materiais). Seria por demais extenso darmos aqui os nomes japoneses; mas,

devidamente traduzidos, figuram na seguinte ordem:

1. O "Celibatário Invisível", que é o Logos Criador do "Pai" que não cria, ou a

potencialidade criadora deste último, manifestada.

2. O "Espírito (ou o Deus) dos Abismos sem raios (Caos)", que converte em

matéria diferenciada, ou material para mundos, e também no reino mineral.

3. O "Espírito do Reino Vegetal", da "Vegetação Abundante".

4. O "Espírito da Terra" e o "Espírito das Areias"; Seres de natureza dupla, a

primeira encerrando a potencialidade do elemento masculino, e a segunda a

do elemento feminino.

Estes dois elementos eram um, ainda inconscientes de

que fossem dois.

Em tal dualidade se continham: (a) Isu no gaino Kami, o Ser masculino,

obscuro e musculoso; (b) Eku hai no Kami, o Ser feminino, branco, mais fraco e

delicado.

Em seguida:

5. e 6. Os Espíritos andróginos ou de duplo sexo.

7. O Sétimo Espírito, o último emanado da Mãe, e que aparece como a primeira

forma divina e humana com características definidas de varão e mulher.

Foi a

sétima "criação", como nos Purânas, em que o homem é a sétima criação de

Brahmâ.

Estes Tsanagi-Tsanami desceram ao Universo pela Ponte Celeste, a Via

Láctea; a "Tsanagi, avistando em baixo uma caótica massa de nuvens e de água,

cravou no meio delas a sua lança coberta de pedras preciosas, e a terra seca

apareceu.

Então os dois se separaram para explorar Onokoro, o mundo-ilha

novamente criado". (Omoie.)

Tais são as fábulas exotéricas japonesas, a crosta que oculta a mesma

verdade contida na Doutrina Secreta.

(d) A Terceira Ordem corresponde a Âtmâ-Buddhi-Manas: Espírito, Alma

e Inteligência; é chamada a "Tríade".

(e) A Quarta Ordem é formada pelas Entidades substanciais.

É o grupo

mais elevado entre os Rûpas (Formas Atômicas). É o viveiro das Almas humanas,

conscientes e espirituais.

São chamados os "Jivas imortais" e constituem, por

intermédio da Ordem que lhes é inferior, o primeiro Grupo da primeira Legião

Setenária — o grande mistério do Ser humano consciente e intelectual.

Pois este

último é o campo em que jaz oculto, em sua privação478, o Germe que irá cair na

geração.

Este Germe converter-se-á na força espiritual que, na célula física, guia o

desenvolvimento do embrião e é a causa da transmissão das faculdades

Em potência, não manifestado.

hereditárias, e de todos os atributos inerentes ao homem.

Não quer isso dizer que o

Ocultismo ensine ou aceite a teoria darwinista da transmissão das faculdades

adquiridas.

Para os ocultistas, a evolução segue linhas inteiramente diferentes;

segundo o ensinamento esotérico, o físico evoluciona gradualmente do espiritual,

mental e psíquico.

Esta alma interna da célula física — o "plasma espiritual" que

domina o plasma germinal — é a chave que deve um dia abrir as portas daquela

terra incógnita do biologista, até agora considerada o obscuro mistério da

Embriologia.

É digno de nota que, se a química moderna rejeita, por supersticiosa, a

teoria do Ocultismo, e também da Religião, relativamente aos Seres substanciais e

invisíveis, chamados Anjos, Elementais, etc.

(sem naturalmente se deter na filosofia

dessas Entidades incorpóreas, ou sobre ela meditar), foi, não obstante,

inconscientemente obrigada, pela observação e pelas descobertas que se fizeram, a

reconhecer e adotar a mesma razão de progressão e de ordem na evolução dos

átomos químicos, ensinada pelo Ocultismo quanto aos seus Dhyânis e os seus

Átomos (sendo a analogia a sua lei primeira). Conforme há pouco vimos, o primeiro

Grupo dos Anjos Rûpa é quaternário, adicionando-se mais um elemento a cada

Ordem, em escala descendente.

Analogamente, são os átomos, de acordo com a

nomenclatura química, monoatômicos, diatômicos, triatômicos, tetratômicos etc., à

medida que vão descendo na escala.

Convém lembrar que o Fogo, a Água e o Ar do Ocultismo, ou os

chamados "Elementos da Criação Primária", não são os elementos compostos que

existem na terra, mas Elementos numênicos homogêneos: os Espíritos dos

elementos terrestres.

Vêm depois os Grupos ou Legiões Setenárias.

Se dispostos

em um diagrama, em linhas paralelas com os átomos, veremos que as naturezas

destes Seres correspondem, em sua escala de progressão decrescente, e de modo

matematicamente idêntico, quanto à analogia, aos elementos compostos.

É claro

que isto somente pode observar-se em diagramas organizados por ocultistas;

porque, se a escala de Seres Angélicos fosse colocada paralelamente à dos átomos

químicos da Ciência — desde o hipotético hélio ao urânio —, certamente que

haveria diferenças.

No Plano Astral, os últimos só encontram correspondentes nas

quatro ordens inferiores; os três princípios mais elevados do átomo, ou melhor, da

molécula ou elemento químico, são perceptíveis unicamente ao cilho do Dangma

iniciado.

Mas, se a química quisesse ir pelo caminho verdadeiro, teria que corrigir

seu esquema tabular, para dar-lhe consonância com o dos ocultistas — o que, sem

dúvida, se recusaria a fazer.

Na Filosofia Esotérica, cada partícula física depende de

seu correspondente número superior, o Ser a cuja essência pertence; e, em cima

como em baixo, o Espiritual evolve do Divino, o Psicomental do Espiritual — tingido

em seu plano inferior pelo astral —, seguindo toda a Natureza, a animada e a

inanimada (em aparência), o seu processo evolutivo em linhas paralelas, e retirando

o seus atributos tanto de cima como de baixo.

O número sete, aplicado ao termo Legião Setenária, referido acima, não

compreende somente Sete Entidades, mas também Sete Grupos ou Legiões, como

já explicamos.

O Grupo mais elevado, o dos Asuras nascidos do primeiro corpo de

Brahmâ, que se converteu em "Noite", é setenário; isto é, divide-se (como o dos

Pitris) em sete classes, das quais três são Arûpa (sem corpo), e quatro possuem

corpo479. São eles mais propriamente os nossos Pitris (Antepassados) que os Pitris

que projetaram o primeiro homem físico.

Veja-se Vishnu Purâna, livro I.

(f) A Quinta Ordem é sobremodo misteriosa, relacionada, que é, com o

Pentágono microcósmico, a estrela de cinco pontas, que representa o homem.

Na

índia e no Egito, estes Dhyânis estavam associados ao Crocodilo, e sua morada era

no Capricórnio.

Mas, na astrologia hindu, esses termos são transmutáveis; pois o

décimo signo do Zodíaco, que é chamado Makara, pode ser traduzido livremente por

"Crocodilo".   A palavra chega a ser interpretada de várias maneiras em Ocultismo,

como se verá mais adiante.

No Egito, o defunto — que tinha por símbolo o

pentagrama ou a estrela de cinco pontas (correspondentes aos membros do

homem) — era apresentado emblematicamente sob a aparência de um crocodilo,

em que se transformava.

Sebekh, ou Sevekh (o "Sétimo"), como diz Gerald Massey,

atribuindo-lhe o tipo da inteligência, é na realidade um dragão, e não um crocodilo.

É

o "Dragão da Sabedoria", ou Manas, a Alma Humana, a Mente, o Princípio

Inteligente, o Quinto Princípio em nossa Filosofia Esotérica.

No Livro dos Mortos ou Ritual, o defunto "osirificado", que aparece sob o

emblema de um Deus em forma de múmia com cabeça de crocodilo, assim fala:

"Eu sou o crocodilo que preside ao medo.

Eu sou o

Deus-Crocodilo que traz a sua Alma entre os homens.

Eu sou o

Deus-Crocodilo que veio para destruir."

É uma alusão à destruição da pureza espiritual e divina, quando o homem

adquire o conhecimento do bem e do mal, e também aos Deuses ou Anjos "caídos"

de todas as teogonias.

"Eu sou o peixe do grande Horus" (como Makara é o

"Crocodilo" ou veículo de Varuna). "Eu estou submergido em

Sekhem480."

A última frase corrobora e repete a doutrina do "Buddhismo" esotérico,

com aludir diretamente ao Quinto Princípio (Manas), ou melhor, à parte mais

espiritual de sua essência, que se submerge em Âtmâ-Buddhi, é por ele absorvida e

com ele se identifica após a morte do homem.

Pois Sekhem é a residência, ou Loka,

do deus Khem (Horus-Osíris ou Pai e Filho); daí o Devachan de Âtmâ-Buddhi.

No

Livro dos Mortos, vê-se o defunto entrar em Sekhem com Horus-Thot e "sair como

espírito puro". Diz o defunto:

"Eu vejo as formas de [mim mesmo com vários]

homens que se transformam eternamente... Eu conheço este

(capítulo). Aquele que o conhece... assume toda espécie de

formas viventes481."

E, dirigindo-se com uma fórmula mágica ao que no esoterismo egípcio se

chama "o coração ancestral", ou o princípio que reencarna, o Ego permanente, diz

mais o defunto:

"Oh! coração meu, meu coração ancestral, tu que és

necessário às minhas transformações... não te separes de mim

ante o guardião das balanças! Tu és a minha personalidade

Cap.

LXXXVIII.

Cap.

LXIV, 29,30.

dentro do meu peito, o divino companheiro que vela sobre as

minhas carnes (corpos)482."

É em Sekhem que está oculta a "Face Misteriosa", o homem real

subjacente à falsa personalidade, o crocodilo tríplice do Egito, o símbolo da Trindade

superior ou Tríade humana, Âtmâ, Buddhi e Manas.

Uma das explicações do verdadeiro significado oculto desse emblema

religioso egípcio descobre-se facilmente.

O crocodilo é o primeiro a esperar e

receber os raios ardentes do sol da manhã, e logo passou a personificar o calor

solar.

O surgir do sol era como a chegada na terra e entre os homens "da alma

divina que anima os Deuses". Daí aquele estranho simbolismo.

A múmia tomava a

cabeça de um crocodilo para mostrar que era uma Alma que chegava à terra.

Em todos os antigos papiros, é o crocodilo chamado Sebekh (Sétimo); a

água simboliza também, esotericamente, o quinto princípio; e, conforme já dissemos,

Gerald Massey demonstra que o crocodilo era considerado a "Sétima Alma, a Alma

suprema das sete, o Vidente invisível". Mesmo exoterkamente, Sekhem é a morada

do Deus Khem, e Khem é Hórus que vinga a morte de seu pai Osíris, e que,

portanto, castiga o homem pelos seus pecados quando ele se torna uma Alma

desencarnada.

Assim, o defunto "osirificado" converte-se no Deus Khem, que "ceifa

o campo de Aanroo", isto é, que colhe a sua recompensa ou o seu castigo; pois esse

campo é o sítio celeste (Devachan), onde o morto recebe o trigo, o alimento da

justiça divina.

Supõe-se que o Quinto Grupo dos Seres Celestes encerra em si os

duplos atributos dos aspectos espiritual e físico do Universo, os dois pólos por assim

dizer, de Mahat, a Inteligência Universal, e a natureza dual do homem, a espiritual e

Ibid., 34-35.

a física.

E é por isso que o seu número Cinco, duplicado e convertido em Dez, o

relaciona com Makara, o décimo signo do Zodíaco.

(g) A Sexta e a Sétima Ordens participam das qualidades inferiores do

Quaternário.

São Entidades conscientes e etéreas, tão invisíveis quanto o Éter;

como os ramos de uma árvore, elas brotam do primeiro Grupo central dos Quatro, e

por seu turno fazem brotar de si inúmeros Grupos secundários, dos quais os

inferiores são os Espíritos da Natureza, ou Elementais, de espécies e variedades

infinitas; desde os informes e insubstanciais — os Pensamentos ideais de seus

criadores — até os atômicos, organismos invisíveis à percepção humana.

Estes

últimos são considerados "os espíritos dos átomos", constituindo o primeiro degrau

que antecede o átomo físico (criaturas sencientes, se não inteligentes). Todos estão

sujeitos ao Carma, e devem esgotá-lo em cada ciclo.

Ensina a Doutrina Secreta que

não existem seres privilegiados no Universo, assim em nosso sistema como nos

outros, assim nos mundos externos como nos mundos internos483 — seres

privilegiados à maneira dos Anjos da religião ocidental ou dos judeus.

Um Dhyân

Chohan não surge ou nasce como tal, subitamente, no plano da existência, isto é,

como um Anjo plenamente desenvolvido; mas veio a ser o que é. A Hierarquia

Celeste do Manvantara atual ver-se-á transportada, no próximo ciclo de vida, a

Mundos superiores, e dará lugar a uma nova Hierarquia composta dos eleitos de

nossa humanidade.

A existência é um ciclo interminável no seio da Eternidade

Absoluta, em que se movem inúmeros ciclos internos, finitos e condicionados.

Deuses criados como tais não demonstrariam nenhum mérito pessoal em ser

Deuses.

Semelhante classe de Seres — perfeitos unicamente em virtude da

Um Mundo considera-se "Mundo Superior" não por causa de sua localização, mas por sua essência ou qualidade.

O profano, no entanto, entende esse Mundo como o "Céu", colocando-o por cima de nossas cabeças.

natureza imaculada e especial que lhes fosse inerente — em face de uma

humanidade que luta e sofre, e ainda das criaturas inferiores, seria o símbolo de

uma injustiça eterna de caráter inteiramente satânico, um crime para todo o sempre

presente.

Uma anomalia e uma impossibilidade na Natureza.

Portanto, devem os

"Quatro" e os "Três" encarnar-se como todos os demais seres.

Por outra parte, este Sexto Grupo é quase inseparável do homem, que

dele retira todos os seus princípios, exceto o mais elevado e o inferior, ou seja, o seu

espírito e o seu corpo: os cinco princípios humanos do meio constituem a própria

essência dos Dhyânis.

Paracelso dá-lhes o nome de Flag     æ; os cristãos, o de Anjos da Guarda; os ocultistas, o de Pitris (Antepassados). São os Dhyân Chohans

Sêxtuplos, que possuem na composição de seus corpos os seis Elementos

espirituais; são, portanto, idênticos ao homem, menos o corpo físico.

Só o Raio Divino, Âtman, provém diretamente do Uno.

Perguntar-se-á:

como pode ser? Como é possível conceber que estes "Deuses" sejam, ao mesmo

tempo, suas próprias emanações e seus "Eus" pessoais? Será em sentido idêntico

ao do mundo material, em que o filho é (de certo modo) o próprio pai, visto ser o seu

sangue, o osso de seus ossos e a carne de sua carne? A isso respondem os

Mestres: Em verdade, assim é. Mas só depois de penetrar no âmago do mistério do

Ser é que se pode ter a perfeita compreensão desta verdade.

2. O Raio Único multiplica os Raios menores.

A vida precede a

Forma, e a Vida sobrevive ao último átomo484. Através dos Raios inumeráveis,

Da forma, o Sthûla Charira ou Corpo Externo.

o Raio da Vida, o Um, semelhante ao Fio que passa através de muitas

contas485.

Este Sloka exprime o conceito — puramente vedantino, conforme já

explicamos alhures — de um Fio de Vida, Sûtrâtmâ, passando através de

sucessivas gerações.

Como explicar? Recorrendo a uma comparação, a um

exemplo familiar, ainda que necessariamente imperfeito, como todas as analogias de

que dispomos.

Antes de fazê-lo, porém, indagaremos se há quem tenha por

antinatural, ou ainda por sobrenatural, o processo de crescimento e de

transformação do feto até que se torne uma criança sadia, com várias libras de peso.

De que se desenvolve ela? Da segmentação de um óvulo infinitamente pequeno e

de um espermatozóide! Vemos em seguida que a criança cresce até ser um homem

de cinco a seis pés de altura! O mesmo se dá com a expansão atômica e física do

microscopicamente pequeno em algo de grandes proporções; do invisível à vista

desarmada no que é visível e objetivo.

A Ciência tem resposta para tudo isso, e

acreditamos que sejam suficientemente corretas as suas teorias embriológicas,

biológicas e fisiológicas, tanto quanto o possa confirmar a exata observação dos

fatos.

Entretanto, as duas principais dificuldades da ciência embriológica, a saber:

quais são as forças que atuam na formação do feto, e qual é a causa da

"transmissão hereditária" das semelhanças física, moral ou mental, nunca foram

resolvidas de maneira satisfatória; e jamais o serão até o dia em que os cientistas se

dignarem de aceitar as teorias ocultas.

Mas, se aquele fenômeno físico a ninguém

causa espanto — embora intrigue os embriólogos —, por que haveria de considerar-

Pérolas, no manuscrito de 1886.

se ou de parecer mais impossível o nosso desenvolvimento intelectual e interno, a

evolução do Humano-Espiritual no Divino-Espiritual?

Mal avisados estariam os materialistas e os evolucionistas da escola de

Darwin se aceitassem as novas teorias do Professor Weissmann, autor de Beiträge

zur Descendenzlehre, no tocante a um dos mistérios da embriologia que acabamos

de mencionar, e que ele supõe ter resolvido.

Ora, quando for encontrada a solução

exata, terá a Ciência entrado no verdadeiro domínio do Oculto, saindo para sempre

da região do transformismo, tal como ensinado por Darwin.

As duas teorias são

inconciliáveis, do ponto de vista do materialismo.

Considerada, porém, do ponto de

vista do Ocultismo, a nova teoria soluciona todos aqueles mistérios.

Os que não estão a par das descobertas do Professor Weissmann — que

já foi um dos mais entusiastas darwinistas — devem ler as suas obras.

O filósofo e

embriólogo alemão — passando sobre as opiniões de Hipócrates e Aristóteles, e

seguindo em linha reta até os ensinamentos dos antigos arianos — mostra como

uma célula infinitesimal, entre um milhão de outras, trabalha pela formação de um

organismo, determinando por si só, e sem nenhum auxílio, pela segmentação e

multiplicação constante, a imagem correta do futuro homem ou animal, com as suas

características físicas, mentais e psíquicas.

É essa célula que imprime, na fisionomia

e na forma do novo indivíduo, os traços dos pais ou de algum ante.-passado

distante; é também essa célula que transmite as idiossincrasias intelectuais e

mentais dos pais, e assim sucessivamente.

Semelhante plasma é a parte imortal do

nosso corpo, desenvolvendo-se por um processo de assimilações sucessivas.

A

teoria de Darwin, que considera a célula embriológica como a essência ou o extrato

de todas as demais células, foi posta de lado, por incapaz de explicar as

transmissões hereditárias.

Só há duas maneiras de esclarecer o mistério da

hereditariedade: ou a célula germinal é dotada da faculdade de atravessar todo o

ciclo de transformações que conduz à elaboração de um organismo separado, e

depois à reprodução de células germinais idênticas; ou estas células germinais não

têm, de modo algum, sua gênese no corpo do indivíduo, mas procedem diretamente

da célula germinal hereditária, transmitida de pai a filho através de muitas gerações.

Foi esta última hipótese a admitida por Weissmann, e em que baseou os seus

trabalhos, sustentando que tal célula representa a parte imortal do homem.

Até aí,

muito bem: mas, uma vez aceita essa teoria — que é quase correta —, como

explicarão os biologistas o primeiro aparecimento daquela célula eterna? A não ser

que o "homem" cresça à semelhança do imortal "Topsy" e não tenha nascido, mas

caído das nuvens, como terá surgido nele aquela célula embriológica?

Completai o Plasma Físico a que nos vimos referindo, a "Célula Germinal"

do homem inclusive todas as suas potencialidades, com o "Plasma Espiritual",

digamos assim, ou o fluido que contém os cinco princípios inferiores do Dhyâni de

Seis Princípios, e tereis em vossas mãos o segredo, se fordes bastante espiritual

para compreendê-lo.

Vejamos agora a comparação prometida.

Quando a semente do homem é lançada no terreno

fértil da mulher animal, não poderá germinar se não tiver sido

frutificada pelas cinco virtudes [o fluido ou emanação dos

princípios] do Homem Sêxtuplo Celeste.

Esta ê a razão por que

Microcosmo ê representado como um Pentágono dentro do

Hexágono em forma de estrela, o Macrocosmo486.

Ανθρωποζ, uma obra sobre Embriologia oculta, livro I.                                             As funções de Jiva sobre a terra são de caráter

quíntuplo.

No átomo mineral está ele relacionado com os

princípios inferiores dos Espíritos da Terra [os Sêxtuplos

Dhyânis]; na célula vegetal, com o segundo dos mesmos

princípios, Prâna [a Vida]; no animal, com os princípios

anteriores mais o terceiro e o quarto; no homem, deve o germe

receber a frutificação de todos os cinco, pois sem isso ele não

nascerá superior ao animal487.

Assim, é só no homem que o Jiva está completo.

Quanto ao seu sétimo

princípio, não é senão um dos Raios do Sol Universal.

Toda criatura racional recebe

como empréstimo temporário aquilo que deve um dia retornar à sua fonte.

O corpo

físico, esse é formado pelas Vidas terrestres inferiores, através da evolução física,

química e fisiológica.

"Os Bem-aventurados nada têm a ver com as depurações da

matéria" — diz a Cabala no Livro dos Números caldeu.

Importa isso em dizer: A Humanidade, em sua primeira forma prototípica e

de sombra, é uma criação dos Elohim de Vida ou Pitris; em seu aspecto qualitativo e

físico, é a progênie direta dos "Antepassados", os Dhyânis inferiores ou Espíritos da

Terra; e deve sua natureza moral, psíquica e espiritual a um grupo de Seres divinos,

cujo nome e características serão dados nos volumes III e IV. Os homens,

coletivamente,         representam          o   trabalho   de   Legiões   de   espíritos   vários;

distributivamente, são os Tabernáculos dessas legiões; em caráter ocasional e

individualmente, são os veículos de alguns desses Espíritos.

Em nossa Quinta

Raça atual, tão materializada, o Espírito terreno da Quarta Raça tem ainda uma

Isto é, será um idiota de nascença.

grande influência; mas já nos aproximamos dos tempos em que o pêndulo da

evolução se inclinará para cima, reconduzindo a humanidade ao nível espiritual da

primitiva Terceira Raça-Raiz.

Durante a sua infância, a humanidade se compunha

inteiramente daquela Legião Angélica — os Espíritos que habitavam e animavam os

monstruosos tabernáculos de barro da Quarta Raça, construídos e constituídos por

milhões e milhões de Vidas, como também o são agora os nossos corpos.

Daremos

depois a explicação, ainda neste Comentário.

A ciência, percebendo vagamente a verdade, pode encontrar bactérias e

outros seres microscópicos no corpo humano, não vendo neles senão visitantes

acidentais e anormais, aos quais se atribuem as enfermidades.

O Ocultismo, que

descobre uma Vida em cada átomo ou molécula, seja no corpo humano, seja no

mineral, no ar, no fogo e na água, afirma que todo o nosso corpo é composto destas

Vidas, e que, comparada a elas, a mais diminuta das bactérias visíveis ao

microscópio é tão grande como o elefante ao lado do menor dos infusórios.

Os "tabernáculos" aperfeiçoaram-se em contextura e em simetria da

forma, crescendo e desenvolvendo-se com o Globo em que se acham; mas o

progresso físico se fez a expensas do Homem Interno Espiritual e da Natureza.

Os

três princípios intermédios, na terra e no homem, se tornaram cada vez mais

materiais com a sucessão das Raças, e a Alma retraiu-se para dar lugar à

Inteligência Física; convertendo-se a essência dos Elementos nos elementos

materiais e compostos que hoje conhecemos.

O Homem não é, nem poderia ser, o produto completo do "Senhor Deus";

mas é o filho dos Elohim, tão arbitrariamente transpostos para o número singular e o

gênero masculino.

Os primeiros Dhyânis, que receberam a missão de "criar" o

homem à sua imagem, podiam tão somente projetar as próprias sombras a fim de

que, como em um modelo delicado, sobre elas trabalhassem os Espíritos da

Natureza.

O homem é, sem dúvida alguma, formado fisicamente pelo barro da Terra;

mas os seus criadores e construtores foram muitos.

Tampouco se pode dizer que "o

Senhor Deus insuflou em suas narinas o Sopro da Vida", a menos que se identifique

Deus com a "Vida Una", onipresente, embora invisível; e a menos que se atribua a

"Deus" a mesma operação para cada "Alma Vivente" — sendo esta a Alma Vital

(Nephesh), e não o Espírito Divino (Ruach), que só ao homem confere o grau divino

da imortalidade, não alcançável por nenhum animal, enquanto animal, neste ciclo de

encarnação.

A confusão do "Sopro da Vida" com o "Espírito" imortal deve-se à

impropriedade das expressões usadas pelos judeus e, ainda agora, pelos nossos

metafísicos ocidentais, incapazes de compreender e, conseqüentemente, de admitir

mais que um homem trino e uno: Espírito, Alma e Corpo.

A mesma coisa se dá com

os teólogos protestantes, que, ao traduzir certo versículo do Quarto Evangelho488,

lhe desvirtuaram por completo o significado.

Diz a tradução errônea: "o vento sopra

onde ele quer", em vez de "o espírito vai aonde ele quer", como está no original e

também na tradução da Igreja grega oriental.

O erudito e filosófico autor de New Aspect of Life procura incutir em seus

leitores que ó Nepesh Chiah (Alma Vivente), segundo os hebreus,

"Proveio ou foi produzido pela infusão do Espírito ou

Sopro de Vida no corpo do homem em desenvolvimento, e

tomou o lugar do Espírito no Eu assim constituído; de modo

que o Espírito se perdeu e desapareceu na Alma Vivente."

João, III, 8.

Entende o mesmo autor que se deve considerar o corpo humano como

uma matriz, na qual e da qual a Alma — que ele parece colocar acima do Espírito —

se desenvolve.

Considerada funcionalmente, e do ponto de vista da atividade, é

inegável que a Alma está situada mais alto que o Espírito, neste mundo finito e

condicionado de Mâyâ.

A Alma — diz ele — "é produzida em último lugar, do corpo

animado do homem". O autor, simplesmente, identifica o "Espírito" (Âtmâ) com o

"Sopro de Vida". Os ocultistas orientais não estarão de acordo com essa opinião,

que se funda no errôneo conceito de que Prâna e Âtmâ (ou Jivâtmâ) são uma só e

mesma coisa.

O autor apóia o argumento mostrando que, para os antigos hebreus,

gregos e mesmo latinos, Ruach, Pneuma e Spiritus significavam Vento — sendo

certo que assim era para os judeus, e provável que também o fosse para os gregos

e romanos, existindo uma relação suspicaz entre a palavra grega anemos (vento) e

a latina animus (alma).

Tudo isso assenta numa sutileza de raciocínio; mas é difícil encontrar um

campo de batalha adequado para decidir a questão, pois, segundo parece, o Dr.

Pratt é um metafísico prático, uma espécie de cabalista positivista, ao passo que os

metafísicos orientais, especialmente os vedantinos, são todos idealistas.

Os

ocultistas pertencem também à escola vedantina puramente esotérica; e, muito

embora designem a Vida Una (Parabrahman) como o Grande Sopro e o Torvelinho,

separam da matéria, por completo, o sétimo princípio, negando que tenha relação ou

conexão com ela.

Assim, reina uma confusão quase inextricável na filosofia das relações

entre o lado psíquico, espiritual e mental do homem e as suas funções físicas.

Melhor compreensão não se observa na atualidade quanto à antiga psicologia ária

ou à egípcia; e é impossível que sejam assimiladas sem que se aceite o setenário

esotérico ou, pelo menos, a divisão quinaria vedantina dos princípios humanos

internos.

Sem isso, nunca se poderão compreender as relações metafísicas e as

puramente psíquicas — e mesmo as fisiológicas — entre os Dhyân Chohans ou

Anjos, em um plano, e a humanidade, em outro.

Nenhuma obra esotérica oriental

(ariana) foi até agora publicada; mas possuímos os papiros egípcios, que falam

claramente dos sete princípios ou das "Sete Almas do Homem". O Livro dos Mortos

dá uma lista completa das "transformações" por que passa cada Defunto quando se

vai despindo, um por um, de todos aqueles princípios (materializados, para maior

clareza, em entidades ou corpos etéreos). É preciso lembrar, a quantos pretendem

provar que os antigos egípcios não ensinavam a Reencarnação, que a "Alma" (o

Ego ou Eu) do Defunto, segundo aquele livro, passa a viver na Eternidade; que é

imortal, "coetânea da Barca Solar", ou seja, do Ciclo da Necessidade,

desaparecendo com ela.

Essa "Alma" surge do Tiaou, o Reino da Causa da Vida, e

se une com os vivos na Terra, durante o dia, para regressar toda noite ao Tiaou.

Aí

estão expressas as existências periódicas do Ego489.

A sombra, a Forma astral é aniquilada, "devorada pelo Urs   æus " ; os Manes serão aniquilados; os dois Gêmeos (o Quarto e o Quinto Princípios) serão

dispersados; mas a Alma-Pássaro, "a Andorinha Divina e o Ur       æus de Chama" (Manas e Âtmâ-Buddhi) viverão na Eternidade, porque são os maridos de sua mãe.

Outra analogia significativa entre o esoterismo ário ou bramânico e o

egípcio é que o primeiro chama "Antepassados Lunares" do homem aos Pitris, e os

egípcios faziam do Deus-Lua, Tath-Esmun, o primeiro antecessor humano.

Cap.

CXLVIII       Cap.

CXLIX,

Este Deus-Lua "exprimia os Sete poderes da

natureza, que lhe eram anteriores e nele estavam sintetizados

como as suas sete almas, que ele, como o Oitavo,

exteriorizava.

(Daí a oitava esfera)... Os sete raios do Heptakis

caldeu, ou Iao,... sobre as pedras gnósticas, indicam o mesmo

setenário de almas... Via-se a primeira forma do místico Sete

figurada no céu pelas sete grandes estrelas da Ursa Maior, a

constelação consagrada pelos egípcios à Mãe do Tempo e dos

sete Poderes Elementais491".

Como o sabe perfeitamente todo hindu, essa mesma constelação

representa na índia os Sete Rishis, sendo chamada Riksha e Chitrashikandin.

O semelhante só produz o semelhante.

A Terra dá ao Homem o seu

corpo; os Deuses (Dhyânis) lhe dão os seus cinco princípios internos, a sobra

psíquica, da qual aqueles Deuses são, com freqüência, o princípio animador.

O

Espírito (Âtman) é uno e inseparável.

Não está no Tiaou.

Mas, que é o Tiaou? As constantes alusões ao Tiaou no Livro dos Mortos

encerram um mistério.

Tiaou é o caminho do Sol noturno, o hemisfério inferior ou a

região infernal dos egípcios, que estes situavam no lado oculto da lua.

No

Esoterismo deles, o ser humano saía da Lua (um tríplice mistério, astronômico,

fisiológico e psíquico, a um só tempo), atravessava todo o ciclo da existência, e

voltava depois ao lugar de seu nascimento, para dele sair outra vez.

Via-se, por isso,

o Defunto chegando ao Ocidente, sendo julgado perante Osíris, ressuscitando como

o Deus Hórus e descrevendo círculos em torno dos céus siderais, o que é uma

The Seven Souls of Man, pág.

2, conferência de Gerald Massey.

assimilação alegórica a Ra, o Sol; atravessando o Nut, o Abismo Celeste, e voltando

mais uma vez a Tiaou — à semelhança de Osíris, que, como Deus da vida e da

reprodução, reside na Lua.

Plutarco492 apresenta os egípcios celebrando uma festa

denominada "O Ingresso de Osíris na Lua". No Ritual493' é prometida a vida depois

da morte; e a renovação da vida é posta sob a proteção de Osíris-Lanu, porque a

Lua era o símbolo da renovação da vida ou reencarnação, por causa de suas fases

de crescente, minguante, desaparecimento e ressurgimento em cada mês.

Está dito

no Dankmoe494: "Oh! Osíris-Lunus! tu que refazes a tua primavera!" E Sabekh diz a

Seti I495: "Tu te renovas a ti mesmo, como o Deus Lunus quando era criança." Vê-se

ainda mais claramente em um papiro do Louvre496: "Acasalamentos e concepções

abundam quando ele (Osíris-Lunus) é visto nesse dia, nos céus." Diz Osíris: "Oh!

raio único e resplandecente da Lua! Eu saio das multidões (de estrelas) que giram

em círculos.... Abre-me o Tisou, por Osíris N. Eu sairei de dia para a tarefa que

tenho de fazer entre os vivos497", ou seja, para dar lugar a concepções.

Osíris era "Deus manifestado na geração", pois conheciam os antigos

muito mais que os modernos as verdadeiras influências ocultas do disco lunar sobre

os mistérios da concepção.

Nos sistemas mais antigos a Lua figura sempre com

gênero masculino.

O Soma dos hindus, por exemplo, é uma espécie de Don Juan

sideral, um "Rei" e o pai, ainda que ilegítimo, de Buddha — a Sabedoria.

Isto se

refere ao Conhecimento Oculto, à sabedoria adquirida mediante um completo

conhecimento dos mistérios lunares, inclusive os da geração sexual.

E

posteriormente, quando a Lua foi associada com as deusas femininas — Diana, Ísis,

De Isidi et Osiride, XLIII.

Cap.

XLI.

IV, 5.     Abydos, de Mariette, lâmina 51.     P.Pierret, Études Egyptologiques.

Ritual, cap.

II.

Artemisa, Juno etc.

—, esta conexão também se fundava em um conhecimento

completo da fisiologia e da natureza feminina, tanto física como psíquica.

Se, nas escolas dominicais, em vez de inúteis lições da Bíblia se

ensinasse astrologia — pelo menos a parte referente às propriedades ocultas da Lua

em suas influências sobre a geração — às multidões de pobres e famintos, então

não haveria muito que temer quanto ao crescimento excessivo da população, nem

se precisaria recorrer à discutível literatura malthusiana.

Porque é a Lua com suas

conjunções que regula as concepções — todo astrólogo da índia sabe disso.

Durante as Raças anteriores, e até o começo da atual, os que se permitiam relações

conjugais em certas fases lunares, que as tornavam estéreis, eram considerados

feiticeiros e pecadores.

Mas esses pecados da antigüidade, originados pelo abuso

do conhecimento oculto, seriam ainda preferíveis aos crimes que se praticam em

nossos dias, decorrentes da completa ignorância de tais influências.

Primeiro que tudo, o Sol e a Lua eram as únicas divindades visíveis e (por

seus efeitos tangíveis, por assim dizer) psíquicas e fisiológicas — o Pai e o Filho —,

ao passo que o Espaço ou o Ar em geral, ou aquela extensão dos Céus que os

egípcios chamavam Nut, era o Espírito oculto ou o Sopro dos dois.

O Pai e o Filho

se alternavam em suas funções, e operavam juntos harmonicamente em suas

influências sobre a natureza terrestre e a humanidade; sendo por isso considerados

como um, embora fossem dois como Entidades personificadas.

Ambos eram

masculinos, e ambos exerciam funções distintas, mas complementares entre si, na

causa geradora da humanidade..

Tudo isso eram aspectos astronômicos e cósmicos, considerados e

expressos em linguagem simbólica, passando a teológicos e dogmáticos em nossas

últimas raças.

Mas, por trás desse véu de símbolos cósmicos e astrológicos, estavam os

mistérios ocultos da antropografia e da gênese primordial do homem.

A esse

respeito, nenhum conhecimento de simbologia, nem mesmo o da chave da

linguagem simbólica pós-diluviana dos judeus, pode servir-nos de auxílio, salvo no

tocante ao que foi exposto nas escrituras nacionais para usos exotéricos e que,

apesar de velado com muita habilidade, não representa senão uma parcela mínima

da história real e primitiva de cada povo, referindo-se muitas vezes, como nas

escrituras dos hebreus, só à vida humana terrestre da nação, e não à sua vida

divina.

O elemento psíquico e espiritual pertencia aos mistérios e à iniciação.

Havia

coisas que jamais eram escritas em papiros ou pergaminhos, mas gravadas em

rochas e nas criptas subterrâneas, como na Ásia Central.

Entretanto, houve um tempo em que o mundo inteiro possuía "uma só

língua e um só conhecimento", e o homem sabia então mais do que hoje acerca de

sua origem; sabia que o Sol e a Lua, por mais importante que fosse o papel que

exerceram na constituição, crescimento e evolução do corpo humano, não foram os

agentes diretos que o fizeram aparecer sobre a Terra.

A verdade é que tais agentes

são os Poderes vivos e inteligentes que os ocultistas chamam Dhyân Chohans.

A propósito, um ilustre admirador do Esoterismo judaico noz diz que:

"A Kabbalah reza expressamente que Elohim é uma

'abstração geral', o que em matemática chamamos 'um

coeficiente constante' ou uma 'função geral', não particular,

que entra em toda construção; ou seja, a razão geral de 1 a

31415, os números Elohísticos (e astros-Dhyânicos)."

A isso responde o ocultista oriental: Conforme; é uma abstração para os

nossos sentidos físicos.

Mas, para nossas percepções espirituais, e para nossa

visão espiritual interna, o Elohim ou Dhyânis não são mais abstrações que a nossa

alma e o nosso espírito.

Rejeitar um é rejeitar o outro, pois o que constitui em nós a

Entidade que sobrevive é, em parte, a emanação direta daquelas Entidades

celestes, e, em parte, também elas próprias.

Uma coisa é certa: os judeus

conheciam perfeitamente a feitiçaria e diversas forças maléficas; mas, com exceção

de alguns de seus grandes profetas e videntes, como Daniel e Ezequiel —

pertencendo Enoch a uma raça muito anterior e não a uma nação particular, senão a

todas, como um caráter genérico —, sabiam muito pouco do Ocultismo realmente

divino, nem dele queriam ocupar-se; o seu caráter nacional opunha-se a tudo o que

se não relacionasse diretamente com os seus interesses étnicos de tribo e

individuais, do que dão testemunho seus próprios profetas e as maldições que

proferiam contra as raças "que não dobravam a cerviz". Mas a Cabala ainda mostra

claramente a relação direta que existe entre os Sephiroth, ou Elohim, e os homens.

Isto posto, quando nos for demonstrado que a identificação cabalística de

Jehovah com Binah, um Sephira feminino, encerra outro significado sub-oculto,

então, e só então, poderemos os ocultistas conferir a palma da perfeição aos

cabalistas.

Até lá, sustentaremos que Jehovah, no sentido abstrato de "um Deus

vivo", é um número simples, uma ficção metafísica, não passando a realidade senão

quando posto em seu verdadeiro lugar como emanação e como Sephira, e temos o

direito de afirmar que o Zohar, pelo menos segundo o testemunho do próprio Livro

dos Números, expressava em sua origem, antes que os cabalistas cristãos o

desfigurassem, e expressa ainda, doutrina idêntica à nossa, a saber: que o Homem

provém, não de um Homem Celeste único, mas de um Grupo Setenário de Homens

Celestes ou Anjos.

Igual ensinamento se encontra em Pimandro, o Pensamento

Divino.

3. Quando o Um se converte em Dois, aparece o Triplo (a), e os

Três498 são Um; é o nosso Fio, ó Lanu! o Coração do Homem-Planta, chamado

Saptaparma (b).

(a) "Quando o Um se converte em Dois, o Triplo aparece"; isto é, quando

o Um Eterno deixa cair o seu reflexo na região da Manifestação, este reflexo, o Raio,

diferencia a Água do Espaço; ou, usando as palavras do Livro dos Mortos: "O Caos

cessa ao influxo do Raio Fulgente de Luz Primordial, que dissipa toda a escuridão

com o auxílio do grande poder mágico do Verbo do Sol (Central)." O Caos torna-se

andrógino; a Água é incubada pela Luz, e o Ser Trino dela exsurge como o

"Primogênito". "Ra (Osíris-Ptah) cria seus próprios membros (à semelhança de

Brahmâ), criando os Deuses destinados a personificar suas fases" durante o

Ciclo499. O Ra egípcio, saindo do Abismo, é a Alma Divina Universal em seu aspecto

manifestado, e o mesmo é Nârâyana, o Purusha "que está oculto no Âkâsha e

presente no Éter".

Tal é a explicação metafísica, e ela se reporta ao princípio mesmo da

Evolução, ou, mais propriamente, da Teogonia.

O significado da Estância,

considerada de outro ponto de vista, em suas relações com o mistério do homem e

sua origem, é ainda mais difícil de compreender.

A fim de formar um conceito claro

do que significa o Um converter-se em Dois e em seguida transformar-se em Triplo,

é preciso que o estudante, antes de mais nada, se inteire perfeitamente do que

Unidos entre si.       Op. cit., XVII, pág.

4.

entendemos pelo nome de Rondas.

Se ler o Esoteric Buddhism — que foi o primeiro

ensaio de um esboço aproximado da Cosmogonia arcaica — verá que Ronda é a

evolução em série da Natureza material nascente, nos sete Globos de nossa

Cadeia500, com seus reinos mineral, vegetal e animal (incluído o homem neste último

e à sua frente), durante o período completo de um Ciclo de Vida, chamado pelos

brâmanes um "Dia de Brahmâ". Corresponde, em resumo, a uma revolução da

"Roda" (nossa Cadeia Planetária), a qual se compõe de sete Globos ou sete

"Rodas" separadas (empregada agora a palavra em outro sentido). Quando a

evolução desceu, na matéria, do Globo A ao. Globo G ou Z, uma Ronda se

completou.

Na metade da Quarta revolução, ou seja, de nossa Ronda atual, "a

evolução atingiu o ponto culminante de seu desenvolvimento físico, coroando sua

obra com o homem físico perfeito, e daí em diante inicia a volta para o espírito". Não

se faz mister insistir neste ponto, que já foi bem explicado no Esoteric Buddhism.

O

que não ficou suficientemente esclarecido, dando ensejo a vários mal-entendidos, foi

a origem do homem; estamos agora em condições de trazer um pouco mais de luz

sobre essa questão, o bastante, pelo menos, para tornar mais compreensível a

Estância, pois o assunto somente terá explicação completa na ocasião própria —

nos volumes III e IV.

Vários críticos hostis pretenderam provar que a nossa primeira obra Ísis sem Véu, não aludiu nem aos Sete Princípios do homem, nem à constituição setenária de nossa Cadeia.

Muito embora naquele livro só pudéssemos fazer uma breve indicação da doutrina, há nele muitas passagens que se referem claramente à constituição sétupla do homem e da Cadeia.

Falando sobre os Elohim (volume II, pág.

420), dissemos: "Eles permanecem sobre o sétimo céu (ou mundo espiritual), pois que, segundo os cabalistas, são os que formaram, sucessivamente, os seis mundos materiais, ou melhor, os projetos de mundos que precederam o nosso, sendo este o sétimo." O nosso Globo, no diagrama que representa a Cadeia, é naturalmente o sétimo e o inferior, não obstante ser o quarto no arco descendente da matéria, dado o caráter cíclico da evolução dos Globos.

Dissemos ainda (II, 367): "Segundo as crenças egípcias, do mesmo modo que em todas as demais crenças baseadas na filosofia, não era o homem simplesmente... uma união de alma e corpo; era uma trindade, pois se lhe acrescentava o espírito.

Ensinava mais a doutrina que o homem possuía... corpo... forma astral ou sombra... alma animal... alma superior... inteligência terrestre... (e) um sexto princípio etc."; e o sétimo é o ESPIRITO.

Tão claramente, se acham ali mencionados esses princípios que até no índice (II, 683) se lê: "Os Seis Princípios do Homem", sendo que o sétimo é, na realidade, a síntese dos seis — não propriamente um princípio, mas uma centelha do TODO ABSOLUTO.

Cada Ronda, no arco descendente, é uma repetição, de maneira mais

concreta, da Ronda anterior; e cada Globo, até a nossa quarta Esfera, a Terra atual,

é uma cópia mais densa e material da Esfera que a precede, em sua ordem

sucessiva nos três planos superiores501. Passando ao arco ascendente, a evolução

espiritualiza e eteriza, por assim dizer, a natureza geral das coisas, colocando-as no

mesmo nível do plano em que se acha o globo gêmeo, no arco oposto; daí

resultando que, ao chegar ao sétimo Globo, em qualquer das Rondas, a natureza de

tudo o que evoluciona retorna à condição existente no ponto de partida, com a

adição, em cada vez, de um grau novo e superior nos estados de consciência.

É

claro, portanto, que a chamada "origem do homem" neste Planeta, na presente

Ronda ou Ciclo de Vida, deve ocupar o mesmo lugar e a mesma ordem — salvo

quanto a certos aspectos atinentes às condições de lugar e de tempo — que na

Ronda precedente.

Cabe ainda explicar e lembrar que, assim como o trabalho de

cada Ronda está a cargo de um Grupo diferente dos chamados Criadores ou

Arquitetos, assim também sucede em relação a cada Globo, que se acha sob a

vigilância e a direção de Construtores e Supervisores especiais: os diversos Dhyân

Chohans.

"Criadores" não é a palavra correta, pois nenhuma religião, nem mesmo a

seita dos Visishthadvaitis da Índia (que antropomorfiza o próprio Parabrahman),

acredita na criação ex-nihilo dos judeus e cristãos, e sim na evolução de materiais

preexistentes.

O Grupo da Hierarquia incumbido de "criar" os homens é, portanto, um

Grupo especial; e desenvolveu o homem-tipo neste Ciclo, precisamente como o fez

um Grupo ainda mais elevado e espiritual na Terceira Ronda.

Mas, como aquele

Veja-se o Diagrama III, pág.

393.

Grupo é o Sexto na escala descendente da espiritualidade (sendo o sétimo e último

o dos Espíritos Terrestres, ou Elementais, que formam, constroem e condensam

gradualmente o corpo físico do homem), não pode elaborar senão a forma etérea do

homem futuro, uma cópia sutil, transparente, pouco visível, dos seres que compõem

o mesmo Grupo.

À Quinta Hierarquia (os seres misteriosos que presidem à constelação do

Capricórnio, Makara ou "Crocodilo", na índia e no Egito), compete a tarefa de animar

a forma animal, vazia e etérea, dela fazendo o Homem Racional.

Este é um dos

assuntos sobre os quais muito pouco se pode dizer ao público em geral.

É realmente

um mistério, mas somente para aqueles que se obstinam em rejeitar a existência de

Seres Espirituais, conscientes e intelectuais no Universo, limitando a Consciência

plena ao homem e assim mesmo como uma "função do cérebro" unicamente.

Muitas

daquelas Entidades Espirituais se encarnaram corporalmente no homem, desde que

este apareceu; e, sem embargo, existem ainda, tão independentes como antes, no

infinito do Espaço.

Mais    claramente:   uma   dessas   Entidades    invisíveis   pode   estar

corporalmente presente na Terra, sem contudo abandonar a sua condição e as suas

funções nos planos supra-sensíveis.

Se há necessidade de alguma explicação, só

nos cabe pedir a atenção do leitor para casos análogos registrados no "Espiritismo",

embora sejam muito raros, pelo menos no que se refere à natureza da Entidade que

se encarna ou se incorpora temporariamente no médium.

Porque os chamados

"espíritos", que podem algumas vezes apoderar-se do corpo do médium, não são as

Mônadas ou Princípios Superiores de personalidades desencarnadas.

Tais

"espíritos" só podem ser Elementares ou Nirmânakâyas.

Da mesma forma que

certas pessoas, seja em virtude de uma constituição peculiar, seja pelo poder do

conhecimento místico que tenham adquirido, podem ser vistas em seu "duplo" num

lugar, quando o seu corpo se acha a muitas milhas de distância, fato semelhante

pode também acontecer com Seres superiores.

O homem, filosoficamente considerado, é, em sua forma exterior,

simplesmente um animal, apenas um pouco mais perfeito que o seu antepassado da

Terceira Raça, parecido com o pitecóide.

É um Corpo vivo, não um Ser vivente, por

isso que a percepção da existência, o "Ego Sum", necessita da consciência de si

mesmo, e um animal não pode ter senão a consciência direta ou o instinto.

Sabiam-

no muito bem os antigos, tanto assim que os próprios cabalistas consideravam a

alma e o corpo duas vidas independentes uma da outra.

Em New Aspects of Life, o

autor502 expõe o seguinte ensinamento cabalístico:

"Sustentam eles que, funcionalmente, o Espírito e a

Matéria, quando possuíam uma opacidade e uma intensidade

correlativa, tendiam a unir-se; e que os Espíritos criados, então

resultantes, eram constituídos, no estado de desencarnados,

por uma gama que reproduzia as diferentes opacidades e

transparências do Espírito elemental ou incriado.

Afirmam

também que esses Espíritos, em estado de desencarnados,

atraíam, apropriavam, digeriam e assimilavam o Espírito e a

Matéria elementais que tinham condição conforme à deles...

Que, portanto, existia uma grande diferença nas condições dos

Espíritos criados, e que, na associação íntima entre o mundo

do Espírito e o mundo da Matéria, os Espíritos mais densos, no

De Henry Pratt, M.D., M.S.T., págs.

340-351: "Gênesis of the Soul".

estado de desencarnados, eram atraídos para a parte mais

densa do mundo material, e tendiam, assim, para o centro da

Terra, onde encontravam ambiente mais apropriado ao seu

estado; ao passo que os Espíritos mais transparentes

passavam para a aura que circunda o planeta, sendo que os

mais diáfanos encontravam seu domicílio no satélite."

Refere-se isso exclusivamente aos nossos Espíritos Elementais, e nada

tem a ver com as Forças Inteligentes Planetárias, Siderais, Cósmicas ou

interetéricas, ou "Anjos", como as denomina a Igreja Romana.

Os cabalistas judeus,

e especialmente os ocultistas práticos que se dedicavam à magia cerimonial, só

levaram em conta os Espíritos dos Planetas e os chamados "Elementais". Assim, o

que precede abrange apenas uma parte dos ensinamentos esotéricos.

A Alma, cujo veículo corpóreo é o envoltório astral, etéreo-substancial,

pode morrer, continuando o homem, não obstante, a viver sobre a terra.

Quer dizer:

pode a alma libertar-se do tabernáculo e abandoná-lo por diversas razões, tais como

a loucura, a depravação espiritual e física etc.

A possibilidade de que a Alma (isto é,

o Ego eterno, espiritual) reside nos mundos invisíveis, enquanto seu corpo continua

a viver na terra, é uma doutrina eminentemente oculta, máxime nas filosofias

chinesa e budista.

Há muitos homens sem alma entre nós, sabendo-se que este

fenômeno ocorre com pessoas materializadas e perversas ao último ponto, assim

como entre aqueles "que se adiantaram em santidade e não mais retornam".

Por conseguinte, o que os homens viventes (Iniciados) podem fazer, com

maior razão e mais facilmente o podem os Dhyânis, livres que estão do embaraço

representado por um corpo físico.

Esta era a crença dos pré-diluvianos, e hoje ganha

rapidamente terreno também na moderna sociedade inteligente, entre os

"espiritistas", sendo ainda admitida nas Igrejas Grega e Romana, quando ensinam a

ubiqüidade de seus Anjos.

Os zoroastrianos consideravam os seus Amshaspends como entidades

duplas (Ferouers), aplicando esta dualidade — em sua filosofia esotérica pelo menos

— a todos os habitantes espirituais e invisíveis dos inumeráveis mundos objetivos do

espaço.

Em uma nota de Damáscio (século VI) a respeito dos oráculos caldeus,

temos um amplo testemunho da universalidade desta doutrina; eis o que ele diz:

"Nestes oráculos, os sete Cosmocratas do Mundo (as "Colunas do Mundo" a que

também se refere São Paulo) são duplos: uma parte está à frente do governo dos

Mundos superiores, espirituais e siderais; e a outra tem a missão de velar sobre os

mundos materiais." Idêntica é a opinião de Jâmblico, que traça uma distinção bem

nítida entre os Arcanjos e os Arcontes503.

O que antecede naturalmente é aplicável à distinção feita entre os graus

ou ordens dos Seres Espirituais, e neste sentido o interpreta e ensina a Igreja

Católica Romana; pois, ao mesmo tempo em que ela considera os Arcanjos como

espíritos divinos e santos, denuncia os respectivos "Duplos" como Demônios.

Mas a

palavra Ferouer não deve ser entendida com esse sentido: significa tão-somente o

reverso ou o lado oposto de um atributo ou qualidade.

Assim, quando o ocultista diz

que "o Demônio é o inverso de Deus" — o mal, o reverso da medalha — não

pretende significar duas realidades separadas, senão dois aspectos ou facetas da

mesma Unidade.

Ora, o melhor dos homens, posto ao lado de um Arcanjo (tal como

o descreve a Teologia), havia de parecer um ente infernal.

Donde se vê que, se

De Mysteriis, II, 3.

existe algum motivo para depreciar um "duplo" inferior, imerso muito mais

profundamente na matéria que o seu original, bem poucas razões haverá para

classificá-lo como demônio — e é isto precisamente o que fazem os católicos

romanos, contra toda a lógica.

Essa identidade entre o Espírito e seu "Duplo" material — no homem é o

inverso — explica melhor ainda a confusão, a que já nos referimos nesta obra,

quanto aos nomes e individualidades, e também quanto ao número, dos Rishis e dos

Prajapatis, sobretudo os do Período da Satya Yuga e os do Período do

Mahâbharata.

E lança mais luz sobre o que ensina a Doutrina Secreta em relação

aos Manus-Raízes e Manus-Sementes.

Segundo a Doutrina, não só esses

Progenitores da nossa humanidade têm o seu protótipo nas Esferas Espirituais, mas

também o possui todo ser humano, sendo o protótipo deste último a essência mais

elevada de seu Sétimo Princípio.

Assim, de sete os Manus passam a ser quatorze,

sendo o "Manu-Raiz" a Causa Primeira e o Manu-Semente o seu efeito; e, a contar

do Satya Yuga (o primeiro período) até o Período Heróico, os Manus ou Rishis

chegam ao número de vinte e um.

(b) A última frase da Sloka mostra quanto são antigas a crença e a

doutrina de que o homem é sétuplo em sua constituição.

O "Fio" do Ser, que anima

o homem e que passa através de todas as suas personalidades ou renascimentos

na Terra — alusão ao Sutrâtmâ —, o "Fio" que enlaça todos os "Espíritos", é feito da

essência do Trino, do Quádruplo e do Quíntuplo, os quais contêm todos os que os

precedem.

Panchâshikha504, segundo o Padma Purâna505, é um dos sete Kumaras

que vão a Shveta--Dvipa para adorar Vishnu.

Veremos mais adiante qual a conexão

Panchâshikha (sânscrito): uma coleção de cinqüenta.

Asiatic Researches, XI, 99-100.

existente entre os castos e "celibatários" Filhos de Brahmâ, que se negam a

"multiplicar", e os mortais terrestres.

É evidente, porém, que o "Homem-Planta,

Saptaparna", se relaciona com os Sete Princípios, e que o homem é comparado a

essa planta de sete folhas, tão sagrada entre os budistas.

A alegoria egípcia do Livro dos Mortos, quando à "recompensa da Alma",

faz lembrar também a nossa Doutrina Setenária, e a exprime em termos bastante

poéticos.

Concede-se ao Defunto um lote de terra no campo de Aanroo, onde os

Manes, as sombras divinizadas dos mortos, colhem a messe das ações que

semearam na vida: o trigo de sete côvados de altura, que cresce em um terreno

dividido em sete e em quatorze partes.

Esse trigo é o alimento que os fará viver e

prosperar ou que os matará no Amenti, reino do qual o campo de Aanroo é só uma

das regiões.

Porque, como diz o hino506, ali o Defunto ou é destruído ou se converte

em Espírito puro por toda a Eternidade, como conseqüência das "sete vezes setenta

e sete vidas" passadas ou por passar na Terra.

A imagem do trigo, que se colhe

como fruto de nossas ações, é muito sugestiva.

4. É a Raiz que jamais perece; a Chama de Três Línguas e Quatro

Mechas (a). As Mechas são as Centelhas que partem da Chama de Três

Línguas507 projetada pelos Sete — dos quais é a Chama — Raios de Luz e

Centelhas de uma Lua que se reflete nas Ondas moventes de todos os Rios da

Terra (b)508.

(a) A "Chama de Três Línguas" que jamais se extingue é a Tríade

espiritual e imortal: Âtmâ-Buddhi-Manas, ou melhor, a colheita deste último,

Cap.

XXXII, 9.     Sua Tríade Superior.

Bhumi ou Prithivi.

assimilada pelos dois primeiros, depois de cada vida terrestre.

As "Quatro Mechas"

que surgem e desaparecem são o Quaternário — os quatro princípios inferiores,

inclusive o corpo.

"Eu sou a Chama de Três Mechas, e as minhas Mechas são imortais" —

diz o Defunto.

"Eu entro no domínio de Sekhem (o Deus cujas mãos espalham as

sementes da ação produzida pela alma desencarnada) e na região das Chamas que

destruíram os seus adversários (isto é, que se libertaram das Quatro Mechas

geradoras do pecado)509."

"A Chama de Três Línguas das Quatro Mechas" corresponde às quatro

Unidades e aos três Binários da Árvore Sephirothal.

(b) Assim como milhares de centelhas reluzentes dançam sobre as águas

de um oceano por cima do qual brilha somente uma lua, do mesmo modo as nossas

personalidades transitórias — invólucros irreais do imortal Ego-Mônada — rodopiam

e tremeluzem nas ondas de Mâyâ.

Surgem, e permanecem sobre as "Águas

Correntes" da Vida durante o período de um Manvantara, à semelhança das

miríades de cintilações produzidas pelos raios da lua enquanto a Rainha da Noite

irradia o seu esplendor; e depois desaparecem, sobrevivendo tão-somente os

"Raios" — símbolos de nossos Egos espirituais e eternos — que regressam à Fonte

Materna e se tornam unos com ela, como eram dantes.

5. A Centelha pende da Chama pelo mais tênue fio de Fohat.

Ela viaja

através dos Sete Mundos de Mâyâ (a). Detém-se no Primeiro510, e é um Metal e

Livro dos Mortos, I, 7. Compare-se também com os Mistérios de Rostan.

Reino

uma Pedra; passa ao Segundo511, e eis uma Planta, a Planta gira através de

sete mutações, e vem a ser um Animal Sagrado (b)512. Dos atributos

combinados de todos esses, forma-se Manu513, o Pensador.

Quem o forma? As

Sete Vidas e a Vida Una (c). Quem o completa? O Quíntuplo Lha.

E quem

aperfeiçoa o último Corpo? O Peixe, o Pecado e Soma... (d)514.

(a) A expressão "através dos Sete Mundos de Mâyâ” refere-se aos sete

Globos da Cadeia Planetária e às sete Rondas, ou às quarenta e nove estações da

existência ativa que se apresentam ante a "Centelha" ou Mônada, no início de cada

Grande Ciclo de Vida ou Manvantara.

O "Fio de Fohat" é o Fio de Vida já

mencionado anteriormente.

Temos aqui o maior dos problemas filosóficos: a natureza física e

substancial da Vida.

Nega a ciência moderna a natureza independente da Vida; e a

nega por ser incapaz de compreendê-la.

Os que acreditam na reencarnação e no Carma são os únicos que têm

uma vaga percepção de que todo o segredo da vida está na série ininterrupta de

suas manifestações, seja no corpo físico, seja fora dele.

Porque, se:

A vida, qual cúpula de cristais multicores,

Tinge a resplandecente alvura da Eternidade515,

é, contudo, em si mesma, uma partícula dessa Eternidade.

E só a Vida

pode compreender a Vida.

Reino     A primeira Sombra do Homem Físico.

O Homem.

A Lua     Shelley, Adonais.

Que é aquela "Centelha" que está suspensa da "Chama"? É Jiva, a

Mônada em conjunção com Manas, ou melhor, com o aroma deste último, aquilo que

sobrevive de cada Personalidade quando é meritória, e que pende de Âtmâ-Buddhi,

a Chama, pelo Fio da Vida.

De qualquer maneira, e seja qual for o número de

princípios em que se divida o homem, fácil é demonstrar que esta doutrina era

ensinada por todas as religiões antigas, desde a religião védica até a dos egípcios,

desde a de Zoroastro até a dos judeus.

Quanto a esta última, temos sobejas provas

nas obras cabalísticas.

Todo o sistema dos números cabalísticos se baseia no

Setenário divino suspenso da Tríade (formando assim a Década), e nas suas

permutações 7, 5, 4 e 3, que, finalmente, se fundem todas no próprio Um: o círculo

infinito e sem limites.

Diz o Zohar:

"A   Divindade   (a   presença   sempre   invisível)

manifesta-se por intermédio dos Dez Sephiroth, que são as

suas testemunhas radiantes.

Do Oceano da Divindade flui uma

caudal chamada Sabedoria, que verte suas águas em um lago

chamado Inteligência.

Deste receptáculo promanam, como sete

canais, os Sete Sephiroth... Porque dez equivale a sete: a

Década contém quatro Unidades e três Binários."

Os dez Sephiroth correspondem aos membros do Homem.

"Quando eu (os Elohim) formei Adão Kadmon, o

Espírito do Eterno brotou de seu Corpo, qual um relâmpago,

irradiando subitamente sobre as ondas Sete milhões de

estrelas, e os meus dez Esplendores eram os seus Membros."

Mas nem a Cabeça nem os Ombros de Adão Kadmon podem ser vistos;

e, assim, lê-se no Siphra Dzenioutha, o "Livro do Mistério Oculto":

"No começo do Tempo, depois que os Elohim (os

"Filhos de Luz e de Vida", ou os Construtores) formaram da

Essência Eterna os Céus e a Terra, construíram os Mundos de

seis em seis."

O sétimo é Malkuth, que é a nossa Terra516, em seu plano, o mais inferior

de todos os planos de existência consciente.

O Livro dos Números caldeu contém

uma explicação minuciosa de tudo isso.

"A primeira tríade do Corpo de Adão Kadmon (os

três planos superiores, dos sete)517 não pode ser vista antes

que a alma se encontre em presença do Ancião dos Dias."

Os Sephiroth dessa Tríade superior são: 1º) "Kether (a Coroa),

representada pela fronte do Macroposopo; 2º) Chokmah (a Sabedoria, Princípio

Masculino), representado pelo seu ombro direito; 3º) Binah (a Inteligência, Princípio

feminino), representada pelo ombro esquerdo." Vêm depois os sete Membros, ou

Sephiroth nos planos da manifestação; sendo a totalidade destes quatro planos

Veja-se Mantuan Codex.

A formação da "Alma Vivente", ou Homem, expressaria a idéia com maior clareza.

"Alma Vivente", na Bíblia, é sinônimo de Homem.

Corresponde aos nossos sete "Princípios".

representada por Microposopo, a Face Menor ou Tetragrammaton, o Mistério de

"quatro letras". "Os sete Membros manifestados e os três ocultos constituem o

Corpo da Divindade."

Assim, nossa Terra, Malkuth, é a um só tempo o sétimo e o quarto

Mundo.

É o sétimo quando se conta a partir do primeiro Globo de cima, e o quarto se

pela ordem dos planos.

Foi gerado pelo Sexto Globo (ou Sephira), chamado Yezud,

"Fundação", ou, como figura no Livro dos Numeras, "por meio de Yezud, Ele (Adão

Kadmon) fecunda a Heva primitiva (Eva ou a nossa Terra)". Esta é a explicação,

vertida para linguagem mística, de que Malkuth (chamado a Mãe Inferior, Matrona,

Rainha e o Reino da Fundação) seja representado como a esposa do

Tetragrammaton ou Microposopo (o Segundo Logos), o Homem Celeste.

Quando

estiver livre de toda impureza, unir-se-á ao Logos Espiritual, o que se dará na Sétima

Raça da Sétima Ronda, após a regeneração, no dia do "Sábado". Porque o "Sétimo

Dia", repetimos, tem uma significação oculta que os nossos teólogos não suspeitam.

"Quando Matronitha, a Mãe, é separada e posta face

a face com o Rei, na excelência do Sábado, todas as coisas se

convertem em um corpo518."

Converter-se em um corpo significa que tudo é de novo reabsorvido no

Elemento Uno, tornando-se Nirvânis os espíritos dos homens e voltando outra vez

os elementos de todas as coisas ao que eram antes: o Protilo ou Substância não

diferenciada.

"Sábado" quer dizer Repouso ou Nirvana.

Não é o "sétimo dia" após

seis dias, mas um período cuja duração equivale à dos sete "dias", ou qualquer

Ha Idra Zuta Kadisha, XXII, pág.

746.

período composto de sete partes.

Assim, um Pralaya tem a mesma duração de um

Manvantara, ou melhor, uma Noite de Brahmâ é igual ao seu Dia.

Se os cristãos

querem seguir os costumes judeus, devem adotar-lhes o espírito, e não a letra

morta.

Deveriam trabalhar durante uma semana de sete dias, e descansar sete dias.

Que a palavra "Sábado" tinha uma significação mística, demonstra-se no pouco

apreço de Jesus por esse dia e também pelo que se lê em Lucas519. Sábado é

tomado ali como a semana inteira.

Veja-se o texto grego, em que a semana é

denominada "Sábado"; literalmente: "Eu jejuo duas vezes no sábado." Paulo, que

era Iniciado, o sabia perfeitamente quando falava do repouso e da felicidade eterna

nos Céus como de um Sábado520: "E sua felicidade será eterna, pois eles serão

sempre (um) com o Senhor, e gozarão de um Sábado eterno521."

A diferença entre a Cabala e a Vidya Esotérica arcaica — considerando-

se a Cabala tal como se contém no Livro dos Números caldeu, e não como se

mostra em sua cópia deturpada, a Cabala dos místicos cristãos — é realmente

insignificante, consistindo tão só em divergências de forma e de expressão sem

maior importância.

Por exemplo: o Ocultismo oriental refere-se à nossa Terra como

sendo o Quarto Mundo (o mais baixo de todos), acima do qual se situam os seis

outros Globos, três em cada lado da curva.

Por sua vez, o Zohar menciona a Terra

como o inferior ou o Sétimo, acrescentando que dos outros seis dependem todas as

coisas nela existentes (Microposopo). A "Face Menor (menor porque manifestada e

finita) é formada de seis Sephiroth" — diz o mesmo livro.

“Sete Reis surgem e

morrem no Mundo três vezes destruído (Malkuth, nossa Terra é destruída em cada

uma das Rondas por que passa); e seus reinos (os dos sete Reis) serão

XVIII, 12.     Hebreus, IV.     Cruden, sub voce.

aniquilados522." É uma alusão às Sete Raças, das quais cinco já apareceram e duas

estão ainda por vir nesta Ronda.

As narrações alegóricas xintoístas a respeito da cosmogonia e da origem

do homem, no Japão, falam dessa mesma crença.

O Capitão C. Pfoundes, que durante cerca de nove anos estudou, nos

mosteiros do Japão, a religião que está no fundo de todas as diferentes seitas ali

existentes, diz o seguinte:

"Esta é a idéia xintoísta da criação: Saindo do Caos

(Kon-ton), a Tetra (In) era o sedimento precipitado, e os Céus

(Yo) as essências etéreas que se elevaram; o Homem (Jin)

apareceu entre os dois.

O primeiro homem foi chamado Kuni-to

ko tatchino-mikoto, dando-se-lhe ainda outros cinco nomes;

e então surgiu a raça humana, de macho e fêmea.

Isanagi e

Isanami procriaram Tenshoko doijin, o primeiro dos cinco

Deuses da Terra."

Estes "Deuses" correspondem simplesmente às nossas Cinco Raças,

sendo Isanagi e Isanami duas espécies de "Antepassados", as duas Raças

anteriores que deram nascimento ao homem animal e ao homem racional.

Mostraremos nos volumes III e IV que o número sete e a doutrina da

constituição setenária do homem ocupavam um lugar preeminente em todos os

sistemas secretos, e desempenha um papel tão importante na Cabala ocidental

quanto no Ocultismo oriental.

Livro dos Números, I, VII, 3.

Eliphas Lévi diz que o número sete "é a chave da criação mosaica e dos

símbolos de todas as religiões". Expõe como a Cabala segue fielmente a mesma

divisão setenária do homem, pois o diagrama que apresenta em sua Clef des

Grands Mystères523 é setenário, conforme se pode ver à mais simples inspeção,

apesar de se achar habilmente velado o pensamento exato.

A mesma coisa ocorre

com o diagrama "A Formação da Alma" incluído na Kabbalah Unveiled de

Mathers524. que o extraiu da mencionada obra de Lévi, embora seja diferente a

interpretação.

Na página seguinte reproduzimos este último diagrama, com os nomes

cabalísticos seguidos da respectiva denominação ocultista.

Eliphas Lévi designa por Nephesh o que nós chamamos Manas, e vice-

versa.

Nephesh é o Sopro de Vida (animal) no homem, o Sopro de Vida (instintiva)

no animal; e Manas é a Terceira Alma — humana em seu aspecto luminoso, e

animal em suas relações com Samael ou Kâma.

Nephesh é, na realidade, o "Sopro

de Vida" (animal) insuflado em Adão, o Homem de Barro; e, portanto, a Centelha

Vital, o Elemento animador.

Sem Manas, a "Alma Racional" ou Mente — que no

quadro de Lévi é incorretamente chamada Nephesh —, Âtmâ-Buddhi permanece

irracional neste plano e não pode atuar.

Buddhi é o Mediador Plástico, e não Manas,

que não passa de médium inteligente entre a Tríade Superior e o Quaternário

Inferior.

São muitas, porém, as curiosas e estranhas transformações que se vêem

nas obras cabalísticas, prova convincente da lamentável confusão em que incide

essa literatura.

Nós não aceitamos tal classificação, a não ser exclusivamente para

mostrar os pontos em que coincide com a nossa.

Pág.

389.       Lâmina VII, pág.

37.

Figura 6: DIAGRAMA IV

A TRÍADE SUPERIOR - Imortal

Vamos agora apresentar um quadro comparativo entre as explicações do

sábio Eliphas Lévi a respeito do seu diagrama e o que ensina a Doutrina Secreta.

Lévi faz também uma distinção entre a Pneumática oculta e a cabalística.

A Tríade está separada do Quaternário Inferior, porque esse último se dissocia após a morte.

Quadro                 Diz Eliphas Lévi, o cabalista:                                          Dizem os teósofos:

PNEUMÁTICA CABALÍSTICA                                           PNEUMÁTICA ESOTÉRICA

1. A Alma (ou Ego) é uma luz velada, e esta luz é tríplice.

1. A mesma coisa: porque é Âtmâ-Buddhi-Manas.

2. Neshamah — O Espírito puro.

2. A mesma coisa                                                                 . 3. Ruach — A Alma ou Espírito.

3. A Alma Espiritual.

4. Nephesh — O Mediador Plástico526                             4. O Mediador entre o Espírito e o Homem: a Sede da Razão,                                                                 a Mente, no homem.

5. A vestimenta da Alma é o córtex (corpo) da Imagem (Alma      5. Correto.

Astral).

6. A Imagem é dupla, porque reflete o bem e o mal.

6. Isto é por demais apocalíptico, sem nenhuma utilidade.

Porque o astral reflete tanto o homem bom como o mau; o                                                                 homem que ou tende sempre para a Tríade Superior ou, do                                                                 contrário, desaparece com o Quaternário.

7. (A Imagem; o Corpo.)                                         7. A Imagem Terrestre.

PNEUMÁTICA OCULTA                                               PNEUMÁTICA OCULTA                   (Segundo Eliphas Lévi)                                          (Segundo os ocultistas)

1. Nephesh é imortal, porque renova sua vida pela destruição    1. Manas é imortal, porque em cada nova encarnação das formas.

acrescenta algo de si mesmo a Âtmâ-Buddhi; e deste modo,    (Mas Nephesh, o "Sopro da Vida", é uma denominação           assimilando-se à Mônada, participa de sua imortalidade.

errônea e uma inútil confusão para o estudante.)

2. Ruach progride pela evolução das idéias (!).                 2. Buddhi se torna consciente pelo que assimila de Manas                                                                 com a morte do homem, após cada encarnação nova.

3. Neshamah é progressivo, sem esquecimento nem                 3. Âtmâ nem progride, nem esquece, nem recorda.

Não destruição.

pertence a este plano: mas é um Raio de Luz eterna que                                                                 brilha através da escuridão da matéria, quando esta última se                                                                 inclina para ele.

4. A Alma possui três habitações.

4. A Alma — coletivamente como Tríade Superior — vive em                                                                 três planos, além do quarto, a esfera terrestre; e existe                                                                 eternamente no mais elevado dos três.

5. São tais habitações: o Plano dos Mortais, o Éden Superior    5. São tais habitações: a Terra, para o homem físico ou Alma e o Éden Inferior.

animal; Kâma-Loka (Hades, Limbo), para o homem                                                                 desencarnado ou o seu "cascão"; o Deva-chan, para a Tríade                                                                 Superior.

6.   A Imagem (o homem) é uma esfinge que propõe o              6. Correto.

enigma do nascimento.

7.    A Imagem fatal (a Astral) confere a Nephesh suas          7. O Astral, por meio de Kâma (o Desejo), atrai aptidões; mas Ruach é capaz de substituída com a Imagem         continuamente Manas para a esfera das paixões e desejos conquistada em consonância com as inspirações de                materiais.

Mas se o homem melhor, ou Manas, se esforça Neshamah.

por escapar à atração fatal, e orienta suas aspirações para                                                                 Âtmâ (Neshamah), então Buddhi (Ruach) vence, levando                                                                 consigo Manas para o Reino do Espírito Eterno.

Eliphas Lévi, intencionalmente ou não, confundiu os números.

Para nós, o seu número 2 é o número 1 (o Espírito); e, fazendo de Nephesh, ao mesmo tempo, o Mediador Plástico e a Vida, ele em verdade só enumera seis princípios, porque repete os dois primeiros.

O Esoterismo ensina a mesma coisa.

Manas, porém, não é Nephesh, nem este último é o princípio astral, e sim o Quarto Princípio e também o Segundo, Prâna; pois Nephesh é o "Sopro de Vida" no homem, assim como no animal e no inseto; da vida física e material, que em si mesma não possui nenhuma espiritualidade.

É evidente que o cabalista francês ou não conhecia suficientemente a

verdadeira doutrina ou pretendeu modificá-la por motivos particulares e para ajustá-

la a suas próprias idéias.

Vejam-se, por exemplo, as afirmações que ele faz ainda

sobre este assunto, adiante transcritas; ao lado, constam as observações que a nós,

ocultistas, cabe formular em resposta ao falecido cabalista e seus seguidores.

Quadro 1. O corpo é o molde de Nephesh; Nephesh, o molde de         1. O corpo segue os impulsos, bons ou maus, de Manas; Ruach; Ruach, o molde das vestes de Neshamah.

Manas procura seguir a Luz de Buddhi, mas freqüentemente                                                              falha.

Buddhi é o molde das "vestes" de Âtmâ, pois Âtmâ não                                                              é o corpo, nem forma, nem coisa, e Buddhi não é o seu                                                              veículo senão em sentido figurado.

2. A Luz (a Alma) personifica-se em se revestindo (com um    2. A Mônada se converte em um Ego pessoal quando se corpo); e a personalidade só subsiste enquanto a veste se    encarna; e algo desta personalidade persiste por intermédio mantém perfeita.

de Manas, quando este é bastante perfeito para assimilar                                                              Buddhi.

3. Os Anjos aspiram a tornar-se homens; um homem perfeito,   3. Correto.

um homem-Deus, está acima de todos os Anjos.

4. Em cada 14.000 anos a Alma rejuvenesce, e repousa no      4. Durante um grande período, uma "Grande Idade" ou um sonho ditoso do esquecimento.

Dia de Brahmâ, reinam 14 Manus; depois vem o Pralaya,                                                              quando todas as Almas (Egos) repousam no Nirvana.

Tais são as cópias desfiguradas da Doutrina Esotérica, na Cabala.

Voltemos, porém, ao Sloka 5 da Estância VII528.

(b) Há um conhecido aforismo cabalístico que diz: "A pedra se converte

em planta; a planta em animal; o animal em homem; o homem em espírito; e o

espírito em um deus." A "Centelha" anima sucessivamente todos os reinos, antes de

penetrar e animar o homem divino; e entre este e o seu predecessor, o homem

animal, existe todo um mundo de diferença.

O Gênesis começa a sua antropologia

no ponto errado — evidentemente para velar a verdade — e não conduz a parte

alguma.

Seus primeiros capítulos jamais visaram a representar, nem sequer como

alegoria remota, a criação de nossa Terra.

Registram um conceito metafísico de um

Veja-se, on Vol.

III, Estância X: "Os Primitivos Manus da Humanidade".

período indefinido da eternidade, quando a lei de evolução promovia ensaios

sucessivos para a formação do Universo.

A idéia está claramente exposta no Zobar.

"Houve antigos mundos, que pereceram logo depois de virem à

existência; não tinham forma, e eram chamados "Centelhas". Como as faíscas que

se espalham por todos os lados, quando o ferreiro malha o ferro rubro.

Aquelas

Centelhas eram os mundos primordiais, que não podiam durar, porque o Sagrado

Ancião (Sephira) ainda não havia assumido a sua forma (de andrógino, ou de sexos

opostos) como Rei e Rainha Sephira e Kadmon); e o Mestre ainda se não havia

disposto à obra529."

Se o Gênesis tivesse principiado por onde devia, sua narrativa

mencionaria em primeiro lugar o Logos Celeste, o "Homem Celeste", que se

desenvolve como Unidade Múltipla de Logos, Logos que aparecem em sua

totalidade — como o primeiro "Andrógino" ou Adão Kadmon, o "Fiat Lux" da Bíblia,

conforme já vimos — após o sono praláico, o sono que funde em Um todos os

Números dispersos sobre o plano mayávico, à semelhança dos glóbulos de mercúrio

que em um prato se confundem numa só massa.

Mas semelhante transformação

não se passou em nossa Terra, nem em qualquer plano material, e sim nos abismos

do Espaço, onde se efetua a primeira diferenciação da eterna Raiz da Matéria.

Em nosso Globo nascente, as coisas sucederam de maneira diferente.

A

Mônada ou Jiva, como dissemos em Ísis sem Véu530, foi precipitada inicialmente,

pela Lei de Evolução, na forma mais baixa da matéria: o mineral.

Encerrada na

pedra (ou no que iria tornar-se mineral e pedra na Quarta Ronda), e depois de um

giro sétuplo, daí a Mônada desliza para fora como um líquen, por assim dizer.

E,

passando através de todas as formas de matéria vegetal, e depois ao que se chama

Zohar, "Idra Suta", livro III, pág.

292, b.       II, 302.

de matéria animal, alcança o ponto em que se deve converter, digamos assim, no

germe do animal que se transformará em homem físico.

Tudo isso, até a Terceira

Raça, é sem forma, como matéria, e insensível, como consciência.

Porque a

Mônada ou Jiva, per se, não pode ser considerada sequer como Espírito: é um Raio

de Luz, um Sopro do Absoluto, ou antes, algo na condição de Absoluto; e a

Homogeneidade Absoluta, não tendo nenhuma relação com o finito, condicionado e

relativo, é inconsciente em nosso plano.

Assim, além do material de que necessita

para sua futura forma, requer a Mônada: (a) um modelo espiritual ou protótipo, para

dar configuração àquele material; e (b) uma consciência inteligente, para guiar a sua

evolução e progresso; — coisas que não possui a Mônada homogênea nem a

matéria viva desprovida de mente.

O Adão de barro necessita que lhe seja insuflada

a Alma da Vida: os dois princípios do meio, que são a vida senciente do animal

irracional e a Alma Humana.

Quando o homem, de andrógino potencial que era, vem a separar-se em

macho e fêmea, então, e só então, adquire uma Alma consciente, racional e

individual (Manas), "o princípio ou inteligência dos Elohim", devendo, para isso,

comer o fruto do Conhecimento, produzido pela Árvore do Bem e do Mal.

Como

obtém tudo isso? A Doutrina Oculta ensina que, enquanto a Mônada cumpre o seu

ciclo de descida na matéria, esses mesmos Elohim ou Pitris — os Dhyân Chohans

inferiores — evolucionam pari passu com ela, num plano mais elevado, descendo

também em relação à matéria no seu próprio plano de consciência, até atingirem

certo ponto, em que se encontram com a Mônada encarnante não mentalizada,

imersa na matéria inferior; e, enlaçando-se as duas potencialidades, Espírito e

Matéria, tal união produz aquele símbolo terrestre do "Homem Celeste" do espaço: o

homem perfeito.

Na Filosofia Sânkhya alude-se a Purusha (Espírito) como algo que só

pode atuar quando apoiado sobre os ombros de Prakriti (Matéria), sendo esta última,

por sua vez, inerte e insensível quando abandonada a si mesma.

Na Filosofia

Secreta, porém, ambos são havidos como separados por gradações.

Espírito e

Matéria, conquanto em sua origem sejam uma só e a mesma coisa, têm cada qual

o   seu processo evolutivo, uma    vez que se acham no plano da diferenciação,

processo que segue direções contrárias: o Espírito caindo gradualmente na matéria,

e esta subindo progressivamente à sua condição original, a de Substância espiritual

e pura.

Os dois são inseparáveis; e, contudo, sempre separados.

No plano físico,

dois pólos semelhantes se repelem sem cessar, ao passo que o positivo e o

negativo se atraem mutuamente; é assim que também se comportam o Espírito e a

Matéria, um em relação ao outro, pois são os dois pólos da mesma Sabedoria

homogênea, o Princípio-Raiz do Universo.

Portanto, ao soar à hora em que Purusha deve subir aos ombros de

Prakriti para a formação do Homem Perfeito — o Homem rudimentar das duas e

meia primeiras Raças, sendo tão-somente o primeiro que evoluciona gradualmente

para o mais perfeito dos mamíferos —, os Antecessores Celestes (Entidades de

Mundos anteriores, na índia chamadas os Shishta) entram nesse nosso plano e

encarnam no homem físico ou animal, como os Pitris o haviam feito anteriormente

para a formação deste último.

Assim, os dois processos que culminam nas duas

"criações" — a do homem animal e a do homem divino — diferem

consideravelmente.

Os Pitris projetam, de seus corpos etéreos, símiles deles

próprios, ainda mais etéreos e sutis — o que hoje chamaríamos "duplos" ou "formas

astrais", à sua própria imagem531, Isso dá à Mônada sua primeira habitação, e à

matéria cega um modelo sobre o qual ela pode daí em diante construir.

Mas o Homem este ainda incompleto.

Em todas as escrituras arcaicas

ficou impresso o selo desta doutrina, desde o Svâyambhuva Manu532, de quem

descenderam os sete Manus ou Prajâpatis primitivos (cada um dos quais deu

nascimento a uma Raça primitiva de homens), até o Codex Nazar                    æus, no qual Karabtanos, ou Fetahil, a matéria cega e concupiscente, engendra em sua Mãe

Spiritus sete Figuras, cada qual representando o progenitor de uma das sete Raças

primitivas.

"Quem forma a Manu (o Homem), quem forma o seu corpo? A Vida e as

Vidas.

O Pecado533 e a Lua." Aqui Manu representa o homem espiritual e celeste, o

Ego real que não morre em nós e que é a emanação direta da "Vida Una" ou

Divindade Absoluta.

Quanto aos nossos corpos físicos exteriores, a habitação ou

tabernáculo da Alma, a Doutrina ministra uma estranha lição; tão estranha que,

ainda quando explicada por completo e compreendida de maneira cabal, só poderá

ser plenamente comprovada pela Ciência exata do futuro.

Já tivemos oportunidade de dizer que para o Ocultismo não existe nada

inorgânico no Cosmos.

A expressão "substância inorgânica", usada pela Ciência,

significa apenas que a vida latente, adormecida nas moléculas da chamada "matéria

inerte", é incognoscível.

Tudo é vida, e cada átomo, mesmo o do pó mineral, é uma

vida, muito embora paire acima de nossa compreensão e percepção, por situar-se

fora dos limites das leis conhecidas pelos que não admitem o Ocultismo.

"Os

Leia-se em Ísis sem Véu (vol.

II, págs.

297-303) a doutrina do Codex Nazaræus; todos os princípios de nossos ensinamentos ali se encontram sob uma forma ou alegoria diferente.

Manu, Livro I.     A palavra "Pecado" (Sin) é bastante curiosa, mas tem uma relação particular e oculta com a Lua; sendo, aliás, o seu equivalente caldeu.

próprios átomos" — diz Tyndall — "parece que possuem o desejo instintivo de viver."

Donde vem, portanto, indagamos nós, essa tendência da matéria para "assumir a

forma orgânica"? Porventura será explicável de outro modo que não o dos

ensinamentos da Ciência Oculta?

Os mundos, para o profano, estão construídos com

os Elementos conhecidos.

Segundo o conceito de um Arhat,

estes Elementos, coletivamente, são uma Vida Divina;

distributivamente, no plano das manifestações, são as

inumeráveis massas de Vidas.

O Fogo somente é UM no plano

da Realidade Única: no da Existência manifestada, e portanto

ilusória, suas partículas são Vidas ígneas, que vivem e existem

às expensas das outras Vidas que elas consomem.

São, por

isso, chamadas "os Devoradores"... Cada coisa visível neste

Universo é constituída por vidas semelhantes, desde o homem

primordial, divino e consciente, até os agentes inconscientes

que elaboram a matéria... Da vida una, sem forma e incriada,

procede o Universo de Vidas.

Primeiro, manifestou-se do

Abismo [Caos] o Fogo frio e luminoso [luz gasosa?], o qual

formou os Coágulos no Espaço [nebulosas irredutíveis,

talvez?].     Estes    combateram,   é   um grande   calor se

desenvolveu nos encontros e colisões, produzindo a rotação.

Surgiu então o primeiro Fogo material manifestado, as Chamas

ardentes, os Vabagundos do Céu [cometas]. O calor gera

vapor úmido; este forma água sólida (?), e depois névoa seca,

em seguida névoa líquida, aquosa, que apaga o luminoso

resplendor dos Peregrinos [Cometas?], e forma Rodas sólidas

e líquidas [Globos de matéria]. Bhûmi [a Terra] aparece com

seis irmãs.

Estas produzem, com seu movimento contínuo, o

fogo inferior, o calor e uma névoa aquosa, que dá lugar ao

Terceiro Elemento do Mundo — a água; e do sopro de tudo

nasce o ar [atmosférico]. Estes quatro são as quatro Vidas dos

quatro primeiros Períodos [Rondas] do Manvantara.

Os três

últimos seguir-se-ão.

O Comentário alude, no início, às "inumeráveis massas de Vidas". Estaria

Pasteur dando inconscientemente o primeiro passo no rumo do Ocultismo, ao

declarar que, se ousasse exprimir todas as suas idéias sobre o assunto, diria que as

células orgânicas são dotadas de uma força vital cuja atividade continua após

cessarem de receber o fluxo de oxigênio, e que por isso não rompe suas relações

com a própria vida, a qual é mantida pela influência daquele gás? "Acrescentaria eu"

— continua dizendo Pasteur — "que a evolução do germe se realiza mediante

fenômenos complicados, entre os quais devemos incluir a fermentação"; e a vida,

segundo Claude Bernard e Pasteur, não passa de um processo de fermentação.

Que existem na Natureza Seres ou Vidas que podem viver e desenvolver-se sem ar,

mesmo em nosso Globo, é o que ficou demonstrado por aqueles homens de ciência.

Pasteur descobriu que muitas vidas inferiores, tais como os vibriônios e certos

micróbios e bactérias, podem existir sem o ar, que, pelo contrário, os extermina.

Extraem o oxigênio necessário à sua multiplicação das várias substâncias que os

rodeiam.

Ele deu-lhes os nomes de aeróbios, seres que se nutrem com os tecidos

de nossa matéria quando esta última deixa de fazer parte de um todo integral e

vivente (correspondendo assim ao que a Ciência chamou, aliás de modo

anticientífico, "matéria morta"), e anaeróbios.

Os primeiros absorvem o oxigênio e

contribuem em grande escala para a destruição da vida animal e dos tecidos

vegetais, proporcionando à atmosfera materiais que entram depois na formação de

outros organismos; os segundos destroem, ou melhor, aniquilam finalmente a

chamada substância orgânica, sendo impossível a decomposição última sem a sua

participação.

Certas células-germes, como as da levedura de cerveja, se

desenvolvem e se multiplicam no ar; mas, quando dele privadas, se adaptam por si

mesmas à vida sem ar e se convertem em fermentos, absorvendo oxigênio das

substâncias que entram em contato com elas e que são assim destruídas.

As

células, nas frutas, quando lhes falta o oxigênio livre, atuam como fermentos e

provocam a fermentação.

"Neste caso, portanto, a célula vegetal manifesta sua ação

vital como um ser anaeróbio.

Por que, então, deve a célula orgânica constituir uma

exceção?" — pergunta o professor Bogoludof.

Pasteur fez ver que, nas substâncias

dos nossos tecidos e órgãos, a célula, não encontrando suficiente oxigênio, estimula

a fermentação do mesmo modo que a célula da fruta; e Claude Bernard acredita que

a idéia de Pasteur sobre a formação de fermentos encontrou aplicação e

confirmação no aumento de uréia que se verifica no sangue durante o

estrangulamento.

A vida, por conseguinte, está em toda a parte no Universo, e — é

o que ensina o Ocultismo — também existe no átomo.

"Bhûmi aparece com seis irmãs" — diz o Comentário.

Reza um

ensinamento védico que "há três Terras, correspondentes aos três Céus, e que

nossa Terra, a quarta, é chamada Bhûmi." Esta é a explicação dada pelos nossos

orientalistas ocidentais exotéricos.

Mas o significado esotérico e a alusão contida

nos Vedas se referem à nossa Cadeia Planetária: "três Terras", no arco

descendente, e "três Céus", que são também três Terras ou Globos — muito mais

etéreas, porém — no arco ascendente ou espiritual.

Pelas três primeiras nós

descemos na matéria; pelas outras três ascendemos ao Espírito; o Globo inferior,

nossa Terra, constitui, por assim dizer, o ponto de inflexão, e contém potencialmente

tanto o Espírito como a Matéria.

Ocupar-nos-emos disso mais tarde.

O ensinamento geral do Comentário é que cada nova Ronda desenvolve

um dos Elementos compostos, tais como são hoje conhecidos pela ciência (que

rejeita a primitiva nomenclatura, preferindo subdividi-los segundo os seus

componentes). Se a Natureza no plano manifestado é um "Eterno vir a ser", então

aqueles Elementos têm que ser considerados do mesmo ponto de vista: devem

evolver, progredir e crescer até o fim do Manvantara.

Assim, a Primeira Ronda não desenvolveu senão um Elemento, uma só

natureza e uma só humanidade, naquilo que se pode chamar um aspecto da

Natureza, ou o que alguns denominam, de modo algo anticientífico (embora de fato

assim possa ser), "espaço de uma dimensão".

A Segunda Ronda manifestou e desenvolveu dois Elementos, o Fogo e a

Terra; e sua humanidade (se é possível dar o nome de humanidade a seres que

viviam em condições hoje ignoradas pelo homem), adaptada às circunstâncias então

vigentes na Natureza, era "uma espécie de duas dimensões", para de novo

empregarmos uma expressão familiar em um sentido estritamente figurado, o único

de que nos podemos servir corretamente.

Os   processos    de   desenvolvimento    natural   que   estamos    agora

considerando vêm elucidar e ao mesmo tempo desacreditar a especulação habitual

sobre os atributos de um espaço com Duas, três, quatro e até mais dimensões; mas,

de passagem, vale a pena chamar a atenção para o significado real da intuição

correta, embora incompleta, que tem inspirado (entre os espíritas, os teósofos e

alguns eminentes homens de ciência)534 o uso da expressão moderna "quarta

dimensão do espaço". Antes de tudo, carece de maior importância o absurdo

superficial de supor-se que o espaço pode ser mensurado em uma dimensão

qualquer.

Aquela frase familiar não pode ser mais que um modo de abreviar o

aspecto mais completo da questão: a "Quarta dimensão da matéria no Espaço535".

Esta última forma, porém, ainda que ampliada, continua sendo uma expressão

pouco feliz, porquanto, se é exato que o progresso da evolução pode levar-nos a

conhecer novas qualidades características da matéria, aquelas com as quais já nos

achamos familiarizados são, na realidade, mais numerosas que as correspondentes

às três dimensões.

As qualidades, ou (o que talvez seja um termo mais apropriado), as

características da matéria, devem sempre ter uma relação direta e clara com os

sentidos do homem.

A matéria possui extensão, cor, movimento (movimento

molecular), sabor e odor, faculdades que correspondem aos sentidos existentes no

homem; a próxima característica a desenvolver — e que por enquanto

denominaremos "Permeabilidade" — corresponderá ao próximo sentido que o

homem deve adquirir, e que chamaremos "Clarividência Normal".

Desse       modo,      quando      alguns      audazes      pensadores        buscavam

ansiosamente uma quarta dimensão do espaço, para explicar a passagem da

matéria através da matéria e a produção de nós em uma corda sem fim, o que

realmente lhes escapava era uma sexta característica da matéria.

Em verdade as

A teoria do Prof.

Zollner foi muito bem recebida por vários sábios, que são também espiritistas: os Professores Butlerof e Wagner, de São Petersburgo, por exemplo.

"Dar realidade às abstrações é o erro do Realismo: o Espaço e o Tempo são, com freqüência, considerados à parte de todas as experiências concretas da mente, em vez de serem generalizações destas últimas em certos aspectos." (Bain, Logic, parte II, pág.

319.)

três dimensões pertencem a um só dos atributos ou características da matéria, a

extensão; e com razão o senso comum se insurge contra a idéia de que, seja qual

seja a condição das coisas, possam existir mais do que as três dimensões de

comprimento, largura e espessura.

Estes termos e a própria palavra "dimensão"

estão associados a um estado de pensamento, a um grau de evolução, a uma

qualidade característica da matéria.

Enquanto existirem unidades de medida entre

os recursos do Cosmos, para serem aplicadas à matéria, não será possível medi-las

senão de três modos, e nada mais; assim como, desde o tempo em que surgiu pela

primeira vez no entendimento humano a noção de medida, nunca foi possível aplicá-

la senão apenas em três sentidos.

Estas considerações, todavia, não implicam de maneira alguma infirmar a

certeza de que, no curso do tempo, à medida que se desdobrem as faculdades

humanas, também se multipliquem as características da matéria.

Vale ainda notar

que aquele modo de expressar é muito menos correto do que o usado

correntemente quando se diz que o Sol "nasce" ou "se põe".

Retornemos agora ao exame da evolução material através das Rondas.

Conforme dissemos, a matéria, na Segunda Ronda, pode ser considerada

como de duas dimensões, em sentido figurado.

Mas cumpre advertir uma coisa.

Esta

expressão livre e figurada pode considerar-se — até certo ponto, como vimos —

equivalente à segunda característica da matéria, a que corresponde à segunda

faculdade perceptiva ou segundo sentido do homem.

Esses dois graus conexos da

evolução acham-se, porém, associados aos processos em curso dentro dos limites

de uma só Ronda.

A sucessão dos aspectos primários da Natureza, a que está

ligada a sucessão das diferentes Rondas, tem relação, repetimos, com o

desenvolvimento dos Elementos (em sentido oculto): Fogo, Ar, Água, Terra.

Estamos ainda na Quarta Ronda, e o nosso catálogo não vai além deste ponto.

A

ordem em que acabamos de nomear os Elementos é a correta do ponto de vista

esotérico e nos Ensinamentos Secretos.

Milton estava certo quando falou das

"Potências do Fogo, do Ar, da Água e da Terra". A Terra, tal como a vemos hoje,

não existia antes da Quarta Ronda, que foi o período em que surgiu a nossa Terra

geológica, há centenas de milhares de anos.

O Globo era, diz o Comentário,

"incandescente, frio e radiante, como os seus homens e animais etéreos, durante a

Primeira Ronda" (o que para a nossa ciência atual parece contraditório ou

paradoxal); "luminoso e mais denso e pesado na Segunda Ronda; aquoso durante a

Terceira". Inverteu-se, deste modo, a ordem dos Elementos.

Os centros de consciência da Terceira Ronda, destinados a desenvolver-

se na humanidade que hoje conhecemos, chegaram à percepção do Terceiro

Elemento, a Água.

Se tivéssemos que basear as nossas conclusões nos dados e

informações dos geólogos, diríamos que não existia água verdadeira, mesmo

durante o período carbonífero.

Afirma-se que massas gigantescas de carbono, anteriormente difundidas

na atmosfera sob a forma de ácido carbônico, foram absorvidas pelas plantas, ao

mesmo tempo em que uma grande parte desse gás se misturava com a água.

Ora, se assim foi, se devemos crer que todo o ácido carbônico que serviu

para formar as plantas e deu nascimento ao carbono betuminoso, à linhita etc., e

que contribuiu para a formação dos calcários etc.; se devemos crer, dizíamos, que

todo ele se encontrava em suspensão na atmosfera sob a forma gasosa, teriam

então existido mares e oceanos de ácido carbônico líquido!

Mas, como poderia o período carbonífero ser precedido pelos períodos

devoniano e siluriano — o dos Peixes e Moluscos —, em face daquela teoria?

Ademais, a pressão barométrica devia ser, há esse tempo, várias vezes superior à

pressão de nossa atmosfera atual.

Como podiam suportá-la organismos tão simples

como os de certos peixes e moluscos?

Existe um livro curioso de Blanchard acerca da Origem da Vida, em que

ele aponta algumas estranhas contradições e confusões nas teorias de seus

colegas.

Recomendamos essa obra à atenção do leitor.

Os centros de consciência da Quarta Ronda acrescentaram um estado de

matéria, a Terra, aos outros três elementos em sua atual transformação.

Em suma: nas Rondas precedentes, nenhum dos chamados Elementos

existia tal como é hoje.

Quanto esteja ao nosso alcance, o fogo devia ser o Âkâsha puro, a

Primeira Matéria do "Magnum Opus" dos Criadores e Construtores, aquela Luz

Astral que o paradoxal Eliphas Lévi ora chama "Corpo do Espírito Santo", ora

"Baphomet", o "Bode Andrógino de Mendés"; o AR devia ser o azoto, o "Sopro dos

Sustentáculos da Cúpula Celeste", na alegoria dos místicos maometanos; a água,

aquele fluido primordial que, segundo Moisés, foi necessário para formar uma "Alma

Vivente".

Estariam, assim, explicadas as discrepâncias flagrantes e as asserções

anticientíficas que constam do Gênesis.

Separe-se o primeiro capítulo do segundo;

leia-se o primeiro como a escritura dos eloístas, e o segundo como a dos jeovistas,

estes muito posteriores àqueles.

Ver-se-á, lendo nas entrelinhas, que é sempre a

mesma a ordem em que apareceram as coisas criadas: Fogo (Luz), Ar, Água,

Homem (ou Terra).

Porque a frase do primeiro capítulo (o eloísta): "No princípio, Deus criou o

Céu e a Terra", é uma tradução errônea; não eram o céu e a terra, mas o Céu

duplex; o Céu duplicado, o superior e o inferior, ou seja, o desdobramento da

Substância Primordial, que era luminosa em sua parte superior, e obscura na parte

inferior (o Universo manifestado), em seu duplo aspecto — o invisível (para os

sentidos) e o visível (para nossas percepções).

"Deus separou a luz das trevas", e criou depois o firmamento (Ar). "Que

haja um firmamento no meio das águas, e separe as águas das águas", isto é, "as

águas que estavam sob o firmamento" (nosso Universo manifestado e visível) "das

águas sobre o firmamento" (os planos de existência invisíveis para nós). No capítulo

seguinte (o jeovista), as plantas e as ervas são criadas antes da água, da mesma

forma que, no primeiro, a luz é criada antes do sol.

"Deus fez a terra e os céus e

todas as plantas do campo, antes que elas existissem na terra, e todas as ervas do

campo, antes que elas brotassem, porque o Senhor Deus (Elohim) ainda não havia

feito chover sobre a terra etc." — um absurdo, a não ser que se admita a explicação

esotérica.

As plantas foram criadas antes de as haver sobre a terra, porque então

não existia a terra tal como é hoje; e a erva do campo antes de brotar como o faz

agora, na Quarta Ronda.

Analisando e explicando a natureza dos Elementos invisíveis e do "Fogo

Primordial" a que nos temos referido, Eliphas Lévi dá a este último, invariavelmente,

o nome de "Luz Astral"; para ele é o "Grande Agente Mágico".

Sem dúvida que assim é, mas tão-só no que concerne à Magia Negra e

aos planos inferiores do que chamamos Éter, cujo númeno é o Âkâsha; até isso,

porém, seria considerado inexato pelos ocultistas ortodoxos.

A "Luz Astral" é

simplesmente a antiga "Luz Sideral" de Paracelso; e dizer que "tudo o que existe

dela evolveu, e que ela conserva e reproduz todas as formas", como aquele escreve,

é enunciar uma verdade só no que respeita à segunda proposição.

A primeira é

errônea, porque, se tudo quanto existe houvesse evolvido por intermédio ou através

do mencionado agente, este não seria a Luz Astral, já que a Luz Astral não é mais

que o veículo de todas as coisas ou, quando muito, o espelho em que se reflete o

todo.

Eliphas Lévi a considera, com razão, "uma força da Natureza", por meio da

qual "um homem, que a dominasse..., poderia semear a confusão no mundo e

transformar a sua face", pois que é o "Grande Arcano da Magia Transcendente".

Citando as palavras do grande cabalista ocidental, nos termos em que

foram traduzidas536, conseguiremos talvez explicar melhor, com o acréscimo

eventual de uma ou duas palavras a fim de fazer ressaltar a diferença entre as

versões ocidentais e as orientais do mesmo assunto.

Diz o autor, a propósito do

Grande Agente Mágico:

"Esse fluido ambiente, que impregna todas as

coisas, esse raio destacado do esplendor do Sol [Central ou

Espiritual]... fixado pelo peso da atmosfera (?!) e pela força da

atração central... a Luz Astral, esse éter eletromagnético, esse

calórico vital e luminoso, é representada nos monumentos

antigos pelo cinto de Ísis que se enrosca ao redor de dois

pólos... e nas teogonias antigas pela serpente que devora a

própria cauda, emblema da prudência e de Saturno [emblema

do infinito, da imortalidade e de Cronos — o Tempo — e não do

Deus Saturno ou do planeta]. É o dragão alado de Medéia, a

The Mysteries of Magic, por A. E. Waite.

serpente dupla do caduceu e o tentador do Gênesis; mas é

também a serpente de bronze de Moisés rodeando o Tau...

finalmente, é o diabo do dogmatismo exotérico, e é, em

verdade, a força cega [não é cega, e Lévi bem o sabia] que as

almas devem vencer a fim de se libertarem das cadeias da

Terra; porque, se o não fizerem, serão absorvidas pelo mesmo

poder que primeiro as produziu, e voltarão ao fogo central e

eterno."

Pareceu, em certo momento, que esse grande Arqueu havia sido

descoberto por e para um só homem — J. W. Keeley, de Filadélfia.

Para outros, no

entanto, esta descoberto, embora deva permanecer quase inútil.

"Até lá chegarás..."

Tudo aquilo é prático e correto, salvo um erro que já explicamos.

Eliphas

Lévi incorre em grave equívoco ao identificar sempre a Luz Astral com o que nós

chamamos Âkâsha.

No volume IV diremos o que ela realmente é.

Mais adiante escreve Eliphas Lévi:

"O Grande Agente Mágico é a quarta emanação do

princípio de vida [nós dizemos que é a primeira no Universo

interno, e a segunda no Universo externo, o nosso], de que o

Sol é a terceira forma... porque o astro do dia [o Sol] não é

mais que o reflexo e a sombra material do verdadeiro Sol

Central que ilumina o mundo intelectual [invisível] do Espírito,

sendo ele próprio um fulgor emanado do Absoluto537."

Ibidem, pág.

70.

Tudo está certo até aqui.

Quando, porém, o mais autorizado dos cabalistas ocidentais acrescenta

que a Luz Astral, entretanto, "não é o Espírito imortal, como acreditaram os

Hierofantes da Índia", nós respondemos que ele calunia estes Hierofantes, que

nunca disseram semelhante coisa; e são as próprias escrituras purânicas exotéricas

que desmentem por completo a imputação.

Nenhum hindu jamais confundiu Prakriti

com o "Espiritual Imortal" — e a Luz Astral está somente um grau acima do plano

inferior de Prakriti, isto é, do Cosmos material.

Prakriti foi sempre havida como Mâyâ, Ilusão, estando fadada a

desaparecer com tudo o mais, inclusive os Deuses, na hora do Pralaya.

E o Âkâsha,

que não é, como vimos, nem mesmo o Éter, com mais forte razão não poderia ser a

Luz Astral.

Os que são incapazes de penetrar além da letra morta dos Purânas

fazem, freqüentemente, confusão entre o Âkâsha, Prakriti, o Éter, e até mesmo o

céu visível.

É verdade que todos quantos traduziram invariavelmente a palavra

Âkâsha por "Éter" — Wilson por exemplo —, vendo que o Âkâsha era chamado "a

causa material do som" (aliás, sua única propriedade), imaginaram, em sua

ignorância, que era "material" no sentido físico.

É verdade ainda que, se as

qualidades características devem ser tomadas literalmente, então — uma vez que

nada de material ou físico, e, portanto, de condicionado e temporal, pode ser imortal

(segundo a metafísica e a filosofia) — a conseqüência seria que o Âkâsha não é

nem infinito nem imortal.

Mas tudo isso está errado, visto que Pradhâna (a Matéria Primordial) e o

Som (como propriedade) foram mal interpretados: a primeira palavra (Pradhâna) é

certamente sinônima de Mûlaprakriti e de Âkâsha, e a segunda (Som) o é de

Verbum, o Verbo ou Logos.

Fácil é demonstrá-lo com o que se lê na seguinte

passagem do Vishnu Purâna538: "Não existia nem dia nem noite, nem céu nem terra,

nem trevas nem luz, nem o que quer que fosse, exceto apenas o Uno, que é

inacessível à inteligência, ou seja, o que Brahman, e Pums (Espírito) e Pradhâna

(Matéria Primordial).

Ora, que é Pradhâna, senão Mûlaprakriti, a Raiz de Tudo, sob outro

aspecto? Porque, conquanto mais adiante ali se mencione que Pradhâna se funde

na Divindade, como todas as coisas, para ficar tão somente o Uno Absoluto, durante

o Pralaya, é aquele considerado como infinito e imortal.

Eis a tradução literal: "Um

Espírito Brahma Prâdhânika: AQUILO era"; e o comentarista interpreta a palavra

composta como um substantivo, e não como um derivado que se empregou à guisa

de atributo, isto é, como "algo unido a Pradhâna".

Deve-se ainda ter presente que o sistema purânico é dualista, e não

evolucionista; e que a esse respeito muita coisa mais se encontrará, do ponto de

vista esotérico, no sistema Sânkhya, e mesmo no Mânava-Dharma-Shâstra, por

muito que este último difira do primeiro.

Assim, Pradhâna, inclusive nos Purânas, é um aspecto de Parabrahman,

não uma evolução, e deve ser idêntico à Mûlaprakriti vedantina.

"Prakriti, em seu

estado primário, é Âkâsha" — diz um sábio vedantino539. É quase a Natureza

abstrata.

O Âkâsha, portanto, é Pradhâna sob outra forma; e como tal não pode ser

o Éter, o agente sempre invisível, que a própria Ciência física corteja.

Não é

tampouco a Luz Astral.

É, como já o dissemos, o númeno do sétuplo Prakriti

Wilson, I, 23-24.       Five Years of Theosophy, pág.

169.

diferenciado540, a sempre imaculada "Mãe" do "Filho" que não tem pai e que se torna

"Pai" no plano manifestado inferior.

Pois Mahat é o primeiro produto de Pradhâna ou

Âkâsha; e Mahat — a Inteligência Universal, "cuja propriedade característica é

Buddhi" — outro não é senão o Logos, dando-se-lhe os nomes de Ishvara, Brahma,

Bhâva etc.541. Em resumo, é o "Criador" ou a Mente Divina em sua função criadora,

a "Causa de todas as coisas". É o "Primogênito"; dizem os Purânas que "a Terra e

Mahat são as fronteiras externa e interna do Universo", ou, em nossa linguagem, os

pólos positivo e negativo da Natureza dual (abstrata e concreta) — e acrescentam:

"Deste modo — assim como as sete formas

[princípios] de Prakriti foram contadas de Mahat para a Terra —

assim, no período da dissolução (elemental) (pratyâhâra),

aqueles sete voltam a entrar sucessivamente uns nos outros.

O

Ovo de Brahma (Sarva — manala) se dissolve com suas sete

zonas (Dvipa), sete oceanos, sete regiões etc542."

São estas as razões por que os Ocultistas não podem dar ao Âkâsha o

nome de Luz Astral ou o de Éter.

A sentença "Na casa de meu Pai há muitas

moradas" pode ser comparada ao provérbio ocultista "Em casa de nossa Mãe há

Na filosofia Sânkhya, os sete Prakritis ou "produções produtivas" são: Mahat, Ahamkâra e os cinco Tanmâtras.

Veja-se Sânkhya Kârikâ, III, e o respectivo comentário.

Veja-se Linga Purâna, Seção Primeira, LXX, 12 e seguintes, e Vâyu Purâna, cap.

IV; mas sobretudo o primeiro Purâna, Seção Primeira, VIII, 67-74.     Vishnu Purâna, livro VI, cap.

VI. Não há por que dizê-lo aos hindus, que sabem de cor os seus Purânas; mas é útil recordar aos nossos orientalistas, e aos ocidentais que consideram como autoridades as traduções de Wilson, que na tradução inglesa do Vishnu Purâna ele incorreu em contradições e erros crassos.

Neste assunto dos sete Prakritis ou das sete zonas do Ovo de Brahma, por exemplo, há duas versões em completa divergência.

No vol.

I, pág.

40, diz-se que o Ovo é revestido exteriormente de sete invólucros.

Wilson interpreta assim: "por Água, Ar, Fogo, Éter e Ahamkâra" — embora não exista a última palavra nos textos sânscritos.

E no vol.

V, pág.

198, do mesmo Purâna, se vê escrito: "Desta maneira foram as sete formas da Natureza (Prakriti), contadas de Mahat para a Terra." (?) Entre Mahat ou Mahâ-Buddhi e "Água etc." a diferença é demasiado grande.

sete moradas" ou planos, o inferior dos quais — a Luz Astral — está acima e ao

redor do nosso.

Os elementos, sejam simples ou compostos, não podem ter permanecido

sempre os mesmos desde o começo da evolução de nossa Cadeia.

No Universo

todas as coisas progridem constantemente durante o Grande Ciclo; e nos ciclos

menores passam sem cessar por fases ascendentes e descendentes.

A Natureza

jamais permanece estacionaria durante o Manvantara; não se limita a ser, mas está

continuamente vindo-a-ser543. A vida mineral, vegetal e animal não pára de adaptar

seus organismos aos Elementos predominantes na ocasião; e por isso aqueles

Elementos eram então apropriados para ela, como o são agora para a vida da

humanidade presente.

Só no decorrer da próxima Ronda — a Quinta — é que o quinto Elemento,

o Éter, o corpo grosseiro do Âkâsha (se assim podemos qualificá-lo), tornando-se

uma coisa familiar da Natureza para todos os homens, como para nós é o ar

atualmente, deixará de ser o "agente" hipotético de tantas coisas, como hoje é

considerado.

E só durante aquela Ronda serão suscetíveis de completa expansão

os sentidos mais elevados, a cujo desenvolvimento e evolução o Âkâsha preside.

Na

Ronda atual, conforme já tivemos oportunidade de dizer, e quando chegar o

momento adequado, é possível que o mundo venha a familiarizar-se com o

conhecimento parcial da Permeabilidade, esta característica da matéria que deverá

desenvolver-se ao mesmo tempo que o sexto sentido.

Mas, com o Elemento

seguinte a ser acrescentado aos nossos recursos durante a próxima Ronda, a

Permeabilidade se tornará uma característica tão manifesta da matéria que as

Também assim é para o grande metafísico Hegel.

Para ele a Natureza é um perpétuo vir-a-ser.

Este é um conceito puramente esotérico.

A Criação ou Origem, no sentido cristão da palavra, é absolutamente inconcebível.

Como diz aquele pensador: "Deus (o Espírito Universal) faz-se objetivo como Natureza, para dela emergir em seguida."

formas mais densas desta Ronda hão de parecer, às percepções do homem, como

um simples obstáculo comparável a um nevoeiro espesso dos nossos tempos.

E agora voltemos ao Ciclo de Vida.

Sem entrar na descrição minuciosa das vidas Superiores, vamos

concentrar a nossa atenção nos Seres terrenos e na própria Terra.

Esta última,

segundo   os   ensinamentos, foi     construída   para   a   Primeira        Ronda   pelos

"Devoradores", que desintegram e diferenciam os germes de outras Vidas nos

Elementos; e é de supor que o façam de modo semelhante ao dos aeróbios, no

estado presente do mundo, quando minam e desorganizam a estrutura química de

um organismo, transformando a matéria animal e dando nascimento a substâncias

de constituição variável.

O Ocultismo repugna, assim, a chamada Idade Azóica da

ciência, mostrando que em tempo algum deixou de existir vida sobre a Terra.

Onde

quer que haja um átomo de matéria, uma partícula ou molécula, ainda que em

estado super-gasoso, aí existe vida, latente ou inconsciente que seja.

Tudo o que deixa o Estado Laya entra na Vida ativa,

e é atraído ao torvelinho do MOVIMENTO [o Dissolvente

Alquímico da Vida]; Espírito e Matéria são dois aspectos do

UNO, que não é nem Espírito nem Matéria, sendo ambos a

VIDA    ABSOLUTA,      latente...   O   Espírito    é    a   primeira

diferenciação do [e no] ESPAÇO; e a Matéria é a primeira

diferenciação do Espírito.

O que não ê nem Espírito nem

Matéria é AQUILO, a CAUSA sem Causa do Espírito e da

Matéria, que são a Causa do Cosmos.

E aquilo, nós O

chamamos a VIDA UNA ou o Sopro Intra-cósmico544.

Repetimos: os semelhantes devem produzir os semelhantes.

A Vida

Absoluta não pode produzir um átomo inorgânico, seja simples ou complexo; e ainda

no estado Laya existe a vida, exatamente do mesmo modo que o homem imerso em

profundo sono cataléptico continua um ser vivente, embora com todas as aparências

de um cadáver.

Quando os "Devoradores" — em que os homens de ciência, se assim o

preferirem, poderão ver, com alguma dose de razão, átomos da Névoa de Fogo, ao

que nada objetarão os ocultistas — quando os "Devoradores", dizíamos, diferenciam

os "Átomos de Fogo", por um processo especial de segmentação, estes últimos se

convertem em Germes de Vida, que se aglutinam de acordo com as leis da coesão e

da afinidade.

Então os Germes de Vida produzem Vidas de outra espécie, que

atuam na estrutura de nossos Globos.

Assim, o Globo, na Primeira Ronda, tendo sido construído pelas primitivas

Vidas de Fogo (isto é, tendo sido formado como esfera), não possuía solidez nem

qualidades, salvo um resplendor frio, sem forma, sem cor; e só no final da Primeira

Ronda é que veio a desenvolver um Elemento, o qual, de Essência simples, e por

assim dizer, inorgânica, se converteu agora, em nossa Ronda, no fogo que nós

conhecemos em todo o Sistema.

A Terra estava em seu primeiro Rûpa, cuja

essência é o Princípio Akhâshico chamado***, a que hoje se dá o nome de Luz

Astral (erroneamente, aliás) e que Eliphas Lévi chama "Imaginação da Natureza",

evitando provavelmente o verdadeiro nome.

Livro de Dzyan, Com.

III, pág.

18.

A respeito da Luz Astral, diz o mesmo Eliphas Lévi em seu Prefácio à

Histoire de Ia Magie:

"É por meio desta força que todos os centros

nervosos se comunicam secretamente entre si; dela nascem a

simpatia e a antipatia; dela provêm os nossos sonhos, e é ela

que provoca os fenômenos da segunda vista e das visões

extra-naturais... A Luz Astral [operando sob o impulso de

vontades poderosas]... destrói, coagula, separa, quebra e

reúne todas as coisas... Deus a criou no dia em que disse:

"Fiat Lux"... É dirigida pelos Egrégoras, isto é, os chefes das

almas, que são os espíritos da energia e da ação545."

Eliphas Lévi devia ter acrescentado que a Luz Astral, ou Substância

Primordial (se é dela realmente que se trata) corresponde ao que, sob o nome de

Luz (Lux), e segundo a explicação esotérica, é o corpo daqueles mesmos Espíritos e

sua própria essência.

Nossa Luz física é a manifestação em nosso plano e a

radiação refletida da Luz Divina que emana do corpo coletivo daqueles que são

chamados "as Luzes" e "as Chamas". Mas nenhum outro cabalista jamais

demonstrou tanto engenho e eloqüência, como Eliphas Lévi, para amontoar

contradição sobre contradição e acumular paradoxo sobre paradoxo, em uma

mesma frase.

Ele conduz o leitor através dos mais encantadores vales, para depois

abandoná-lo sobre um rochedo estéril e deserto.

Diz o Comentário:

Pág.

19.

É por meio das radiações dos sete Corpos das sete

Ordens de Dhyânis que nascem as sete Quantidades Distintas

[Elementos], cujo movimento e união harmoniosa produzem o

Universo manifestado da Matéria.

A Segunda Ronda traz a manifestação do segundo Elemento — o ar, que

asseguraria vida contínua a quem o usasse em estado de pureza.

Na Europa

somente dois ocultistas o descobriram e dele fizeram, em parte, aplicação prática,

embora sua composição sempre fosse conhecida entre os mais altos Iniciados

orientais.

O ozônio dos químicos modernos é veneno, se comparado com o

verdadeiro Dissolvente Universal; e deste nunca se poderia cogitar, se não existisse

na Natureza.

...A partir da segunda Ronda, a Terra — até então

um feto na matriz do Espaço — principiou sua existência real;

já havia ela desenvolvido a Vida individual senciente, seu

segundo Princípio.

O segundo [Princípio] corresponde ao

sexto; o segundo é Vida contínua; o outro, a Vida temporal.

A Terceira Ronda desenvolveu o terceiro Elemento — a ÁGUA; e a quarta

transformou o fluido gasoso e a forma plástica do nosso Globo na esfera material

grosseira, revestida de uma crosta dura, em que hoje vivemos.

"Bhûmi" havia

adquirido seu quarto Princípio.

Pode-se objetar que assim não foi observada a lei de

analogia, em que tanto vimos insistindo.

Puro engano.

Só no fim do Manvantara,

depois da Sétima Ronda, é que a Terra (ao contrário do homem) alcançará sua

verdadeira e definitiva forma — o seu corpo-concha.

Tinha razão Eugênio Filaletos

quando afirmava aos seus leitores, "sob a sua palavra de honra", que ninguém ainda

vira a "Terra", isto é, a Matéria, em sua forma essencial.

O nosso Globo, até agora,

se acha no estado Kâmarûpico, o do Corpo Astral de Desejos do Ahamkâra, o cego

Egotismo, a produção de Mahat no plano inferior.

Não é a matéria, constituída de moléculas — e muito menos o corpo

humano, Shûla Sharira — que é o mais grosseiro de todos os nossos "princípios";

esta qualificação corresponde, na realidade, ao Princípio médio, o verdadeiro centro

animal, sendo o nosso corpo apenas o seu invólucro, o agente e instrumento

irresponsável, por cujo intermédio se manifesta a besta que está em cada um de

nós.

Todo teósofo intelectual compreenderá o que queremos dizer.

Assim, a idéia de

que o tabernáculo humano é construído por Vidas inumeráveis, exatamente como o

foi a crosta rochosa de nossa Terra, em nada repugna aos verdadeiros místicos.

E a

Ciência não tem como objetar ao ensinamento; porque, se o microscópio não pode

jamais descobrir o último átomo vivo ou a última expressão da vida, tal circunstância

não basta para refugar a doutrina.

(c) Ensina a Ciência que nos organismos do homem e do animal, tanto

vivos como mortos, formigam centenas de bactérias de espécies as mais diversas;

que somos ameaçados externamente cada vez que respiramos, com a invasão de

micróbios, e internamente por leucomaínas, aeróbios, anaeróbios e muita coisa

mais.

Mas a Ciência ainda não foi ao ponto de afirmar, como o faz a Doutrina Oculta,

que os nossos corpos, assim como os dos animais, as plantas e as pedras, são

inteiramente formados de semelhantes seres, os quais, com exceção de suas

espécies maiores, não podem ser observados pelo microscópio.

No que se refere à parte puramente animal e material do homem, a

Ciência está a caminho de descobertas que irão corroborar plenamente essa teoria.

A Química e a Fisiologia são os dois grandes magos do futuro, destinados a abrir os

olhos da humanidade para as grandes verdades físicas.

Cada dia que passa mais se

demonstra a identidade entre o animal e o homem físico, entre a planta e o homem,

entre o réptil e a sua furna, a rocha, e o homem.

Pois que há identidade entre os componentes físicos e químicos de todos

os seres, a ciência química pode muito bem concluir que não existe diferença

alguma entre a matéria de que se compõe o boi e a que forma o homem.

Mas a

Doutrina Oculta é muito mais explícita.

Diz ela: não só a composição química é a

mesma, senão que as mesmas Vidas Invisíveis e infinitesimais formam os átomos

dos corpos da montanha e da margarida, do homem e da formiga, do elefante e da

árvore que o abriga do sol.

Toda partícula, chamem-na orgânica ou inorgânica, é uma Vida.

Todo

átomo ou molécula no Universo dá ao mesmo tempo a vida e a morte às formas,

pois constrói, mediante agregação, os universos e os efêmeros veículos destinados

a acolher as almas que transmigram, assim como destrói e muda eternamente as

formas, despedindo as almas de suas habitações provisórias.

Cria e mata, gera e

extermina, traz à existência e aniquila este mistério dos mistérios, que é o corpo

vivente do homem, do animal ou da planta, em cada instante no tempo e no espaço;

engendra igualmente a vida e a morte, a beleza e a fealdade, o bem e o mal, e ainda

as sensações agradáveis e desagradáveis, as benéficas e as maléficas.

É aquela vida misteriosa, representada coletivamente por miríades

incontáveis de Vidas, que segue, em seu próprio caminho, a lei do atavismo, até

aqui incompreensível; que reproduz os traços de família, como também os que

encontra impressos na aura dos geradores de cada ser humano futuro.

Um mistério,

em suma, ao qual dispensaremos maior atenção em outra parte.

Podemos, por

enquanto, dar um exemplo, a título de ilustração.

A ciência moderna começa a descobrir que a ptomaína, o alcalóide

venenoso gerado pela matéria em decomposição e pelos cadáveres (e uma vida

também), extraído com a ajuda do éter volátil, produz um aroma tão penetrante

como o da flor de laranjeira mais louça; mas que, privado de oxigênio, esse mesmo

alcalóide ora deixa evolar-se o mais agradável dos perfumes, que lembra o das

flores mais delicadas, ora exala o mais repulsivo e nauseante dos odores.

Suspeita-

se que aquelas flores devem à ptomaína o seu agradável aroma.

A essência

venenosa de certos fungos é quase idêntica à peçonha da cobra da Índia, a mais

mortífera das serpentes.

Os sábios franceses Arnaud, Gautier e Villiers encontraram

na saliva de homens vivos um alcalóide venenoso igual ao expelido pelo sapo, a

salamandra, a cobra e o trigonocéfalo de Portugal.

Provado está que um veneno dos

mais letais, chame-se ptomaína, leucomaína ou alcalóide, é gerado pelos homens,

animais e plantas vivas.

Gauties também descobriu na carne fresca e nos miolos do

boi um alcalóide e veneno, que ele denominou xantocreatinina, semelhante à

substância extraída da saliva venenosa dos répteis.

Supõe-se que os tecidos

musculares — os mais ativos dos órgãos da economia animal — sejam os geradores

ou fatores de venenos que têm a mesma importância que o ácido carbônico e a

uréia nas funções da vida, e são os produtos finais da combustão interna.

E, muito

embora não esteja ainda de todo positivado que os venenos possam ser gerados

pelo sistema animal dos seres vivos, sem a participação e a intervenção dos

micróbios, é indubitável que o animal produz substâncias venenosas em seu estado

fisiológico, isto é, durante a vida.

Tendo assim descoberto os efeitos, resta à Ciência remontar às causas

primárias.

Não poderá jamais encontrá-las sem o auxílio das ciências antigas, a

alquimia, a física e a química ocultas.

Quanto a nós, sabemos que toda alteração fisiológica, além dos

fenômenos patológicos ou enfermidades — (sem falar na própria vida, ou melhor,

nos fenômenos objetivos da vida, provocados por certas condições e modificações

nos tecidos do corpo, que permitem ou obrigam a ação vital neste último) —,

sabemos que tudo isso se deve àqueles "Criadores" e "Destruidores" invisíveis, aos

quais se dá o nome tão vago e genérico de micróbios.

Poder-se-ia imaginar que

essas Vidas Ígneas e os micróbios da ciência são a mesma coisa.

Não o são.

As

Vidas Ígneas constituem a sétima e a mais elevada subdivisão do plano da

matéria546, e correspondem, no indivíduo, à Vida Una do Universo, ainda que

unicamente nesse plano da matéria.

Os micróbios da ciência estão na primeira e

mais baixa subdivisão do segundo plano, o do Prâna material ou Vida.

O corpo físico

do homem sofre uma completa mudança de estrutura cada sete anos, e a sua

destruição e conservação devem-se às funções alternadas das Vidas ígneas, como

Destruidores e Construtores.

São Construtores sacrificando-se elas próprias, sob a

forma de vitalidade, para conter a influência destruidora dos micróbios; e,

proporcionando a estes o necessário, obrigam-nos, mediante esse freio, a

construírem o corpo material e suas células.

São Destruidores quando o freio

desaparece, e os micróbios, carentes da energia vital para construir, são deixados

O plano da substância física.

em liberdade e se convertem em agentes de destruição.

Assim, durante a primeira

metade da vida do homem, ou seja, nos cinco primeiros períodos de sete anos,

estão as Vidas Ígneas indiretamente ocupadas na construção do corpo material do

homem; a Vida percorre a curva ascendente, com a sua força utilizada para construir

e fazer crescer.

Passado esse período, principia a idade da retrocessão: esgotando-

se a energia no trabalho das Vidas Ígneas, inicia-se a obra da destruição e da

decadência.

Pode ver-se aqui uma analogia com os acontecimentos cósmicos da

descida do Espírito na matéria, durante a primeira metade de um Manvantara (assim

planetário como humano), e sua ascensão na segunda metade, a expensas da

matéria.

Tais considerações são aplicáveis somente ao plano da matéria; mas a

influência restritiva das Vidas Ígneas na ínfima subdivisão do segundo plano (os

micróbios) encontra confirmação no fato, descrito na teoria de Pasteur, de que as

células dos órgãos, quando lhes falta o oxigênio suficiente, se adaptam a esta

situação e fabricam fermentos, os quais, absorvendo oxigênio das substâncias com

que entram em contato, as destroem.

Deste modo começa o processo de destruição

pela célula que priva sua vizinha da fonte de vitalidade, quando é insuficiente a

provisão; e a ruína, uma vez iniciada, segue em progressão constante.

Experimentadores    como    Pasteur   são   os   melhores    amigos    dos

Destruidores, auxiliando-os, e seriam os piores inimigos dos Construtores se estes

últimos não fossem ao mesmo tempo destruidores.

Seja como for, uma coisa é

certa: o conhecimento das causas primárias e da essência última de cada Elemento,

de suas Vidas, suas funções, propriedades e condições de alteração, constitui a

base da magia.

Paracelso foi, durante os últimos séculos da era cristã, talvez o único

ocultista da Europa que estava a par desse mistério.

Se mão criminosa lhe não

houvesse posto termo à vida, antes do tempo que a Natureza lhe assinara, a Magia

fisiológica teria muito menos segredos para o mundo civilizado do que os tem agora.

(d) Mas — poder-se-á perguntar — que tem a ver a Lua com tudo isso?

Que relação têm "o Peixe, o Pecado, e Soma (a Lua)", da frase apocalíptica da

Estância, com os micróbios da vida? Com os micróbios, nada, exceto que estes se

servem do tabernáculo de barro preparado para eles; com o Homem perfeito e

divino, tudo, porque "o Peixe, o Pecado e a Lua constituem, unidos, os três símbolos

do Ser imortal547 Kis tudo o que podemos dizer.

A autora não tem a pretensão de

saber, a respeito desses estranhos símbolos, mais do que o que se pode Inferir das

religiões exotéricas — ou do mistério, talvez, que existe por trás do Avatâra Matsya

(Peixe) de Vishnu, do Oannes caldeu, do Homem-Peixe representado pelo signo

imperecível do Zodíaco, Piseis, e que o Antigo e o Novo Testamento fazem evocar

nas figuras de Josué, "Filho de Num (o Peixe)", e Jesus; do alegórico "Pecado" ou

Queda do Espírito na Matéria; e da Lua, no que se relaciona com os Antepassados

Lunares, os Pitris.

Por enquanto, talvez convenha lembrar ao leitor que, ao passo que os

Deuses Lunares estavam associados, em todas as mitologias, e particularmente na

dos gregos, com os nascimentos, por causa da influência da Lua sobre as mulheres

e sobre a concepção, o liame real e oculto do nosso satélite com a fecundação é até

Nota da tradução francesa (vol.

I, 4.a edição, 1924, pág.

258): Um de nossos companheiros (da Seção Francesa da S. T.), no curso da revisão que se propôs fazer, juntamente com outro, na primeira edição da tradução francesa da Doutrina Secreta, indicou à Sra.

Annie Besant uma retificação para ser levada a efeito nesta obra.

A Sra.

Besant, no número de outubro de 1905, págs.

167-168, da Teosophical Review, aprovou a retificação, manifestando-se nos seguintes termos: "Um distinto correspondente francês me fez observar (a propósito das palavras que terminam a Estância VII, § 5.°, e do comentário de H. P. B. na página 284 da 3ª edição de The Secret Doctrine) que, no tocante à trindade caldéia: Oannes, Sin e Samas — Peixe, Lua, Sol —, seria conveniente substituir a palavra Soma por Samas; e acrescentou ele: 'Isto constitui boa prova de que H.P.B. não compôs nem inventou as Estâncias de Dzyan, que, na realidade, foram por ela recebidas e interpretadas'.".

hoje completamente ignorado pela fisiologia, que considera superstições grosseiras

todas as práticas populares relacionadas com o assunto.

Porque seja inútil discutir o caso em todas as suas minúcias, só de

passagem nos detemos aqui para dizer umas breves palavras sobre a simbologia

lunar e mostrar que aquela superstição faz parte das mais antigas crenças, inclusive

do Judaísmo, que é a base do Cristianismo.

Para os israelitas, a principal função de

Jehovah era a de dar filhos; e o esoterismo da Bíblia, interpretado cabalisticamente,

demonstra, sem sombra de dúvida, que o Sanctum Sanctorum do Templo não era

outra coisa senão o símbolo da matriz.

Isso está hoje provado, de modo

insofismável, pela leitura numérica da Bíblia em geral e do Gênesis em particular.

A

idéia, herdaram-na os Judeus, certamente dos Egípcios e Hindus, pois o "Sanctum

Sanctorum" está simbolizado pela Câmara do Rei na Grande Pirâmide.

Para maior elucidação do assunto, e ao mesmo tempo salientar a enorme

diferença no espírito da interpretação e no significado especial dos aludidos

símbolos entre os antigos ocultistas orientais e os cabalistas judeus, encaminhamos

o leitor à Seção que trata do "Sanctum Sanctorum" no volume IV.

O culto fálico não se desenvolveu senão após a perda das chaves que

davam a real significação dos símbolos.

Foi o último e o mais fatal desvio do

caminho da verdade e do saber divino, para a via lateral da ficção548, alçada à

categoria de dogma por obra da falsificação humana e da ambição hierárquica.

A Sra.

Besant conclui a sua comunicação com estas linhas: "Assim resumo os diversos reparos que o correspondente me dirigiu sobre este assunto.

Os Gregos davam o nome de Oannes, o Eanunu dos Assírios, ao que os Egípcios chamavam Toth, o Deus da Sabedoria, que ensina as artes e as ciências.

Ele flutua no Caos primordial, é o 'Espírito', o Terceiro Logos.

Sin é o Deus Lunar, a Sabedoria, chamado Nannar, o resplandecente, andrógino algumas vezes, e adorado sob o nome de Istar; representa o Segundo Logos.

Samas é o Deus Solar, Adar ou Adra, o Fogo perpétuo, inextingüível, o equivalente caldeu do Primeiro Logos.

A substituição de Soma por Samas seria racional e tornaria inteligível a frase de H.P.B." A aprovação da Sra.

Besant à retificação proposta pareceu-nos útil assinalar e sobretudo inserir aqui.

6. Desde o Primeiro Nascido549, o Fio que une o Vigilante Silencioso

à sua Sombra torna-se mais e mais forte a cada Mutação550. A Luz do Sol da

manhã se transformou no esplendor do meio-dia...

Esta frase: "o Fio que une o Vigilante Silencioso à sua Sombra torna-se

mais e mais forte a cada Mutação" é outro mistério psicológico que encontrará sua

explicação nos volumes III e IV. Por ora bastará dizer que o "Vigilante" e suas

"Sombras" (sendo estas tão numerosas quanto as reencarnações da Mônada) não

constituem mais que um. O Vigilante, ou o Divino Protótipo, ocupa o degrau superior

da escala; a Sombra, o inferior.

Por outro lado, a Mônada de cada ser vivente — a

menos que a torpeza moral deste venha a romper o laço, fazendo-o extraviar-se e

perder-se na "Senda Lunar", consoante a expressão oculta — é um Dhyân Chohan

individual; distinto dos outros, e com uma espécie de individualidade espiritual que

lhe é peculiar, durante um determinado Manvantara.

O seu Princípio Espiritual

(Âtman) é, naturalmente, uno com o Espírito Universal Único (Paramâtman); mas o

Veículo (Vâhan), que é o seu tabernáculo, Buddhi, faz parte integrante daquela

Essência Dhyân-Chohânica.

Nisto é que reside o mistério da ubiqüidade, a que já

nos referimos em páginas anteriores.

"Meu Pai, que está no céu, e eu somos um551"

— diz a Escritura Sagrada dos cristãos; e aqui, pelo menos, ela é o eco fiel do

ensinamento esotérico.

7. "Eis a tua Roda atual" — diz a Chama à Centelha.

“Tu és eu mesma,

minha imagem e minha sombra.

Eu revesti-me de ti, e tu és o meu Vahân552 até

O Primeiro Homem ou o Homem Primitivo.

Reencarnação.

João, X, 30.     Veículo.

o dia 'Sê Conosco', quando voltarás a ser eu mesma, e os outros tu mesma e

eu." (a) Então os Construtores, metidos em sua primeira Vestimenta, descem à

radiante Terra, e reinam sobre os homens — que são eles mesmos... (b).

(a) O dia em que a Centelha retornará à Chama, em que se dará a fusão

do Homem com o seu Dhyân Chohan, "eu mesmo e outros, tu mesmo e eu", como

diz a Estância, significa que no Paranirvâna (quando o Pralaya tiver reconduzido não

só os corpos materiais e psíquicos, mas também os próprios Egos espirituais, ao seu

princípio original) as Humanidades passadas, presentes e até mesmo futuras, assim

como todas as coisas, não formarão mais do que uma só unidade.

Tudo será

reabsorvido pelo Grande Sopro.

Ou, em outras palavras: "Dar-se-á a fusão de tudo

em Brahman", ou seja, na Unidade Divina.

Será isso o aniquilamento, como pensam alguns? Ou é ateísmo,

conforme pretendem outros críticos — os que adoram uma divindade pessoal e

crêem num paraíso anti-filosófico? Nem uma nem outra coisa.

Será mais que inútil

insistir nessa questão de ver um suposto ateísmo no que é espiritualismo no mais

alto sentido.

Supor que o Nirvana é aniquilamento, equivale a considerar também

aniquilado um homem que está imerso em profundo sono, sem sonhos, um destes

sonos que não deixam a mínima impressão na memória e no cérebro físico, por se

achar então o "Eu Superior" da pessoa adormecida em seu estado original de

Consciência Absoluta.

Mas este exemplo corresponde apenas a um aspecto da

questão — o mais material; porque reabsorção não é, de maneira alguma, "um sono

sem sonhos", mas, antes pelo contrário, Existência Absoluta, uma unidade não

condicionada ou um estado que a linguagem humana é de todo incapaz de

descrever.

Estado do qual não se pode formar um conceito aproximado ou parecido

senão mediante as visões panorâmicas da Alma, através das ideações espirituais da

Mônada divina.

Com a reabsorção, não se perde a Individualidade, nem sequer a

essência da Personalidade (se alguma restar). Pois o estado paranirvânico, embora

infinito do ponto de vista humano, tem um limite na Eternidade.

Depois de o haver

alcançado, a Mônada ressurgirá dali como um ser mais perfeito ainda, num plano

muito mais elevado, para recomeçar o seu ciclo de atividade.

A mente humana, em

seu estado atual de desenvolvimento, pode apenas chegar a estas alturas do

pensamento; não pode ir além.

Vacila diante das bordas do Absoluto e da

Eternidade incompreensíveis.

(b) Os "Vigilantes" reinam sobre os homens durante todo o período do

Satya Yuga e dos Yugas menores, até o início da Terceira Raça-Raiz; e são

sucedidos pelos Patriarcas, os Heróis e os Manes, como nas Dinastias egípcias

enumeradas pelos sacerdotes, a Sólon, até o rei Menes e os Reis humanos de

outras nações.

Todos foram cuidadosamente anotados.

Segundo os simbologistas, essa idade poética e mitológica não passa

naturalmente de um conto de fadas.

Mas é de ver que existem, nos anais de todas as nações, crônicas e

tradições que falam daquelas dinastias de Reis Divinos, de Deuses que reinaram

entre os homens, assim como de seus sucessores, os Heróis ou Gigantes.

E é difícil

compreender como seria possível a todos os povos que vivem sob o sol — alguns

separados por vastos Oceanos, e pertencentes a hemisférios opostos — inventar

idênticos "contos de fadas", em que os acontecimentos obedecem à mesma

ordem553.

Seja como for que a Doutrina Secreta ensine a história — a qual, com ser

esotérica e tradicional, não é menos digna de fé que a história profana —, assiste-

nos o direito de sustentar as nossas crenças, tanto quanto um sectário religioso tem

o de sustentar as suas, e um céptico as suas opiniões.

E a Doutrina Secreta diz que os Dhyâni-Buddhas dos dois Grupos

superiores — a saber, os Vigilantes e os Arquitetos — deram reis e chefes divinos às

múltiplas e diferentes Raças.

Os últimos destes governantes ensinaram à

humanidade as artes e as ciências, e os primeiros revelaram as grandes verdades

espirituais dos mundos transcendentes às Mônadas encarnadas que acabavam de

deixar seus veículos nos Reinos inferiores, e haviam, assim, perdido toda lembrança

de sua origem divina.

Desse modo, como diz a Estância, "descem os Vigilantes sobre a radiante

Terra, e reinam sobre os homens, que são eles mesmos". Os Reis concluíram o seu

ciclo na Terra e em outros Mundos, nas Rondas precedentes.

Nos Manvantaras

futuros, eles serão guindados a Sistemas superiores ao nosso Mundo planetário; e o

seu lugar será ocupado pelos Eleitos de nossa humanidade, os Precursores no difícil

e árduo caminho do Progresso.

Os homens do nosso próprio Ciclo de Vida serão, no

próximo grande Manvantara, os instrutores e guias de uma humanidade cujas

Mônadas podem estar agora aprisionadas — semi-conscientes — nos espécimes

mais inteligentes do reino animal, enquanto os seus princípios inferiores animam,

talvez, os exemplares mais elevados do reino vegetal.

Veja-se, por exemplo, a obra Sacred Mysteries among the Mayas and the Quiches, de Auguste Le Plongeon, em que se mostra a identidade dos ritos e crenças do Egito com os dos povos ali descritos.

Os antigos alfabetos hieráticos dos maias e dos egípcios são quase iguais.

Assim marcham os ciclos da evolução setenária, na Natureza Sétupla: a

natureza espiritual ou divina, a psíquica ou semi-divina, a intelectual, a passional, a

instintiva ou "cognicional", a semi-corporal e a puramente material ou física.

Todas

elas evolucionam e progridem ciclicamente, passando de uma para outra, em um

duplo sentido, centrífugo e centrípeto, uno em sua essência última, e sétuplo em

seus aspectos.

Destes, o inferior é, naturalmente, o que depende dos nossos cinco

sentidos, que em verdade são sete, conforme mostraremos mais adiante, baseados

nos mais antigos Upanishads.

Isso em relação às vidas individual, humana,

senciente, animal e vegetal, cada uma delas o microcosmo de seu macrocosmo

superior.

Dá-se o mesmo quanto ao Universo, que se manifesta periodicamente,

tendo por objetivo o progresso em conjunto das Vidas inumeráveis — as expirações

da Vida Una; a fim de que, através do perpétuo Vir-a-ser, cada um dos átomos deste

mesmo Universo infinito, passando do informe e do intangível, pelas complexas

naturezas do "semi-terrestre", à matéria em plena geração, para depois retroceder e

tornar a subir a estados ainda mais elevados e mais próximos da meta final; a fim de

que — repetimos — possa cada átomo alcançar, por meio de esforços e méritos

individuais, aquele estado em que voltará a ser o todo uno e Incondicionado.

Mas,

entre o Alfa e o, Omega, se estende o áspero "Caminho", eriçado de espinhos, que

primeiro se dirige para baixo, e depois

Sobe em espiral para o alto da colina,

Sim, sem cessar, até alcançar o topo...

Ao iniciar a longa viagem, o Peregrino está imaculado; descendo cada

vez mais na matéria pecaminosa, e associando-se a cada um dos átomos do

Espaço manifestado, só depois de chegar ao fundo do vale da matéria, e de haver

lutado e sofrido através de cada uma das formas do ser e da vida, pode ele

identificar-se com a humanidade coletiva: percorreu então a primeira metade do seu

ciclo.

Essa humanidade, ele a fez segundo a sua própria imagem.

A fim de ganhar a

senda do progresso, e subir sempre, até alcançar a sua verdadeira pátria, o "Deus"

tem ainda que escalar, com o sofrimento, o caminho escarpado do Gólgota da Vida.

É o martírio da existência consciente de si mesma.

Como Vishvakarman, tem que

sacrificar-se, ele próprio, para redimir todas as criaturas, para ressuscitar, de entre

as Vidas Múltiplas, a Vida Una.

Então, há a sua real ascensão para os céus, onde

imerge   na   incompreensível    Existência    e   Bem-Aventurança     Absolutas    do

Paranirvâna, e reina incondicionalmente; e de onde voltará a descer na próxima

"Vinda", que uma parte da humanidade, atendo-se à letra morta, espera como o

"Segundo Advento", e outra parte como o último "Kalki Avatar".

RESUMO

"A História da Criação e do Mundo,

desde sua origem até a época presente,

compõe-se de sete capítulos.

O capítulo

sétimo ainda não foi escrito."

T. Subba Row

Esforçamo-nos por escrever o primeiro dos "sete capítulos", e agora o

damos por terminado.

Falha e incompleta que seja a exposição, representa, em todo caso, uma

aproximação — no sentido matemático — do que constitui a base mais antiga de

todas as cosmogonias.

Ousada é a tentativa de expressar em língua européia o

vasto panorama da Lei, que eterna e periodicamente se manifesta; Lei impressa nas

mentes plásticas das primeiras Raças dotadas de Consciência, por aqueles que a

reflitam da Mente Universal.

Empreendimento ousado, porque nenhuma linguagem

humana, com exceção do sânscrito, que é o idioma dos Deuses, permite fazê-lo com

a exatidão suficiente.

Que a intenção, porém, sirva de escusa para os defeitos da obra.

Como conjunto, nem o que precede nem o que deverá seguir-se podem

ser encontrados em parte alguma.

Estes ensinamentos não figuram em nenhuma

das seis escolas filosóficas da Índia, porque em verdade, pertencem a uma sétima

The Theosophist, 1881.

escola, que é a síntese das outras, a saber: a Doutrina Oculta.

E não se acham

escritos em nenhum velho e carunchoso papiro do Egito, nem foram gravados em

ladrilho ou muro de granito da Assíria.

Os Livros da Vedanta — "a última palavra do

saber humano" — apresentam só o aspecto metafísico da cosmogonia do mundo; e

o seu inestimável tesouro, os Upanishads (sendo Upani-shad uma palavra composta

que significa o domínio da ignorância pela revelação do conhecimento secreto e

espiritual), requer hoje a posse de uma chave-mestra, que permita ao estudante

apreender-lhe o sentido em sua plenitude.

A autora pede vênia para dar aqui a

explicação que, a esse respeito, lhe foi transmitida pelo Mestre.

O nome Upanishads é comumente traduzido como "doutrina esotérica".

Esses tratados fazem parte do Shruti ou Conhecimento "revelado" — em uma

palavra, a Revelação — e são geralmente anexados à parte bramânica dos Vedas,

como sua terceira divisão.

"[Ora,] os Vedas possuem duas significações bem

distintas: uma expressa pelo sentido literal das palavras, a

outra indicada pelo metro e o svara (entonação), que são como

que a vida dos Vedas... É claro que os sábios pandits e os

filósofos negam que o svara tenha alguma relação com a

filosofia ou as antigas doutrinas esotéricas.

Mas a misteriosa

conexão existente entre svara e luz é um de seus mais

profundos segredos555."

T. Subba Row, Five Years of Theosophy, pág.

154.

Os orientalistas enumeram 150 Upanishads e consideram os mais antigos

como escritos provavelmente uns 600 anos antes de nossa Era.

Mas os textos

autênticos não correspondem nem à quinta parte daquele número.

Os Upanishads são para os Vedas o que a Cabala é para a Bíblia dos

judeus.

Expõem a explicam a significação secreta e mística dos textos védicos.

Tratam da origem do Universo, da natureza da Divindade, do Espírito e da Alma, e

também da relação metafísica entre a Mente e a Matéria.

Em resumo: CONTÊM o

princípio e o fim de todo o conhecimento humano; mas cessaram de o REVELAR

desde os tempos de Buddha.

De outra forma, não poderiam os Upanishads ser

considerados esotéricos, já que hoje se acham integrando os Livros Sagrados

bramânicos, ao alcance de qualquer pessoa, inclusive dos Mlechchhas (os sem

casta) e dos orientalistas europeus.

Mas há, em todos os Upanishads, indícios constantes e invariáveis de sua

antiga origem, e que provam: (a) que algumas de suas partes foram escritas antes

de o sistema de castas transformar-se na instituição tirânica que ainda perdura; (b)

que a metade de seus textos foi eliminada, sendo que alguns foram reescritos e

abreviados.

"Os grandes Mestres do Conhecimento Superior e os brâmanes vão ali

constantemente aos reis Ksha-triyas (casta militar) para se tornarem seus

discípulos”. Observa com muita justeza o Professor Cowell que os Upanishads

"respiram um espírito completamente diferente (do de outros escritos bramânicos),

uma liberdade de pensamento que se não vê em nenhuma obra anterior, salvo nos

próprios hinos do Rig Veda". O segundo fato se explica por uma tradição registrada

em um dos manuscritos que se referem à vida de Buddha: a de que os Upanishads

foram originariamente anexados aos Brâhmanas no início de uma reforma que

conduziu ao exclusivismo do atual sistema de castas entre os brâmanes, alguns

séculos após a invasão da Índia pelos "Duas vezes nascidos". Os textos estavam

completos naquela época e serviram para instruir os Chelas que se preparavam.

para a Iniciação.

Assim foi enquanto os Vedas e os Brâhmanas permaneceram como

propriedade única e exclusiva dos brâmanes do templo, enquanto ninguém mais,

estranho à casta sagrada, tinha o direito de estudá-los ou até mesmo de os ler.

Surgiu então Gautama, o Príncipe de Kapilavastu.

Tendo aprendido toda a

sabedoria bramânica dos Rahasya ou dos Upanishads, e vendo que os

ensinamentos mui pouco ou nada diferiam dos ministrados pelos "Mestres da Vida",

residentes nas montanhas nevadas dos Himalaias556, o Discípulo dos brâmanes,

não se conformando em que a Sabedoria Sagrada fosse negada a todos, com

exceção destes últimos, resolveu divulgá-la, a fim de salvar o mundo inteiro.

E

então os brâmanes, ante a iminência de verem cair os seus Conhecimentos

Sagrados e a sua Sabedoria Oculta nas mãos dos Mlechchhas, encurtaram e

resumiram os textos dos Upanishads, que em sua origem continham três vezes a

matéria dos Vedas e Brâhmanas reunidos; e o fizeram sem mudar uma só palavra

dos textos.

Destacaram simplesmente dos manuscritos as partes mais importantes,

aquelas onde se achava a última palavra sobre o Mistério da Existência.

A chave

do código secreto dos brâmanes ficou, daí em diante, na posse exclusiva dos

Iniciados; e eles puderam, assim, negar publicamente a exatidão dos ensinamentos

de Buddha, invocando os Upanishads, em que se guardava perpétuo silêncio a

respeito das questões principais.

Tal é a tradição esotérica de além-Himalaia.

Também chamados "Filhos da Sabedoria" e da "Névoa de Fogo", e "Irmãos do Sol", nos Anais chineses.

Consta dos manuscritos da biblioteca sagrada da província de Fo-Kien, que Si-dzang (Tibete) é a grande sede da sabedoria oculta, desde tempos imemoriais, muito anteriores a Buddha.

Conta-se que o imperador Yu, o "Grande" (2207 anos antes de nossa Era), místico piedoso e grande Adepto, adquiriu sua sabedoria dos "Grandes Mestres das Montanhas Nevadas" em Si-dzang.

Sri Shankarâcharya, o maior Iniciado que viveu nos tempos históricos,

escreveu muitos Bhâshyas (Comentários) acerca dos Upanishads.

Mas os seus

tratados originais, como há razões para crer, ainda não caíram nas mãos dos

filisteus, pois são conservados ciosamente nos mosteiros (mathams). E existem

razões ainda mais ponderosas para acreditar-se que os preciosos Bhâshys sobre a

Doutrina Esotérica dos brâmanes, de autoria do maior de seus expositores,

continuarão sendo, por muitos séculos, letra morta para a maior parte dos hindus,

exceto para os brâmanes Smârtavas.

Esta seita, fundada por Shankarâcharya, e de

muita influência ainda na Índia Meridional, é atualmente a única que produz

estudantes com discernimento bastante para compreender a letra morta dos

Bhâshyas.

Isso porque, segundo a informação que tivemos, são os únicos que

contam, de quando em quando, com verdadeiros Iniciados na direção de seus

"mathams", como, por exemplo, no Shringa-giri dos Ghats ocidentais de Misore.

Por outro lado, não existe, nessa casta tão intransigentemente exclusivista dos

brâmanes, seita mais fechada que a dos Smârtavas; e a reticência de seus

membros, quanto a dizerem algo sobre os seus conhecimentos da ciência oculta e a

Doutrina Secreta, somente pode ser igualada ao seu saber e à sua altivez.

Eis por que a autora da presente exposição deve esperar, desde logo,

que as suas afirmativas encontrem a mais viva oposição e sejam até mesmo

desmentidas.

Não é que exista qualquer pretensão à infalibilidade ou à exatidão

absoluta em tudo o que se diz nesta obra.

Mas, em razão das dificuldades inerentes

aos assuntos versados e às limitações quase insuperáveis da língua inglesa, como

de todos os demais idiomas europeus, para a expressão de certas idéias, é mais

que provável não tenha a autora conseguido dar melhor e mais clara forma às suas

explicações; sendo certo que ela fez tudo o que podia, em tão desfavoráveis

circunstâncias — e mais não se pode exigir de nenhum escritor.

Recapitulemos, para mostrar quanto é difícil, senão impossível, fazer

completa justiça aos temas ora interpretados, tal a sua magnitude:

1º. A Doutrina Secreta é a Sabedoria acumulada dos séculos, e a sua

cosmogonia, por si só, é o mais prodigioso e acabado dos sistemas, ainda que

velado, como se encontra, no exoterismo dos Purânas.

Mas tal é o poder misterioso

do simbolismo oculto que os fatos, que ocuparam a atenção de gerações

inumeráveis de videntes e profetas iniciados, para os coordenar, classificar e

explicar, durante as assombrosas séries do progresso evolutivo, estão todos

registrados em algumas poucas páginas de signos geométricos e de símbolos.

A

visão cintilante daqueles Iniciados foi até ao próprio âmago da matéria, descobriu e

perscrutou a alma das coisas, ali onde um observador comum e profano, por mais

arguto que fosse, não teria percebido senão a tessitura externa da forma.

Mas a

ciência hodierna não crê na "alma das coisas", e por isso repugnará todo o sistema

da cosmogonia antiga.

É inútil dizer que tal sistema não é o fruto da imaginação ou

da fantasia de um ou mais indivíduos isolados; que se constitui dos anais

ininterruptos de milhares de gerações de videntes, cujas experiências cuidadosas

têm concorrido para verificar e comprovar as tradições, transmitidas oralmente de

uma a outra raça primitiva, acerca dos ensinamentos de Seres superiores e excelsos

que velaram sobre a infância da Humanidade.

Durante muitos séculos, os "Homens Sábios" da Quinta Raça,

pertencentes ao grupo sobrevivente que escapou do último cataclismo e das

convulsões dos continentes, passaram a vida aprendendo, e não ensinando, Como

o faziam? Examinando, submetendo a provas e verificando, em cada um dos

departamentos   da   Natureza,      as    tradições     antigas,    por meio das   visões

independentes dos grandes Adeptos, isto é, dos homens que desenvolveram e

aperfeiçoaram, no mais alto grau possível, seus organismos físico, mental, psíquico

e espiritual.

O que um Adepto via só era aceito depois de confrontado e comprovado

com as visões de outros Adeptos, obtidas em condições tais que lhes conferissem

uma evidência independente — e por séculos de experiências.

2º. A Lei fundamental do sistema, o ponto central de onde tudo surgiu e

para onde tudo converge e gravita, e sobre o qual repousa toda a sua filosofia, é o

princípio substancial, Uno, Homogêneo, Divino: a Causa Radical Única.

... Alguns, cujas lâmpadas tinham mais brilho,

Foram guiados, de uma causa a outra causa,

Ao manancial secreto da Natureza:

E viram que deve existir

Um Princípio primordial...

Chama-se     "Princípio        Substancial"     porque,     convertendo-se   em

"Substância" no plano do Universo manifestado (que não passa de uma ilusão),

continua a ser um "Princípio" no Espaço visível e invisível, abstrato, sem começo

nem fim.

É a Realidade onipresente; impessoal, porque imanente em tudo e em

cada uma das coisas.

Sua impessoalidade é o conceito fundamental do sistema.

Está latente em cada átomo do Universo; e é o próprio Universo557.

3º. O Universo é a manifestação periódica daquela Essência Absoluta e

desconhecida.

Dar o nome de "Essência" é, contudo, pecar contra o espírito mesmo

da filosofia.

Porque, embora seja aqui o substantivo um derivado do verbo esse,

"ser", não pode haver identificação com nenhuma espécie de "seres" concebíveis

pela inteligência humana.

Define-se melhor dizendo que AQUILO não é Espírito nem

Matéria, mas ambos ao mesmo tempo.

Parabrahman e Mûlaprakriti são na realidade

UM, se bem que apareçam como Dois no conceito Universal do Manifestado,

inclusive no do Logos UNO, ou "Manifestação" primeira, em que — como explica o

sábio autor das "Notas sobre o Bhagavad Gitâ" — "aquilo" surge objetivamente

como Mûlaprakriti, e não como Parabrahman; como o seu Véu, e não como a

Realidade Una, que está por trás e é incondicionada e absoluta.

4º. O Universo, com tudo o que nele se contém, é chamado Mâyâ porque

nele tudo é temporário, desde a vida efêmera do pirilampo até a do sol.

Comparado

à eterna imutabilidade do UNO e à invariabilidade daquele Princípio, o Universo,

com suas formas transitórias e sempre cambiantes, certamente não parecerá, ao

espírito de um filósofo, valer mais que um fogo-fátuo.

Entretanto, o Universo é

suficientemente real para os seres conscientes que o habitam, e que são tão

ilusórios quanto ele próprio.

5º. Tudo no Universo, em todos os seus reinos, é consciente, isto é,

dotado de uma consciência que lhe é peculiar em seu próprio plano de percepção.

Devemos capacitar-nos de que, só porque nós, humanos, não percebemos sinal

algum de consciência na pedra, por exemplo, não é isso razão para concluirmos que

Veja-se o Vol.

II, Parte II, Seção III, "A Substância Primordial e o Pensamento Divino".

nenhuma consciência existe ali.

Não há matéria "morta" ou "cega", como não há

também Lei "cega" ou "inconsciente". Na Filosofia Oculta não há lugar para

conceitos que tais; ela não se preocupa jamais com as aparências exteriores; para

ela têm mais realidade as essências numênicas que suas contrapartidas objetivas.

Assemelha-se neste ponto aos nominalistas da Idade Média, para quem os

universais eram as realidades, e os particulares só existiam nominalmente e na

imaginação do homem.

6º. O Universo é elaborado e dirigido de dentro para fora.

O que está em

baixo é como o que está em cima, assim no céu como na terra; e o homem,

microcosmo e cópia em miniatura do macrocosmo, é o testemunho vivo desta Lei

Universal e do seu modus-operandi.

Observamos que todo movimento externo, ação

ou gesto, quer seja voluntário ou mecânico, mental ou orgânico, é precedido e

produzido por um sentimento ou emoção interna, pela vontade ou volição, e pelo

pensamento ou mente.

Pois que nenhum movimento ou alteração exterior, quando é

normal, se pode verificar no corpo externo do homem, sem que o provoque um

impulso interno, comunicado por uma daquelas três funções, assim também sucede

no Universo externo ou manifestado.

Todo o Cosmos é dirigido, vigiado e impulsionado por uma série quase

interminável de Hierarquias de Seres sencientes, cada qual com uma missão a

cumprir, e que — seja qual for o nome que lhes dermos, Dhyân-Chohans ou Anjos

— são os "Mensageiros" (exclusivamente no sentido de agentes das Leis Cármica e

Cósmica). Variam ao infinito os seus respectivos graus de consciência e de

inteligência; e chamar Espíritos Puros a todos eles, sem qualquer toque terrestre,

aquele toque "que o tempo costuma imprimir em suas presas", é simplesmente uma

licença poética.

Porque cada um destes Seres — ou foi um homem num Manvantara

anterior, ou vai sê-lo no atual ou em Manvantara futuro.

Quando não são homens incipientes, são homens aperfeiçoados; e, em

suas esferas superiores e menos materiais, não diferem moralmente dos seres

humanos terrestres senão em que se acham livres do sentimento da personalidade e

da natureza emocional humana — duas características puramente terrenas.

Os últimos, isto é, os "aperfeiçoados", estão para sempre libertos daquele

sentimento, porquanto: (a) já não possuem corpos carnais, este peso que entorpece

a Alma; (b) não encontrando obstáculos o elemento espiritual puro, ou estando mais

livre, são menos influenciados por Mâyâ que o homem, a não ser que este seja um

Adepto,   isto   é,   capaz   de   manter    completamente   separadas   suas   duas

personalidades (a espiritual e a física).

As Mônadas incipientes, por nunca terem possuído corpos humanos, não

podem experimentar nenhum sentimento de personalidade ou de Ego--ismo.

Sendo

o que se entende por personalidade uma limitação e uma relação, ou, conforme a

definiu Coleridge, "a individualidade existente por si mesma, tendo, porém, uma

natureza como base", a palavra não pode obviamente aplicar-se a entidades não-

humanas; mas, tal como o atestam gerações de Videntes, nenhum daqueles seres,

superiores ou inferiores, possui individualidade ou personalidade como Entidade

separada, no sentido em que o homem afirma: "Eu sou eu, e não outro."

Por outras palavras, eles não têm consciência daquele separatividade tão

característica que se observa nos homens e nas coisas da terra.

A Individualidade é

um traço distintivo de suas respectivas Hierarquias, e não de suas unidades; e esse

traço varia somente com a categoria do plano a que pertencem as mesmas

Hierarquias: quanto mais próximo da região da Homogeneidade e do Divino, tanto

mais pura e menos acentuada é a Individualidade da Hierarquia.

São seres finitos

sob todos os aspectos, salvo no tocante aos seus princípios superiores (as

Centelhas imortais, que refletem a Chama Divina Universal); individualizados e

separados tão-só nas esferas da Ilusão, por uma diferenciação que é tão ilusória

quanto o resto.

São "Seres Viventes", porque são correntes projetadas da Vida

Absoluta sobre a tela cósmica da Ilusão; Seres nos quais a vida não pode extinguir-

se antes que esteja extinto o fogo da ignorância naqueles que sentem essas "Vidas".

Tendo surgido a existência sob a influência vivificante do Raio incriado — reflexo do

grande Sol central que cintila sobre as praias do Rio da Vida — há neles o Princípio

Interno, que pertence às Águas da imortalidade, embora a sua vestimenta

diferenciada seja tão perecível como o corpo do homem.

Tinha, pois, razão Young ao dizer que:

Os Anjos são homens de uma ordem superior... e nada mais.

Não são os Anjos "ministros" nem "protetores", não são tampouco

"Arautos do Altíssimo", e muito menos os "Mensageiros da Ira" de Deus, criados

pela imaginação do homem.

Pedir a proteção deles é tão insensato quanto supor

que se possa captar-lhes a simpatia mediante qualquer espécie de propiciação; pois

eles, do mesmo modo que os homens, são criaturas sujeitas à imutável Lei Cármica

e Cósmica.

A razão é óbvia.

Não possuindo nenhum elemento de personalidade em

sua essência, não podem ter nenhuma das qualidades pessoais que os homens

atribuem, nas religiões exotéricas, ao seu Deus antropomórfico — um Deus

ciumento e exclusivista que se regozija e se enraivece, que se compraz com os

sacrifícios e que é mais despótico em sua vaidade do que qualquer homem estulto e

finito.

O homem, sendo um composto das essências de todas aquelas

Hierarquias celestes, pode, como tal, alcançar um grau superior, em certo sentido,

ao de qualquer uma das Hierarquias ou Classes ou de suas combinações

respectivas.

Está escrito: "O homem não pode nem propiciar nem comandar os

Devas." Mas, paralisando sua personalidade inferior, e chegando assim ao pleno

conhecimento da não-separatividade entre o seu Eu Superior e o ser Absoluto pode

o homem, até mesmo durante a sua vida terrestre, tornar-se como "Um de Nós". De

modo que, alimentando-se com o fruto do conhecimento que dissipa a ignorância, o

homem se converte em um dos Elohim ou Dhyânis; e, uma vez no plano destes, o

espírito de Solidariedade e de perfeita Harmonia que reina em todas as Hierarquias

deve estender-se a ele e protegê-lo em todos os sentidos.

A principal dificuldade que impede aos homens de ciência crer nos

espíritos divinos, assim como nos espíritos da Natureza, está no seu materialismo.

E

o maior obstáculo a que os espiritistas acreditem naquelas entidades, ao passo que

conservam uma fé cega nos "Espíritos" dos mortos, é a ignorância geral em que se

acha todo o mundo (exceto alguns ocultistas e cabalistas) quanto à verdadeira

essência da Matéria.

É da aceitação ou não da teoria da Unidade de tudo na

Natureza, em sua essência última, que depende principalmente a crença ou a

incredulidade da existência, ao nosso redor, e outros seres conscientes além dos

espíritos dos mortos.

É na exata compreensão da Evolução primitiva do Espírito-

Matéria, e de sua essência real, que deve o estudante apoiar-se para a gradual

elucidação da Cosmogonia Oculta, sendo esse o único índice seguro que pode guiá-

lo em seus estudos ulteriores.

Em verdade, conforme vimos de mostrar, cada um dos chamados

"Espíritos" é ou um homem desencarnado ou um homem futuro.

Porque, desde o

mais elevado Arcanjo (Dhyân-Chohan) até o último Construtor consciente (a classe

inferior das Entidades Espirituais), todos estes são homens que viveram em outros

Manvantaras, em evos passados, nesta ou em outras Esferas; e os Elementais

inferiores, semi-inteligentes e não-inteligentes, são todos homens futuros.

Para o ocultista, a circunstância de um Espírito ser dotado de inteligência

representa, por si só, a prova de que este Ser foi um homem, havendo adquirido

essa inteligência e o seu conhecimento através do ciclo humano.

No Universo só

existe uma Onisciência e Inteligência indivisível e absoluta, que vibra em cada um

dos átomos e dos pontos infinitesimais de todo o Cosmos — do Cosmos que não

tem limites e ao qual se dá o nome de Espaço, considerado independentemente de

todas as coisas nele contidas.

Mas a primeira diferenciação do seu reflexo no Mundo

manifestado é puramente Espiritual, e os Seres nela gerados não são providos de

uma consciência que tenha qualquer relação com a consciência que nós

conhecemos.

Não podem possuir consciência ou inteligência humana senão

adquirindo-a pessoal e individualmente.

Será, talvez, um mistério; não deixa, porém,

de ser um fato para a Filosofia Esotérica, e até um fato dos mais aparentes.

A ordem inteira da Natureza atesta que há uma progressiva marcha que

tende para uma vida superior.

Existe um plano ou desígnio na ação das forças,

inclusive aquelas que parecem as mais cegas.

O processo integral da evolução, com

suas adaptações intermináveis, é uma prova disso.

As leis imutáveis que eliminam

as espécies fracas, para dar lugar às fortes, e que asseguram "a sobrevivência dos

mais aptos", por cruéis que sejam em sua ação imediata, cooperam todas no sentido

da grande meta final.

O fato mesmo de que ocorrem adaptações, de que os mais

aptos são os que sobrevivem na luta pela existência, demonstra que a chamada

"Natureza inconsciente" é, na realidade, um complexo de forças manejadas por

seres semi-inteligentes (Elementais), sob a direção de Elevados Espíritos

Planetários (Dhyân-Chohans), que formam coletivamente o Verbo manifestado do

Logos Não-manifestado, constituindo ao mesmo tempo a Mente do Universo e sua

Lei imutável.

A Natureza, tomada em seu sentido abstrato, não pode ser "inconsciente",

sendo, como é, a emanação da Consciência Absoluta e, portanto, um de seus

aspectos no plano da manifestação.

Onde está aquele que se atreve a negar ao

vegetal, e mesmo ao animal, uma consciência própria? Tudo o que ele pode dizer é

que essa consciência transcende os limites de sua compreensão.

Três distintas representações do Universo, em seus três aspectos

distintos, são impressas em nosso pensamento pela Filosofia Esotérica: o

Preexistente, o Sempre Existente (do qual promanou o primeiro) e o Fenomenal (o

mundo da ilusão, o reflexo, a sombra do anterior). Durante esse grande mistério,

esse grande drama da vida, que nós conhecemos pelo nome de Manvantara, o

Cosmos real é como os objetos colocados atrás de uma tela branca, sobre a qual

projetam sombras.

Os personagens e os objetos verdadeiros permanecem invisíveis,

enquanto os fios condutores da evolução são manejados por mãos também

invisíveis.

Os homens e as coisas representam apenas os traços deixados sobre o

fundo branco pelo reflexo das realidades dissimuladas por trás das redes de

Mahâmâyâ, a Grande Ilusão.

Assim o ensinaram todas as filosofias e todas as

religiões, pré-diluvianas como pós-diluvianas, na Índia e na Caldéia; assim o

ensinaram os sábios da China e os da Grécia.

Nos dois primeiros países aqueles

três Universos eram simbolizados, nos ensinamentos exotéricos, pelas três

Trindades que emanam do eterno Germe central e com ele constituem uma Unidade

Suprema: a Tríade inicial, a manifestada e a criadora, ou os Três em Um. A última

não é senão o símbolo, em sua expressão concreta, das duas primeiras, que são

ideais.

Aí está por que a Filosofia Esotérica supera a necessidade desta concepção

puramente metafísica, e só ao primeiro Universo chama o Sempre Existente.

Tal é a

opinião de cada uma das seis grandes escolas da filosofia hindu558 — os seis

princípios daquele corpo--unidade da Sabedoria, do qual a Gnose, o Conhecimento

oculto, é o sétimo.

A autora destas linhas espera que, por superficial que tenha sido a

elaboração dos comentários das Sete Estâncias, seja o suficiente, nesta parte

cosmogônica da obra, para mostrar que os ensinamentos arcaicos são, em sua

própria esfera, mais científicos (no moderno sentido da palavra) do que outra

qualquer Escritura antiga, considerada e julgada no seu aspecto exotérico.

Como, porém — e já o declaramos anteriormente —, esta obra silencia

muito mais coisas do que as que expõe, convidamos o estudante a que utilize sua

própria intuição.

O nosso principal escopo é esclarecer alguns ensinamentos que já

vieram à luz, por vezes mui incorretamente, a nosso pesar; suplementar com

informações adicionais, se e quando possível, os conhecimentos antes sugeridos, e

defender a nossa doutrina dos ataques violentos do sectarismo hodierno, e mui

especialmente do Materialismo destes últimos tempos, tantas vezes rotulado

erroneamente de Ciência, quando em verdade só as palavras "sábios" e "semi-

sábios" deveriam ter a responsabilidade das inúmeras teorias ilógicas apresentadas

ao mundo.

Em sua grande ignorância, o público, ao mesmo tempo que aceita

cegamente tudo o           que    provém das "autoridades",   e   julga   de seu   dever

considerar como fato comprovado todo ditame oriundo de um homem de ciência; o

Nyâya, Vaishishika, Sânkhya, Ioga, Mimâmsâ e Vedanta.

público, dizíamos, habituou-se a zombar de tudo o que dimana de fontes "pagãs".

Por esse motivo, e como os sábios materialistas só podem ser combatidos com suas

próprias armas — as da controvérsia e da discussão —, julgamos conveniente

inserir em cada volume um Apêndice559, em que são contrastadas as respectivas

opiniões         para     mostrar       como       até        as   grandes   autoridades   podem   errar

freqüentemente.

Acreditamos que seja útil e eficaz pôr em relevo os pontos fracos

de nossos adversários e demonstrar como os seus repetidos sofismas, que se

pretende passar por dieta científico, são inexatos.

Nós nos apoiamos em Hermes e

na "Sabedoria" hermética, em seu caráter universal; eles se apóiam em Aristóteles,

contra a intuição e a experiência dos séculos, imaginando que a verdade é

propriedade exclusiva do mundo ocidental.

Daí a divergência.

Disse Hermes: "O

conhecimento difere muito da razão, porque a razão pertence ao que está acima

dela; mas o conhecimento é o termo da razão", isto é, o fim da ilusão de nosso

cérebro físico e de sua inteligência; sublinhando assim fortemente o contraste entre

o saber laboriosamente adquirido por meio dos sentidos e da mente (Manas) e a

onisciência intuitiva da Alma Espiritual e Divina (Buddhi).

Seja qual for a sorte reservada a este trabalho em um futuro distante,

esperamos haver provado os seguintes fatos pelo menos:

1º. A Doutrina Secreta não ensina o Ateísmo, salvo no sentido expresso

pela voz sânscrita Nâstika, ou repúdio dos ídolos, inclusive todo o qualquer Deus

antropomórfico.

Nesta acepção, todos os ocultistas são Nâstikas.

2º. Ela admite um Logos, ou um "Criador" coletivo do Universo; um

Demiurgo, no mesmo sentido em que se fala de um "Arquiteto" como "Criador" de

Veja-se o Vol.

II, Parte III, e o Vol.

IV, Parte III.

um edifício, muito embora o Arquiteto nunca houvesse tocado em uma pedra sequer,

mas simplesmente elaborado o plano, deixando todo o trabalho manual ao cuidado

dos operários.

Em nosso caso, foi o plano traçado pela Ideação do Universo, e a

obra da construção entregue às Legiões de Forças e de Potestades inteligentes.

Mas aquele Demiurgo não é uma Divindade pessoal, isto é, um Deus extra-cósmico

imperfeito, e sim a coletividade dos Dhyân-Chohans e das demais Forças.

3º. Os Dhyân-Chohans possuem um caráter dual, sendo compostos de

(a) a Energia bruta, irracional, inerente à Matéria; e (b) a Alma Inteligente ou

Consciência Cósmica, que guia e dirige aquela energia, e que é o Pensamento

Dhâyn-Chohânico, refletindo a ideação da Mente Universal.

Daí resulta uma série

perpétua de manifestações físicas e de efeitos morais sobre a Terra, durante os

períodos manvantáricos, estando tudo subordinado ao Carma.

Como tal processo

nem sempre é perfeito; e como, por muitas que sejam as provas de existir uma

Inteligência diretora por trás do véu, nem por isso deixa de haver defeitos e lacunas,

rematando muitas vezes em insucessos evidentes; segue-se que nem a Legião

coletiva   (Demiurgo), nem qualquer das Potências que atuam, individualmente

consideradas, comportam honras e cultos divinos.

Todos têm, no entanto, direito à

reverência e à gratidão da Humanidade; e o homem deve sempre esforçar-se por

ajudar a evolução divina das Idéias, tornando-se, na medida de seus recursos, um

colaborador da Natureza em sua tarefa cíclica.

Só o incognoscível Karana, a Causa

sem Causa de todas as causas, deve ter o seu santuário e o seu altar no recinto

sagrado e inviolável do nosso coração; invisível, intangível, não mencionado, salvo

pela "voz tranqüila e silenciosa" de nossa consciência espiritual.

Os que o adoram

devem fazê-lo na quietude e na solidão sacrossanta de suas Almas; de modo que o

Espírito de cada um seja o único mediador entre eles e o Espírito Universal, não

tendo por sacerdotes senão as suas boas ações, e sendo as suas tendências

pecaminosas as únicas vítimas expiatórias visíveis e tangíveis, oferecidas em

holocausto à Presença.

"E, quando orares, não sejas como os hipócritas... mas entra em tua

câmara interna e, fechando a porta, ora a teu pai que está em segredo560." Nosso

Pai se acha dentro de nós "em segredo": é o nosso Sétimo Princípio, que está na

"câmara interna" da percepção de nossa Alma.

O "Reino de Deus" e do Céu está em

nós — disse Jesus — e não fora.

Por que são os cristãos assim tão cegos ao

significado evidente das palavras de sabedoria, que se comprazem em repetir

mecanicamente?

4º. A Matéria é Eterna.

É o Upâdhi ou a Base Física, de que se serve a

Mente Universal para nela construir as suas Ideações.

Por isso, sustentam os

esoteristas que não há matéria inorgânica ou "morta" na Natureza; que a distinção

feita pela Ciência entre matéria orgânica e matéria inorgânica é tão infundada

quanto arbitrária e irracional.

Seja qual for o pensamento da Ciência — e a Ciência

exata é mulher volúvel, como todos nós sabemos pela experiência —, o Ocultismo

sabe e ensina coisa diferente, como sempre o fez desde tempos imemoriais —

desde Manu e Hermes até Paracelso e seus sucessores.

Assim falou Hermes, o Três vezes Grande:

"Oh! filho meu! a matéria evolve; primeiramente era;

porque a matéria é o veículo para a transformação.

Vir-a-ser é

o modo de atividade do Deus incriado que tudo prevê.

Havendo

sido dotada com o germe do que virá a ser, a matéria [objetiva]

Mateus, VI, 5-

é conduzida ao nascimento, porque é modelada pela força

criadora segundo as formas ideais.

A Matéria, ainda não

gerada, não tinha forma; ela evolve quando é posta em

ação561."

A excelente tradutora e compiladora dos Fragmentos Herméticos, Dra.

Anna Kingsford, consigna a explicação em uma de suas notas:

"O Dr. Ménard observa que a mesma palavra em

grego significa nascer e vir a ser.

A idéia é esta: o material

que compõe o mundo é eterno em sua essência, mas, antes da

criação ou do "vir a ser", se acha em uma condição passiva ou

imóvel.

'Era', portanto, antes de ser posta em ação; agora 'vem

a ser', evolve, ou seja, é móvel e progressiva."

E acrescenta a Dra.

Anna Kingsford a seguinte doutrina — puramente

vedantina — da filosofia hermética:

"A Criação é, por conseguinte, o período de

atividade [Manvantara] de Deus, que, segundo o pensamento

hermético [ou: de AQUELE que, segundo o vedantino], tem

dois modos: Atividade ou Existência, Deus em evolução (Deus

explicitus); e Passividade do Ser (Pralaya), Deus em involução

(Deus implicitus). Ambos os modos são perfeitos e completos,

Veja-se Hermes Trismegisto, trad.

francesa de Louis Rénard, 1867, Livro IV, cap.

VIII, pág.

250.

como o são os estados de vigília e de sono, no homem.

Fichte,

o filósofo alemão, descrevia o Ser (Sein) como Uno, que só

conhecemos por meio da existência (Dasein), como o Múltiplo.

Este ponto de vista é inteiramente hermético.

As "Formas

Ideais”...   são    as    idéias-arquétipos     ou   formativas   dos

neoplatônicos; os conceitos eternos e subjetivos das coisas

existentes na Mente Divina antes da "criação" ou do vir a

ser562."

Ou, como na filosofia de Paracelso:

"Todas as coisas são o produto de um esforço

criador universal... Nada existe morto na Natureza Tudo é

orgânico e vivo, e por isso o mundo inteiro parece ser um

organismo vivente563."

5º. O Universo desabrolhou do seu plano ideal, mantido através da

Eternidade na Inconsciência do que os Vedantinos chamam Parabrahman.

Esta

proposição é praticamente idêntica às conclusões da mais elevada filosofia

ocidental: "As Idéias inatas, eternas e existentes por si mesmas" de Platão hoje

retomadas por Von Hartmann.

O "Incognoscível" de Herbert Spencer tem apenas

uma débil semelhança com aquela Realidade transcendente em que acreditam os

ocultistas, e que parece, muitas vezes, tão-só a personificação de "uma força oculta

por trás dos fenômenos", uma Energia infinita e eterna, da qual todas as coisas

The Virgin of the World, tradução da Dra.

Anna Kingsford, págs.

134-5.       Paracelsus, Franz Hartmann, M.D., pág.

44.

procedem; ao passo que o autor da Filosofia do Inconsciente se aproxima muito

mais (apenas sob este aspecto) da solução do grande Mistério, tanto quanto a um

mortal é dado fazê-lo. Raros foram os que, na filosofia antiga como na da Idade

Média, ousaram tratar desse tema ou sequer sugeri-lo. Paracelso o menciona

incidentemente, e suas idéias estão admiravelmente sintetizadas pelo Dr. Franz

Hartmann, M.S.T., no seu livro Paracelsus, que há pouco citamos.

Todos os cabalistas cristãos bem compreenderam o pensamento básico

oriental.

O Poder ativo, o "Movimento Perpétuo do Grande Sopro", desperta o

Cosmos na aurora de cada novo Período, pondo-o em ação por meio das duas

Forças contrárias, a centrípeta e a centrífuga, que são o masculino e o feminino, o

positivo e o negativo, o físico e o espiritual; ambas constituindo a Força Primordial

una, e deste modo tornando-a objetiva no plano da Ilusão.

Em outras palavras, esse

duplo movimento transfere o Cosmos do plano do Ideal eterno ao da manifestação

finita, ou do plano Numênico ao Fenomenal.

Tudo o que é, foi e será EXISTE

eternamente, inclusive as inumeráveis Formas, que são finitas e perecíveis tão-

somente em seu aspecto objetivo, mas não em seu aspecto ideal.

Eles existiram

como Idéias na Eternidade, e, quando desaparecerem, subsistirão como Reflexos.

O Ocultismo ensina que nenhuma forma pode ser conferida ao que quer

que seja, pela Natureza ou pelo homem, sem que já exista o seu tipo ideal no plano

subjetivo.

Mais ainda: que nenhuma forma ou figura pode penetrar na consciência

do homem, ou desenvolver-se em sua imaginação, sem preexistir como protótipo, ao

menos como aproximação.

Nem a forma do homem, nem as de qualquer animal,

planta ou pedra, foram jamais "criadas"; e só em nosso plano é que começaram a

"vir a ser", isto é, a objetivar-se em seu presente estado material, ou a expandir-se

de dentro para fora: desde a essência mais sublimada e supra-sensível até o seu

aspecto mais denso.

Assim, as nossas formas humanas já existiam na Eternidade como

protótipos astrais ou etéreos; e foi por estes modelos que os Seres Espirituais ou

Deuses — cuja missão era trazê-los à existência objetiva e à vida terrestre —

desenvolveram, de sua própria essência, as formas protoplasmáticas dos Egos

futuros.

Depois, quando pronto esse Upâdhi ou modelo-base humano, as Forças

terrestres naturais começaram a operar sobre aqueles modelos supra-sensíveis, que

continham, além de seus elementos próprios, os de todas as formas vegetais do

passado e animais do futuro neste Globo.

Portanto, o invólucro exterior do homem

passou por cada um dos corpos vegetais e animais, antes de assumir a forma

humana.

Como tudo isto vai ser descrito minuciosamente nos Comentários dos

volumes III e IV, não há necessidade de nos alongarmos mais sobre o assunto.

Segundo a filosofia hermética e cabalística de Paracelso, o Yliaster ou

protomatéria (antecessor do Protilo recentemente introduzido na química pelo Sr.

Crookes) fez brotar de si mesmo o Cosmos.

"Quando se deu a criação [evolução], o Yliaster se

dividiu; ele se fundiu e se dissolveu, por assim dizer, fazendo

brotar [de dentro] de si mesmo o Ideos ou Caos (Mysterium

Magnum, Iliados, Limbus Major ou Matéria Primordial). Esta

Essência Primordial é de natureza monística e se manifesta

não só como atividade vital ou força espiritual, poder oculto,

incompreensível e indescritível, mas também como a matéria

vital de que se compõe a substância de todos os seres vivos.

Nesse Limbus ou Ideos de matéria primordial... única matriz de

todas as coisas criadas, acha-se contida a substância de todas

as coisas.

Descrevem-no os antigos como o Caos... de onde

surgiu a existência o Macrocosmo, e depois cada ser

separadamente,        por   divisão    e   evolução      nos    Mysteria

Specialia564. Todas as coisas e todas as substâncias dementais

nele estavam contidas in-potentia, mas não in-actu565."

A isso observa com razão o tradutor, Dr. Franz Hartmann, que "parece

haver-se Paracelso adiantado de três séculos na descoberta da potencialidade da

matéria".

Esse Magnus Limbus ou Yliaster de Paracelso é, pois, nada menos que o

nosso velho amigo "pai-Mãe", dentro, antes de aparecer no Espaço566. É a Matriz

Universal do Cosmos, personificada sob o duplo aspecto de Macrocosmo e

Microcosmo (ou o Universo e o nosso Globo)567 por Aditi-Prakriti, a Natureza

espiritual e física.

Assim é que vemos explicado em Paracelso que:

"O Magnus Limbus é o viveiro de onde saíram todas

as criaturas — do mesmo modo que de uma semente

minúscula se desenvolve uma árvore; com a diferença, porém,

de que o grande Limbus tem sua origem na Palavra de Deus,

A palavra Mysterium é assim explicada pelo Dr. Hartmann, segundo os textos de Paracelso, que ele tinha diante de si: De acordo com o eminente Rosacruz, "Mysterium é tudo aquilo que é capaz de desenvolver algo que aí se acha apenas em estado de germe.

Uma semente é o Mysterium de uma planta, o ovo é o de um pássaro etc."     Op. cit., págs.

41-42.     Veja-se a Estância II etc.

Foram somente os cabalistas da Idade Média que, seguindo o exemplo dos judeus e de um ou dois neoplatônicos, aplicaram o termo Microcosmo ao homem.

A filosofia antiga chamava à Terra o Microcosmo do Macrocosmo, e considerava o homem o produto dos dois.

ao passo que o Limbus menor (a semente ou o esperma

terrestre) o tem na Terra.

O grande Limbus é o germe de onde

saíram todos os seres, e o pequeno Limbus é cada ser final

que reproduz a sua forma, depois de ter sido produzido pelo

grande.

O pequeno possui todas as qualidades do grande, no

mesmo sentido em que um filho tem um organismo semelhante

ao do pai... Quando... Yliaster se dissolveu, Ares, o poder

divisor, diferenciador e individualizador [Fohat, outro velho

amigo]... começou a atuar.

Toda a produção se realizou como

conseqüência da separação.

Do Ideos saíram os elementos

Fogo, Água, Ar e Terra, cujo nascimento, todavia, não ocorreu

de modo material ou por simples separação, mas espiritual e

dinamicamente [nem mesmo por combinações complexas,

como a mistura mecânica, oposta à combinação química], à

semelhança do fogo que brota de uma pederneira ou da árvore

que surge de uma semente, embora originariamente não

houvesse fogo na pedra nem árvore na semente.

'O Espírito é

vivente, e a Vida é Espírito; e a Vida e o Espírito [Prakriti-

Purusha?] produzem todas as coisas, mas são, em essência,

um e não dois...' Os elementos também possuem, cada qual,

seu próprio Yliaster, porque toda a atividade da matéria, em

cada forma, não é senão um eflúvio da mesma fonte.

Mas,

assim como da semente brotam as raízes com suas fibras,

depois o tronco com seus ramos e suas folhas, e por fim as

flores e as sementes, do mesmo modo todos os seres

provieram dos Elementos e se compõem de substâncias

elementares, que podem dar nascimento a outras formas, com

os caracteres de seus pais568. Os Elementos, mães de todas as

criaturas, são de uma natureza invisível e espiritual, e

possuem alma569 Todos eles brotam do Mysterium Magnum."

Compare-se com o Vishnu Purâna:

"De Pradhâna [a Substância Primordial], presidida por Kshetrajna ["o

espírito encarnado"?], provém o desenvolvimento desigual (Evolução) dessas

qualidades... Do grande Princípio (Mahat), a Inteligência [Universal, ou a Mente]...

procede a origem dos elementos sutis e dos órgãos do sentido570..."

Pode-se assim demonstrar que todas as verdades fundamentais da

Natureza eram universais na antigüidade, e que as idéias gerais sobre o Espírito, a

Matéria e o Universo, ou sobre Deus, a Substância e o Homem, eram idênticas.

Estudando as duas filosofias religiosas mais antigas do mundo, o hinduísmo e o

hermetismo, facilmente se reconhece a sua identidade.

Isto se torna evidente a quem lê a última tradução dos "Fragmentos

Herméticos", que anteriormente citamos e que se deve à nossa amiga cuja perda

deploramos, a Dra.

Anna Kingsford.

Embora os textos hajam sido mutilados e

deturpados em sua passagem por mãos sectárias gregas e cristãs, soube a

"Essa doutrina, exposta há trezentos anos" — observa o tradutor —, "é Idêntica à que revolucionou o pensamento moderno, depois de transformada e elaborado por Darwin.

É também a de Kapila, na filosofia Sânkhya."     O Ocultismo oriental diz que são guiados e impulsionados por Seres Espiritual, os Operários dos mundos invisíveis, por detrás do véu da Natureza Oculta, nu Natureza in abscondito.

Wilson, I, II (vol.

I, pág.

35).

tradutora, com muito engenho e intuição, senhorear os pontos obscuros, procurando

clareá-los por meio de explicações e notas.

Diz ela:

"A criação do mundo visível pelos 'deuses ativos' ou

Titãs, como agentes do Deus Supremo571, é uma idéia

puramente hermética, que se depara em todos os sistemas

religiosos, e que se harmoniza com as modernas investigações

científicas (?), quando estas nos mostram o Poder Divino

atuando em toda parte por meio das Forças naturais."

Citemos da mesma tradução:

"Este Ser Universal, que está em tudo e tudo

contém, põe em movimento a alma e o mundo, tudo o que a

Natureza encerra.

Na unidade múltipla da vida universal, as

inumeráveis individualidades, que se distinguem por suas

variações, são, contudo, unidas de maneira tal que o conjunto

é uno, e tudo procede da Unidade572."

Vemos ainda, em outra tradução:

É uma expressão freqüente nos "Fragmentos" e à qual nos opomos.

A Mente Universal não é um Ser ou "Deus".     The Virgin of the World, pág.

47; "Asclépios", parte primeira.

"Deus não é uma Mente, mas a causa da existência

da Mente; não é um Espírito, mas a causa do Espírito; não é a

Luz, mas a causa da Luz573."

Estas palavras mostram claramente que o "Divino Pimandro", apesar de

alterado em algumas passagens com certos "polimentos" cristãos, foi escrito por um

filósofo, ao passo que a maior parte dos "Fragmentos Herméticos" é obra de

sectários pagãos que manifestavam tendência em admitir um Ser Supremo

antropomórfico.

Contudo, são as duas obras o eco da Filosofia Esotérica e dos

Purânas hindus.

Comparem-se duas invocações, uma dirigida ao "Todo Supremo"

hermético, e a outra ao "Todo Supremo" dos arianos posteriores.

Diz um fragmento

hermético citado por Suídas:

"Eu te imploro, oh Céu! obra sacrossanta do grande

Deus; eu te imploro, Voz do Pai, pronunciada no princípio,

quando o mundo universal foi formado; eu te imploro, pelo

Verbo, Filho único do Pai, que sustenta todas as coisas; sê

propício, sê propício574."

Essa invocação é precedida pelo seguinte

"Assim, a Luz Ideal existia antes da Luz Ideal, e a

Inteligência luminosa da Inteligência existiu sempre, e sua

Divine Pymander, IX, pág.

64.       The Virgin of the World, pág.

153.

unidade não era senão o Espírito envolvendo o Universo.

Fora de quem [do qual] não há Deus, nem Anjos, nem outra

qualquer essência,, porque Ele [Aquilo] é o Senhor de

todas as coisas, e o Poder e a Luz: e tudo depende d'Ele

[Aquilo], e esta n'Ele [Aquilo]."

Mas o próprio Trismegisto contradiz esse conceito, quando diz

"Falar de Deus é impossível.

Pois o corpóreo não

pode exprimir o incorpóreo... O que não possui corpo, nem

aparência, nem forma, nem matéria, não pode ser percebido

pelos sentidos.

Eu compreendo, Tatios, eu compreendo que o

impossível de definir, isso é Deus575."

A contradição entre os dois trechos é evidente, e demonstra: (a) que

Hermes era um pseudônimo genérico, adotado por uma série de gerações de

místicos de todos os matizes; e (b) que é preciso usar de muita ponderação e

discernimento antes de aceitar um daqueles fragmentos como preceito esotérico,

tão-só em razão de sua inegável antigüidade.

Compare-se agora o que ficou transcrito com uma invocação do mesmo

gênero que se encontra nas Escrituras hindus — sem dúvida tão antigas, senão

muito mais, do que os tais fragmentos.

Parâshara, o "Hermes" ariano, instrui a

Maitreya, o Asclépios hindu, e invoca a Vishnu em sua tríplice hipóstase:

Op. cit., págs.

139-140. Fragmento de "Phwsical Eclogues" e "Florilegium" de Stobaeus.

"Glória a Vishnu, o imutável, o eterno, o supremo,

aquele cuja natureza é universal, o todo-poderoso; a ele, que é

Hiramyagarbha, Hari e Shankara [Brahma, Vishnu e Shiva], o

criador, o preservador e o destruidor do mundo; a Vâsudeva, o

libertador (de seus adoradores); a ele, cuja essência é ao

mesmo tempo simples e múltipla, sutil e corpórea, contínua e

descontínua; a Vishnu, causa da emancipação final.

Glória ao

supremo Vishnu, causa da criação, da existência e do fim deste

mundo; que é a raiz do mundo, e que o encerra576."

É uma invocação grandiosa, que contém um profundo sentido filosófico;

mas, para as massas profanas, sugere um Ser antropomórfico, tal como a oração

hermética.

Devemos respeitar o sentimento que ditou a ambas; entretanto, não

podemos deixar de considerá-las em completo desacordo com o seu significado

oculto, e até mesmo com o expresso no referido traindo hermético, onde se diz:

"Trismegisto: A realidade, filho meu, não é deste

mundo, nem pode sê-lo... Nada é real sobre a terra; só existem

aparências... Ele [o Homem] não é real, filho meu, como

homem.

O real consiste unicamente no real, e permanece

sendo o que é... O homem é transitório, e portanto não é real;

não é mais que aparência, e aparência é a suprema ilusão.

Tatios: Então, meu Pai, não são reais os corpos

celestes, pois que também variam?

Vishnu Purâna, I, II, Wilson, I, págs.

13-15.

Trismegisto: O que está sujeito ao nascimento e à

transformação não é real... Há neles uma certa falsidade,

porque são também variáveis...

Tatios: E que é, então, ó meu Pai, a Realidade

Primordial?

Trismegisto: Quem [O que] é único e só, ó Tatios!

Quem [O que] não é feito de matéria, nem está em corpo

algum.

Quem [O que] não tem cor riem forma, não muda nem é

transmitido, mas que É sempre577."

O que está inteiramente conforme ao ensinamento vedantino.

A idéia

principal está oculta; e muitas são as passagens dos Fragmentos Herméticos que

pertencem à Doutrina Secreta.

Esta última ensina que todo o Universo é regido por Forças e Poderes

inteligentes e semi-inteligentes, como desde o início assinalamos.

A Teologia cristã

admite e até impõe semelhante crença, mas estabelece uma divisão arbitrária entre

esses Poderes, chamando-os "Anjos" e "Demônios". A Ciência nega a existência de

ambos, e ridiculariza a idéia.

Os espiritistas crêem nos "Espíritos dos Mortos", não

admitindo, além destes, nenhuma outra espécie ou classe de seres invisíveis.

Os

ocultistas e os cabalistas são, portanto, os únicos intérpretes          racionais   das

antigas tradições, que agora culminaram na fé dogmática de uns e na negativa não

menos dogmática de outros.

Porque ambos os lados, a fé e a incredulidade, não

abrangem senão um modesto ângulo dos horizontes infinitos das manifestações

espirituais e físicas; e ambos têm razão, cada qual em seu restrito ponto de vista,

Op. cit., págs.

135-138.

mas deixam de tê-la quando julgam poder circunscrever o todo dentro de seus

próprios e acanhados limites especiais — porque jamais o conseguirão.

Sob este

aspecto, a Ciência, a Teologia e até mesmo o Espiritismo não denotam mais

sabedoria que o avestruz, quando esconde a cabeça na areia aos seus pés,

julgando que nada mais existe além do seu próprio ponto de observação e da

reduzida área ocupada por sua obtusa cabeça.

Como as únicas obras que atualmente existem sobre o assunto ora

examinado, ao alcance do profano pertencente às raças "civilizadas" do Ocidente,

são os livros, ou melhor, os Fragmentos Herméticos já mencionados, nós podemos,

no presente caso, compará-los com os ensinamentos da Filosofia Esotérica.

Citar

outras obras com o mesmo objetivo seria inútil, pois que o público nada sabe acerca

dos livros caldeus que, traduzidos para o árabe, se acham em mãos de alguns

Iniciados sufis.

Devemos recorrer, para a comparação, às "Definições de Asclépios",

tais como foram recentemente compiladas e comentadas pela Dra.

Anna Kingsford,

M.S.T.; algumas de suas sentenças coincidem de maneira notável com a Doutrina

Esotérica oriental.

Apesar de não serem poucas as passagens em que se observa a

impressão inconfundível de um dedo cristão posterior, as características dos Gênios

e dos Deuses são ali, de um modo geral, as dos ensinamentos orientais, ainda que,

no tocante a outros pontos, haja proposições que se distanciam largamente de

nossas doutrinas.

Em relação aos Gênios, os filósofos herméticos chamavam Theoi

(Deuses), Gênios e Daimones às entidades que nós denominamos Devas (Deu ses),

Dhyân-Chohans,      Chitkala   (o   Kwan-Yin   dos   budistas)   etc.

Os   Daimones

correspondem (no sentido socrático e ainda no sentido teológico, oriental e latino)

aos espíritos tutelares da raça humana, "aqueles que moram na vizinhança dos

imortais, de onde velam sobre as coisas humanas", como disse Hermes.

Esotericamente são chamados Chitkala, alguns dos quais são os que deram ao

homem, de sua própria essência, os princípios quarto e quinto, e outros são os

chamados Pitris.

Explicaremos isto quando chegarmos à produção do homem

completo.

A raiz do nome é Chit, "aquilo que determina a escolha, para o uso da

alma, das conseqüências das ações e das espécies de conhecimentos"; ou seja: a

consciência, a voz interior do homem.

Entre os Yogis, Chit é sinônimo de Mahat, a

Inteligência primeira e divina; mas, na Filosofia Esotérica, Mahat é a raiz de Chit, o

seu germe, e Chit578 é uma qualidade de Manas em conjunção com Buddhi, uma

qualidade que atrai a si, por afinidade espiritual, um Chitkala, quando se desenvolve

suficientemente no homens.

Eis por que se diz que Chit579 é uma voz que adquire

vida mística, convertendo-se em Kwan-Yin.

EXCERTOS DE UM COMENTÁRIO PRIVADO MANTIDO EM SEGREDO                           ATÉ AGORA

XVII.

A Existência Inicial, na primeira aurora do

Mahâmanvantara [após o Mahâpralaya que sucede a cada

Idade de Brahmâ], é uma qualidade espiritual consciente.

Nos

mundos manifestados [Sistemas Solares], ela é, em sua

Subjetividade Objetiva, qual a nuvem de um Sopro Divino, aos

olhos do vidente em êxtase.

Saindo do Laya581, difunde-se pelo

Conhecer, ser sabedor ou consciente     Chitti: juízo, compreensão, sabedoria.

Este ensinamento não se refere a Prakriti-Purusha além dos limites de nosso pequeno Universo.

O estado de quietação final; a condição Nirvânica do Sétimo Princípio.

Infinito como um fluido espiritual incolor.

Esta no Sétimo plano

e em seu Sétimo Estado, em nosso Mundo Planetário582.

XVIII.

É Substância para nossa visão espiritual.

Não

pode ser assim chamada pelos homens em seu estado de

vigília; e, por isso, em sua ignorância, a denominaram "Espírito

de Deus".

XIX.

Existe em toda a parte e forma o primeiro

Upâdhi [Fundação] sobre o qual nosso Mundo [Sistema Solar]

foi construído.

Fora deste último, só se pode encontrar, em sua

prístina pureza, entre [os Sistemas Solares ou] as Estrelas do

Universo, os mundos já formados ou em via de formação;

permanecendo em seu seio, entretanto, os que ainda se acham

em Laya.

Como sua substância difere da que se conhece na

Terra, os habitantes desta última, vendo através dela, crêem,

em sua ilusão e ignorância, que é um espaço vazio.

Em todo o

Ilimitado [Universo], não existe sequer a espessura de um dedo

de espaço vazio...

XX. A Matéria ou Substância é setenária em nosso

mundo, como também o é além dele.

Cada um de seus

estados ou princípios possui, ainda, sete graus de densidade.

Sûrya [o Sol], em seu reflexo visível, exibe o primeiro grau, ou o

inferior dos sete estados, que é a ordem mais elevada da

presença Universal, o puro entre os puros, o primeiro Sopro

manifestado do Sempre Não-Manifestado Sat [Asseidade].

Todo este ensinamento é ministrado em nosso plano de consciência.

Todos os Sóis centrais físicos ou objetivos são, em sua

substância, o estado inferior do primeiro princípio do Sopro.

Nenhum deles é mais que o Reflexo de seus Primários, que se

acham ocultos à vista de todos, menos à dos Dhyân-Chohans,

cuja substância corpórea pertence à quinta divisão do sétimo

princípio da Substância-Mãe e é, portanto, quatro graus mais

elevada que a substância solar refletida.

Assim como existem

sete    Dhâtu    (substâncias     principais    no   corpo     humano),

do.mesmo modo existem Sete Forças no Homem e na

Natureza inteira.

XXI.

A essência real do [Sol] Oculto é um núcleo

da Substância-Mãe583.         E o Coração é a Matriz de todas as

Forças vivas e existentes em nosso Universo Solar.

É o Centro

de onde se disseminam, em suas jornadas cíclicas, todos os

Poderes que põem em ação os Átomos, no exercício de suas

funções, e o Foco no qual se reúnem de novo em sua Sétima

Essência, de onze em onze anos.

Se alguém te contar que viu

o Sol, zomba dele584, como se houvesse dito que o Sol se

move realmente em seu curso diurno... XXIII.

É por causa da

natureza setenária do Sol que os antigos a ele se referem

dizendo que é arrastado por sete cavalos, como nos versos dos

Vedas; ou, ainda, que, apesar de identificado com os sete

Ganas [Classes de Seres], em sua revolução, ê distinto

Ou seja: o "sonho da Ciência", a verdadeira matéria primordial homogênea, que nenhum mortal pode tornar objetiva nesta Raça, nem mesmo na presente Ronda.

“Vishnu, em sua forma de energia ativa,, nunca se levanta nem se põe, e é ao mesmo tempo o Sol sétuplo e distinto dele" — diz o Vishnu Purana, II, XI (Wilson, II, XI, 296).

destes585, como em verdade o é; e também que possui sete

Raios, como efetivamente possui...

XXV.

Os Sete Seres que estão no Sol são os Sete

Sagrados, nascidos por si mesmos em virtude do poder

inerente à Matriz da Substância-Mãe.

São eles que enviam as

sete Forças principais, chamadas Raios, que no começo do

Pralaya se concentrarão em sete novos Sóis para o próximo

Manvantara.

A energia, da qual elas surgem à existência

consciente em cada Sol, é o que alguns chamam Vishnu, que é

o SOPRO DO ABSOLUTO.

Nós lhe chamamos a Vida Una Manifestada —

também ela é um reflexo do Absoluto.

XXVII.

Nunca se deve mencionar este último em

palavras ou em frases, PARA QUE NÃO ARREBATE

ALGUMAS DE NOSSAS ENERGIAS ESPIRITUAIS, que

aspiram ao seu estado, gravitando sempre para ELE

espiritualmente     e    de   modo    progressivo,     como    gravita,

cosmicamente, todo o universo físico para o seu centro

manifestado.

XXVIII.

A primeira (a Existência Inicial), que se pôde

denominar, durante esse estado de existência, a VIDA UNA, é,

conforme se explicou, um véu para objetivos de criação ou

formação.

Ela se manifesta em sete estados, os quais, com as

"Assim como um homem, ao aproximar-se de um espelho colocado sobre um móvel, contempla nele a sua própria imagem, da mesma forma a energia (ou reflexo) de Vishnu (o Sol) nunca se encontra separada, mas permanece no Sol (como num espelho que ali estivesse colocado)." (Ibid., loc.

cit.)

subdivisões setenárias, constituem os Quarenta e Nove Fogos

a que se referem os livros sagrados.

XXIX.

O primeiro é a "Mãe" [MATÉRIA Prima].

Subdividindo-se em sete estados primários, vai descendo por

ciclos; quando se consolida como matéria densa586, gira em

torno de si mesma, e anima, com a sétima emanação do

último, o primeiro e inferior elemento [a serpente que morde a

própria cauda]. Em uma Hierarquia, ou Ordem de Existência, a

sétima emanação do seu último princípio é:

(a) No Mineral, a Centelha que nele se acha latente, sendo

chamada à sua transitória vida pelo Positivo que desperta o

Negativo [e assim sucessivamente] ...

(b) Na Planta, é aquela Força vital e inteligente que anima a

semente e a faz desabrolhar na folha de uma erva, numa raiz

ou num rebento.

É o germe que se converte no Upâdhi dos

sete princípios do ser em que habita, exteriorizando-os à

medida que o último cresce e se desenvolve.

(c) N Animal, ela procede do mesmo modo.

É o seu Princípio

de Vida e a sua força vital; o seu instinto e as suas qualidades;

as suas características especiais p as suas idiossincrasias.

(d) Ao Homem, ela dá tudo aquilo que concede às demais

unidades manifestadas da Natureza; mas nele desenvolve, a

mais, o reflexo de todos os seus "Quarenta e Nove Fogos"...

Compare-se com a "Natureza" hermética descendo ciclicamente na matéria, ao encontrar o "Homem Celeste".

Cada um de seus sete princípios ê o herdeiro universal dos

sete princípios da "Grande Mãe", e deles participa.

O sopro de

seu primeiro princípio ê o seu Espírito [Âtmâ]. Seu segundo

princípio é Buddhi [Alma]; nós o classificamos erroneamente

como sétimo.

O terceiro lhe proporciona a Matéria Cerebral, no

plano físico, e a Mente, que a movimenta [ que é a Alma

Humana — H.P.B.] segundo suas características orgânicas.

(e) É a Força diretora dos Elementos cósmicos e terrestres.

Reside no Fogo, convertido do estado latente em existência

ativa; pois todas as sete subdivisões do. . . princípio residem no

Fogo terrestre.

Rodopia com a brisa, sopra com o furacão e

põe em movimento o ar, elemento que também participa de um

dos seus princípios.

Procedendo por ciclos, regula o movimento

da água, atrai e repele as ondas587, de acordo com leis fixas,

das quais o seu sétimo princípio ê a alma animadora.

(f) Seus quatro princípios superiores contêm o Germe dos que

virão a ser os Deuses Cósmicos; seus três princípios inferiores

produzem as Vidas dos Elementos [Elementais].

(g) Em nosso Mundo Solar, a Existência Una é o Céu e a Terra,

a Raiz e a Flor, a Ação e o Pensamento.

Está no Sol e também

no pirilampo.

Nem um só átomo lhe pode escapar.

É por isso

que os antigos sábios a chamaram, com toda a razão, o Deus

manifestado na Natureza...

Os autores das linhas acima conheciam perfeitamente a causa física das marés, das ondas, etc.

O Comentário se refere ao Espírito que anima todo o corpo solar cósmico; sempre que usadas expressões semelhantes, do ponto de vista místico, o significado é o mesmo.

Talvez seja interessante aproveitar esta oportunidade para lembrar ao

leitor o que T. Subba Row disse a respeito dessas Forças, definidas misticamente:

"Kanyâ [o sexto signo do Zodíaco, ou Virgo] significa

uma virgem e representa Shakti ou Mahâmâyâ.

O signo em

apreço é o sexto Râshi ou divisão, e indica a existência de seis

forças primordiais na Natureza [sintetizadas pela Sétima]..."

Os Shâktis se apresentam na seguinte ordem:

"1º. Parâshakti — Literalmente, a grande ou

suprema força.

Significa e inclui os poderes da luz e do calor.

2º.   Jnânashakti   —   Literalmente,   o   poder    da

inteligência, da sabedoria ou verdadeiro conhecimento.

Tem

dois aspectos:

I. Eis algumas de suas manifestações, guando colocado sob a

influência ou o domínio de condições materiais: (a) o poder da

mente para interpretar as nossas sensações; (b) seu poder

para recordar idéias passadas (memória) e dar origem a

expectativas futuras; (c) o poder que resulta do que os

psicólogos modernos chamam "leis de associação" e que

permite à mente formar relações persistentes entre Vários

grupos de sensações e de possibilidades de sensações,

gerando assim a idéia ou noção de um objeto externo; (d) o

poder de relacionar nossas idéias umas com as outras por

meio do laço misterioso da memória, fazendo surgir deste

modo a noção do eu ou da individualidade.

II. Eis agora algumas de suas manifestações, quando se liberta

dos liames da matéria:

(a) Clarividência; (b) Psicometria.

3º. Ichchhâshakti — Literalmente, o poder da

vontade.

Sua manifestação mais comum é a geração de certas

correntes nervosas, que põem em movimento os músculos

necessários para executar as determinações da vontade.

4º.   Kriyâshakti   —    O    misterioso   poder   do

pensamento, que lhe permite produzir resultados externos,

fenomenais, perceptíveis, graças à energia que lhe é inerente.

Sustentavam os antigos que uma idéia qualquer se manifestará

exteriormente se a atenção for concentrada intensamente nela.

Da mesma forma, uma volição intensa será seguida da

realização do desejo.

É por meio de Ichchhâskti e de Kriyâshakti que o

Iogue geralmente consegue realizar os seus prodígios.

5º. Kundalini Shakti — O poder ou a força que se

move segundo uma trajetória curva ou serpentina.

É o Princípio

Universal de Vida que se manifesta por toda a parte na

Natureza.

Esta força abrange as duas grandes forças de

atração e repulsão.

A eletricidade e o magnetismo são apenas

duas de suas manifestações.

É o poder que leva a efeito

aquele "acordo contínuo das relações internas com as relações

externas", que é a essência da vida, segundo Herbert Spencer,

e o "acordo contínuo das relações externas com as relações

internas", que é o fundamento da transmigração das almas,

Punarjanman (Renascimento), nas doutrinas dos filósofos

hindus.

O Iogue deve subjugar por completo esta força,

antes de poder alcançar Moksha.

6º. Mantrikâshakti — Literalmente, a força ou o poder das

letras, da palavra ou da música.

Todo o antigo Mantra Shâstra

se ocupa desta força e de suas manifestações... A influência da

música é uma de suas manifestações mais comuns.

O poder

maravilhoso do nome inefável é o coroamento deste Shakti.

Só em parte tem a Ciência moderna investigado a

primeira, a segunda e a quinta das forças que acabamos de

mencionar; quanto às demais, é, porém, total a sua ignorância.

As tais forças são representadas, em sua unidade,

pela Luz Astral.

[Daiviprakriti, a Sétima, é a Luz do Logos.]588"

Fizemos a transcrição acima para mostrar quais são as verdadeiras idéias

hindus sobre este assunto.

Tudo isso é de caráter esotérico, não correspondendo,

entretanto, nem à décima parte do que se poderia dizer.

Por exemplo, os seis nomes

Five Years of Theosophy, págs.

110-111, artigo "Os Doze Signos do Zodíaco".

das seis forças nomeadas são as das seis Hierarquias de Dhyân-Chohans,

sintetizadas por sua Primária, a sétima, que personifica o Quinto Princípio da

Natureza Cósmica, ou a "Mãe" em seu sentido místico.

Só a enumeração dos

poderes do Ioga exigiria dez volumes.

Cada uma das forças tem à sua frente uma

Entidade Consciente e vivente, da qual é uma emanação.

Mas comparemos as palavras de Hermes, o Três Vezes Grande, com o

Comentário já citado:

"A criação da vida pelo sol é tão contínua quanto a

luz: nada a detém, nada a limita.

Em torno dele, como uma

legião de satélites, estão inumeráveis coros de Gênios.

Estes

habitam na vizinhança dos Imortais, e dali velam sobre as

coisas humanas.

Executam a vontade dos Deuses [Carma], por

meio de tempestades, raios, incêndios e terremotos, e também

de fomes e guerras, para castigo da impiedade589...

É o sol que conserva e alimenta todas as criaturas;

e, assim como o Mundo Ideal, que rodeia o mundo sensível,

povoa este último com a plenitude e a universal variedade das

formas, do mesmo modo o sol, envolvendo tudo em sua luz, dá

lugar ao nascimento e desenvolvimento das criaturas, em toda

a parte... Sob suas ordens está o coro dos Gênios, ou antes, os

coros, pois ali há muitos e diversos, e seu número corresponde

ao das estrelas.

Cada estrela tem na água Gênios, bons e

maus por natureza, ou melhor, por sua ação, visto que a ação

Vejam-se as Estâncias III e IV e os Comentários respectivos, especialmente os referentes às Estância IV, quanto aos Lipika e aos quatro Mahârâjas, os agentes do Carma.

é a essência dos Gênios... Todos estes Gênios presidem aos

negócios do mundo590; eles abalam e derrubam a constituição

dos estados e dos indivíduos; imprimem a sua marca em

nossas almas, estão presentes em nossos nervos, em nossa

medula, em nossas veias, em nossas artérias e em nossa

própria substância cerebral... No momento em que um de nós

recebe a vida e o ser, fica aos cuidados dos Gênios

[Elementais]     que presidem      aos    nascimentos591, e      que se

acham classificados abaixo dos poderes astrais [Espíritos

astrais sobre-humanos]. Eles mudam perpetuamente, nem

sempre de maneira idêntica, mas girando em círculos592.

Insinuam-se através do corpo em duas partes da Alma, a fim

de que esta possa receber de cada um deles o cunho da

energia que lhe é própria.

Mas a parte racional da Alma não

está sujeita aos Gênios; é destinada a receber [o] Deus593, que

a ilumina como um raio de sol.

Poucos são os iluminados, e os

Gênios se afastam deles, porque nem os Gênios nem os

Deuses dispõem de poder em presença de um só raio de

E os "Deuses" ou Dhyânis também, e não somente os Gênios ou "Forças dirigidas".     Isto significa que, sendo o homem composto de todos os Grandes Elementos (Fogo, Ar, Água, Terra e Éter), os Elementais que pertencem a cada um desses Elementos se sentem atraído para o homem, em razão de sua coessência.

O Elemento que predominar na constituição de um ser regulará o comportamento que ele há de ter na vida.

Por exemplo, se no indivíduo tem preponderância o Elemento terreno (o gnômico), os Gnomos farão com que ele seja dado- à acumulação de metais, moedas, riquezas, etc.

"O homem animal é filho dos elementos animais de que proveio a sua Alma (Vida), e os animais são o espelho do homem" — dizia Paracelso.

(De Fundamento Sapientiae). Paracelso era cauteloso, e tinha necessidade de que a Bíblia coincidisse inteiramente com as suas palavras; e por isso não dizia tudo.

Progressos cíclicos em desenvolvimento.

O Deus no homem, e com freqüência a encarnação de um Deus, um Dhyân-Chohan altamente espiritual, além da presença de seu próprio Sétimo Princípio.

Deus594. Mas todos os outros homens, corpo e alma, são

dirigidos por Gênios, aos quais aderem, e que lhes influenciam

as ações... Os Gênios têm, pois, domínio sobre as coisas

mundanas, e os nossos corpos são os seus intrumentos595."

O que acabamos de transcrever, salvo em alguns pontos de caráter

sectário, representa a crença universal, comum a todos os povos, até cerca de um

século atrás.

Crença que ainda é igualmente ortodoxa, em suas linhas e traços

gerais, tanto entre os pagãos como entre os cristãos, à exceção de uns poucos

materialistas e homens de ciência.

Sim, porque, sejam os Gênios de Hermes e os seus "Deuses" chamados

"Poderes das Trevas" e "Anjos", como nas Igrejas latina e grega; ou "Espíritos dos

Mortos", como no Espiritismo; ou Bhûts, Devas, Shaitan e Djin, como na Índia e nos

países muçulmanos — todos eles são uma e a mesma coisa: ILUSÃO.

Que não

haja, porém, nenhum mal-entendido a este respeito, como ultimamente tem

acontecido por parte de escolas ocidentais em relação à grande doutrina filosófica

dos vedantinos.

Tudo o que é, emana do ABSOLUTO, que, por força mesmo deste

qualificativo, é a única Realidade; e assim tudo aquilo que é estranho ao Absoluto, a

esse Elemento causativo e gerador, deve ser uma ilusão, sem nenhuma sombra de

dúvida.

Isto, porém, do ponto de vista exclusivamente metafísico.

Um homem que se

tenha em conta de mentalmente são, e que seja também assim considerado pelos

Mas qual é o "Deus" de que se cogita aqui? Não será o Deus-"Pai" da ficção antropomórfica, porquanto esse Deus é a coletividade dos Elohim, não tendo existência fora da Legião.

Demais, um Deus tal é finito e imperfeito.

É aos altos Iniciados e Adeptos que se faz referência com aqueles "homens pouco numerosos". E são precisamente estes os que acreditam em "Deuses" e que não conhecem outro Deus senão uma Divindade Universal não relacionada nem condicionada.

The Virgin of the World, págs.

104-5, "As Definições de Asclépios".

outros, classificará igualmente como ilusão e des-varios as visões de um irmão louco

(alucinações que podem fazer a vítima muito feliz ou sumamente infeliz, conforme o

caso). Mas onde está o louco para quem as horríveis sombras de sua mente

transtornada, suas ilusões, não sejam para ele tão efetivas e reais quanto as coisas

vistas por seu médico ou seu enfermeiro?

Tudo é relativo neste Universo; tudo é ilusão.

Mas a impressão

experimentada em qualquer dos planos é uma realidade para o ser que a percebe e

cuja consciência pertença ao mesmo plano; muito embora essa impressão,

encarada de um ponto de vista puramente metafísico, possa não apresentar

nenhuma realidade objetiva.

Não é, porém, contra os metafísicos, senão contra os físicos e os

materialistas, que o ensinamento Esotérico tem de combater; e para estes a Luz, a

Força Vital, o Som, a Eletricidade e até mesmo a força tão objetivamente atuante do

Magnetismo      não   possuem    nenhuma      existência   objetiva,   não   passando

simplesmente de "modos de movimento", "sensações e afecções da matéria".

Nem os ocultistas em geral, nem os teósofos, rejeitam, como alguns

erroneamente supõem, as idéias e as teorias dos sábios modernos, só porque suas

opiniões estejam em conflito com a Teosofia.

A primeira regra de nossa Sociedade é

dar a César o que é de César.

Os teósofos, portanto, são os primeiros a reconhecer

o valor intrínseco da Ciência.

Mas, quando os seus sumos-sacerdotes querem

resolver a consciência em uma secreção da matéria cinzenta do cérebro, e todas as

coisas da Natureza em um modo de movimento, nós protestamos contra semelhante

doutrina, por antifilosófica, contraditória em si mesma e simplesmente absurda, vista

pelo ângulo científico, tanto e até mais que sob o aspecto oculto do conhecimento

esotérico.

Pois a verdade é que a Luz Astral dos cabalistas tão ridicularizados

encerra estranhos e misteriosos segredos para aqueles que nela podem ver; e os

mistérios ocultos sob as suas ondas em constante movimento ali permanecem, não

importa o que diga toda a coorte de materialistas e motejadores.

A Luz Astral dos cabalistas tem sido incorretamente equiparada ao "Éter",

confundindo-se este último com o Éter hipotético da Ciência; e alguns teósofos se

referem aos dois como sendo sinônimos de Âkâsha.

É um grande erro.

O autor de A Rational Refutation escreve o seguinte, confirmando assim,

inconscientemente, o Ocultismo:

"As   propriedades     características    do    Âkâsha

evidenciam como é incorreto representá-lo pelo "éter". Em

dimensão é ele... infinito; não é constituído de partes; e a cor, o

sabor, o odor e a tangibilidade não lhe pertencem.

Até esse

ponto corresponde exatamente ao tempo, ao espaço, a Ishvara

[o "Senhor", ou antes, a potência criadora e a alma — Anima

mundi] à alma.

Sua especialidade, que o distingue dos

anteriores, consiste em ser a causa material do som.

A não ser

por isto, poderia ser considerado como o vácuo596."

O vácuo, não haja dúvida, principalmente para os racionalistas.

Em todo

caso, certo é que o Âkâsha produz o vácuo no cérebro de um materialista.

Não

obstante, se bem que o Âkâsha não seja o Éter da Ciência (nem sequer o Éter do

ocultista, que o define como apenas um dos princípios do Âkâsha), é seguramente,

Pág.

120.

junto com o seu primário, a causa do som: a causa psíquica e espiritual, mas de

modo algum a causa material.

A relação entre o Éter e o Âkâsha pode ser definida

aplicando-se a ambos, Âkâsha e Éter, as palavras com que os Vedas se referem a

Deus: "Assim, ele mesmo era, em verdade, (seu próprio) filho", um sendo o produto

do outro e, não obstante, ele mesmo.

Pode ser um enigma difícil para o profano,

mas facílimo de entender por um hindu, ainda que não seja místico.

Os segredos da Luz Astral, juntamente com muitos outros mistérios,

permanecerão ignorados pelos materialistas de nossos tempos, do mesmo modo

que a América não passava de um mito para os europeus durante os primeiros

tempos da Idade Média, apesar de haverem escandinavos e noruegueses alcançado

aquele antiquíssimo "Novo Mundo" muitos séculos antes, ali se estabelecendo.

Mas,

assim como nasceu um Colombo para descobri-lo novamente e para obrigar o Velho

Mundo a crer nos antípodas, igualmente nascerão sábios que hão de descobrir as

maravilhas que os ocultistas vêm afirmando existirem nas regiões do Éter, com seus

vários e multiformes habitantes e Entidades conscientes.

Então, nolens volens, a

Ciência terá que aceitar a antiga "superstição", como já o fez com outras muitas.

E,

uma vez que se veja forçada a admiti-la, é bem provável que os seus sábios

professores — a julgar pela experiência do passado, como no caso do Mesmerismo

ou Magnetismo, hoje rebatizado com o nome de Hipno-tismo — perfilhem o fato e

rejeitem a denominação.

A escolha do novo nome dependerá, por sua vez, dos

"modos de movimento" — a nova definição dos antiquíssimos "processos físicos

automáticos entre as fibrilas nervosas do cérebro" (científico) de Moleschott —; e é

também mui provável que venha a depender da última refeição tomada por quem lhe

der o nome, já que, segundo o fundador do novo Esquema Hilo-Idealista,

"cerebração é genericamente o mesmo que quilificação597". Desse modo, se

houvéssemos de crer nesta última e disparatada proposição, o novo nome da

verdade arcaica dependeria da inspiração gástrica do padrinho, e só então é que

verdades semelhantes lograriam a possibilidade de se tornarem científicas!

Mas, por desagradável que seja às maiorias, geralmente cegas, a

VERDADE tem sempre encontrado os seus campeões, dispostos a morrer por ela, e

não estará entre os ocultistas quem há de protestar contra a sua adoção pela

Ciência, sob qualquer nome que seja.

Entretanto, até o momento em que ela venha

impor-se ao conhecimento e à aprovação dos homens de ciência, muitas coisas

ocultas serão relegadas, como o têm sido os fenômenos espíritas e outras

manifestações psíquicas, para finalmente serem apropriadas por seus ex-detratores

sem o menor reconhecimento ou gratidão.

Grande foi a importância do Nitrogênio no

progresso da ciência química; mas Paracelso, que o descobriu, é ainda hoje

classificado como "charlatão". Quão profundamente verdadeiras são as palavras de

H. T. Buckle, em sua History of Civilization, quando diz:

"Em virtude de circunstâncias ainda desconhecidas

[a provisão cármica], de onde cm onde aparecem grandes

pensadores que, consagrando suas vidas a um objetivo único,

são capazes de acelerar o progresso da humanidade,

fundando uma religião ou filosofia, graças à qual efeitos

importantes podem manifestar-se. Mas, se perquirirmos a

história, veremos claramente que, embora a gênese de uma

nova opinião possa ser assim atribuída a um só homem, o

National Reformer, 9 de janeiro de 1887; artigo "PhrenoKosmo-Biology", pelo Dr. Lewins.

resultado por ela produzido depende do caráter do povo em

que tenha sido divulgada.

Se uma religião ou filosofia é por

demais avançada em relação ao povo, não poderá ter

nenhuma repercussão no momento, devendo esperar598 que os

espíritos estejam suficientemente amadurecidos para recebê-

la... Toda ciência e toda fé têm os seus mártires.

Segundo o

curso ordinário das coisas, passam algumas gerações, e vem

depois outro período em que estas mesmas verdades são

havidas como fatos normais; e, um pouco mais tarde, surge

mais    outro    período     durante     o   qual    são        proclamadas

necessárias, e até as inteligências mais obtusas se admiram de

que algum dia houvesse sido possível negá-las599."

Pode ser que as mentes das gerações contemporâneas não estejam de

todo maduras para receber as verdades ocultas.

É bem provável que esta seja a

conclusão dos pensadores avançados da futura Sexta Raça-Raiz, quando lançarem

um olhar retrospectivo sobre a história da aceitação plena e incondicional da

Filosofia Esotérica.

Até lá, as gerações de nossa Quinta Raça continuarão a

extraviar-se pelos desvãos dos preconceitos e das prevenções.

Em toda a parte as

ciências ocultas se verão apontadas pelo dedo do desprezo, e todos procurarão

ridicularizá-las e amesquinhá-las, em nome e para maior glória do Materialismo e de

sua pretendida Ciência.

Estes volumes, entretanto, respondem por antecipação a várias das

futuras objeções científicas, indicando as verdadeiras posições recíprocas da

É a lei cíclica; mas esta lei é freqüentemente transgredida pela obstinação humana.

Vol.

I, pág.

256.

acusação e da defesa.

Os teósofos e os ocultistas são levados ao banco dos réus

pela opinião pública que só desfraldar a bandeira das ciências indutivas.

Estas

últimas devem, pois, ser examinadas, cumprindo fixar até que ponto os seus feitos e

as suas descobertas no domínio da lei natural entram em conflito, não tanto com o

que pretendemos, mas com os fatos da Natureza.

Soou a hora de ver se os muros

da moderna Jerico são assim tão inexpugnáveis que nenhum som da trombeta

ocultista possa fazê-los desmoronar.

Deve ser cuidadosamente examinado tudo o que se refere às chamadas

"Forças", notadamente a Luz e a Eletricidade, e à constituição do globo solar; assim

como as teorias relativas à gravitação e às nebulosas.

Impende analisar a natureza

do Éter e de outros elementos, confrontando-se os ensinamentos científicos com os

ocultistas, e revelando-se ao mesmo tempo alguns princípios, até agora secretos, do

ocultismo.

Faz uns quinze anos, foi a autora a primeira a repetir, com os cabalistas,

os sábios Preceitos do Catecismo Esotérico:

"Cerra os teus lábios, para que não fales sobre isto

[o mistério], e o teu coração, para que não penses em voz alta;

e, se o teu coração não te obedecer, trata de reconduzi-lo ao

seu lugar, porque tal é o objetivo de nossa aliança600."

E também das Regras da Iniciação:

Sepher Yetzireh.

Este é um segredo que dá a morte; cala a tua boca,

para que o não reveles ao vulgo; comprime o teu cérebro, para

que alguma coisa não possa escapar e cair em mãos profanas.

Poucos anos depois, uma ponta do Véu de Ísis pôde ser levantada; e

agora chegou a vez de um puxão ainda maior.

Mas os antigos erros consagrados pelo tempo — inclusive aqueles que se

mostram cada dia mais claros e evidentes — permanecem dispostos em ordem de

batalha, hoje como ontem.

Guiados por um cego instinto de conservação, pela

vaidade e pelos preconceitos, estão constantemente alerta, prontos para sufocar

toda verdade que, despertando de seu profundo sono secular, reclame a admissão.

Assim tem sido sempre, desde que o homem se animalizou.

Se o trazer à luz algumas destas antigas verdades, e verdades bem

antigas, pode ocasionar a morte moral de quem as revele, também é certo que pode

dar a Vida e a Regeneração a todo aquele que esteja apto a tirar proveito do pouco

que lhe é revelado.

NOTAS ADICIONAIS

Introdução, pág.

129, nota.

Há dois Kali-Yugas distintos.

1º. O Kali Yuga astronômico, que começou

no ano 3102 a.C, época mui provavelmente fixada em 499 A.D., sob Ãryabhata I.

Trata-se de um início irreal do Kali Yuga (17-18 de fevereiro de 3102 a.C),

resultante, sem dúvida, de cálculo retroativo, segundo as conclusões de Bentley,

Burgens etc; e eu adoto plenamente este ponto de vista.

Diz Burgens: "Não sei

como se possa pôr em dúvida que a época tenha sido encontrada por meio de

calculo astronômico retroativo". De acordo com essa estimativa do Kali Yuga, 5.

anos transcorreram em 1899-1900 A.D. ou 1921 do ano Shâka.

Não encontrei

nenhuma indicação epigráfica, ou de outra espécie, quanto ao cálculo sobre este

Kali Yuga, anteriormente à época de Ãryabhata I, isto é, antes de 499 A.D. 2º. O

outro Kali Yuga, a que se referem o Mahâbharata e os Purânas, principiou em 7 de

janeiro do ano 2454 a.C, dia do solstício de inverno, e da lua cheia perto da estrela

Regulus.

Seguiu-se depois um período de sandhi (intervalo) de 100 anos, durante o

qual se deu a batalha de Bhârata, em 2449 a.C, e a morte de Shri Krishna, em

a.C. 5.000 anos deste Kali Yuga terão decorrido daqui a 609 anos, ou seja, em

A.D. Foi este o Kali Yuga real que pessoalmente aceitei em todas as minhas

investigações.

(Nota escrita por Probodh Chandra Sen Gupta, a pedido do Sr. Hi-

rendranath Datta.)

Infelizmente, essas notas finais não puderam ser localizadas.

Creio, que nessa edição, os editores se esqueceram de atualizar o número das páginas (Sandra).

Referência a Ísis sem Véu, pág.

83.

Veja-se a segunda nota ao pé da página.

O nome é usado no sentido da

palavra grega αυθρωποζ (anthropos). O Mestre K. H. escreveu, acerca de Ísis sem

Véu em geral, e daquela passagem em particular: "Graças à ajuda dos revisores,

poucos enganos reais escaparam, como o da página 1, capítulo I, volume I, em que

se mencionou a Divina Essência como emanando de Adão, quando é o inverso."

Consulte-se The Mahâtmâ Letters, pág.

45, 2ª edição, 1930.

Ancient Fragments, de Cory, pág.

184.

Na edição nova e ampliada de E. Richmond Hodges, de 1876, é diferente

a paginação; contém ela 203 páginas, ao passo que a primitiva edição se compunha

de mais de 300. O editor de 1876 diz no Prefácio, pág.

XII, que omitiu: (a) o Prefácio

de Cory, e (b) as especulações Neo-platônicas do final do livro.

A Santa Assembléia Menor, pág.

195.

A Santa Assembléia Menor é a parte III, fólios 287 a 296-b do Zohar; veja-

se Kabbala Denudata, de Rosenroth, Formus Secundus, Parte II, págs.

347-598 —

diz A. E. Waite em The Secret Doctrine in Israel, cap.

3, pág.

45.

Jod, Vau e duas vezes Hé, pág.

209, nota 72.

Tem-se objetado que Jod (+ 10), Vau ( = 6) e duas vezes Hé (cada Hé =

5) perfazem 26, e não 21. Possivelmente o valor de um Hé foi omitido para os

objetivos numéricos que a Sra.

Blavatsky tinha em mente.

Manadas aprisionadas, pág.

184, tomo 2.

No último período do primeiro parágrafo constam as palavras: "...cujas

Mônadas podem estar agora aprisionadas — semiconscientes — nos espécimes

mais inteligentes do reino animal, enquanto os seus princípios inferiores animam,

talvez, os exemplares mais elevados do reino vegetal." Tem-se observado e insistido

que as últimas palavras estariam melhor assim: "... enquanto os seus espécimes

inferiores animam, talvez, as mais altas espécies do mundo vegetal."

Nota: Kali Yuga deveria ser, em todos os casos, ortografado com um a

breve.

Kali quer dizer contenda, luta; kâlâ, kâlî, negro, escuro.